ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 119ª edição | 01 de 2017.

Uma opinião espírita sobre o acidente da Chapecoense

Por Wilson Czerski

A vida moral é regida por princípios divinos e humanos. Há um determinismo superior do qual não podemos fugir. A lei do progresso é uma delas. Outra é a reencarnação. E se nascemos, não podemos escapar à morte biológica. Mas não somos máquinas nem joguetes e não há acaso, ao menos, no sentido vulgar de acontecimento completamente fortuito ou aleatório.  

O determinismo divino coexiste com o livre-arbítrio humano. Ao reencarnarmos traçamos ‘uma espécie de destino’ ao escolhermos as principais experiências que iremos vivenciar. Aqui chegando sempre teremos o livre-arbítrio para alterar aquela carta de intenções.

É muito diferente algo acontecer pela vontade de Deus e acontecer porque ele permitiu. Deus não quer guerras, fome no mundo, injustiças sociais, violência, crueldade, mas as permite, todas criações humanas e que acabam servindo de aprendizados diversos.

Nem tudo é carma, ação e reação, causa e efeito, expiação ou provação proveniente de imposições da justiça divina. Nem todas as ocorrências são frutos do passado. Muitas se originam por ações novas praticadas no aqui e no agora. Isso é fundamental para tentarmos entender melhor as causas que levaram ao acidente envolvendo a delegação da Chapecoense.

A pergunta é: por que morreram 71 das 77 pessoas que estavam a bordo da LaMia? Na questão 862 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta se existe fatalidade. E os Instrutores respondem com um exemplo. Se um indivíduo tenta atravessar um rio sem saber nadar e morre afogado, não se trata de fatalidade. E, acrescentaríamos, nem de destino ou expiação por algo de errado feito em vida passada. 

Até mesmo se esta pessoa avaliar mal sua força física em relação às dificuldades a serem enfrentadas como a força da correnteza ou a distância para atingir a outra margem, nada disto configura predeterminação de qualquer natureza. Perece por própria e exclusiva culpa, imprudência, irresponsabilidade.

Foi o que fez o piloto da LaMia. Imprudente, deixou-se levar pela soberba em julgar que poderia controlar uma situação de claro risco. Empreendeu viagem com combustível muito aquém do recomendado pelas normas internacionais de aviação, prática reiterada, negando-se, inclusive, a fazer escala porque o oneraria – haja vista que era também um dos proprietários da empresa.

 

Tentar atravessar um rio sem saber nadar e morrer afogado não é fatalidade. Coisas acontecem por ações novas do aqui e agora. Se o piloto não tivesse agido como agiu, as pessoas não teriam morrido.

 

A diferença é que ele não estava sozinho para atravessar o rio, ou melhor, o espaço, mas tinha aos seus cuidados dezenas de outras vidas. Esse raciocínio vale para o motorista de ônibus, o taxista, etc. O fato é que, embora haja questões de OLE (853 e 859) que afirmam categoricamente que a hora do nascimento e a da morte (“aparecer e desaparecer deste mundo”) e o gênero desta última constituem a única verdadeira fatalidade – sobre o que, aliás, podemos citar várias exceções -, ao nosso modo de ver, se o piloto não tivesse feito o que fez, aquelas pessoas não teriam morrido. 

Durante um voo, as vidas das pessoas, literalmente, estão nas mãos do comandante. O destino delas, no que diz respeito à sua segurança física, depende fundamentalmente dele. Toda vez que pensamos em contrário, se usarmos da lógica e bom-senso tão recomendados pelo próprio Codificador, alguma coisa não encaixa. O leitor quer outros exemplos?

Os bombardeios de Alepo, na Síria. Se não fosse a maldade insana de um ditador apoiado pela Rússia, aquelas milhares de pessoas morreriam naquele lugar e daquele modo? 

Um bebê aos cuidados de pais agressivos ou de uma babá irresponsável e que sofre violências físicas e morre, era seu destino? Seu dia e hora da morte estavam predeterminados? Ou só morreu porque alguém, mais forte, pelo seu livre-arbítrio mal direcionado, cometeu um homicídio? 

Então para quê cuidar da saúde se nunca morremos antes da hora? Para quê usar o cinto de segurança? Não ignoramos o peso da lei de causa e efeito em nossas várias reencarnações e admitimos também as expiações coletivas, segundo “Obras Póstumas”.

 Porém, argumentar que o agente ativo de tantas mortes estava a serviço da lei de justiça de Deus é um disparate. O piloto, embora também vítima de sua irresponsabilidade e ambição, aos olhos desta análise, transforma-se num instrumento de Deus, o carrasco. E para atender a logística, muitos outros espíritos do Bem trabalhariam arduamente para reunir todas as futuras vítimas, concorrendo como justiceiros.

Não é pretensão nossa aqui oferecer respostas completas e definitivas, pois nos falta elementos para isso, mas ao menos algumas reflexões que satisfaçam a razão. O que não se concebe são aquelas explicações padrão que sempre surgem nessas ocasiões, como, por exemplo, esta retirada de um mensário eletrônico: “... podemos afirmar que essa fatalidade estava “prevista” na existência dos tripulantes e passageiros desencarnados...” Mas, meu Deus do céu, baseado em quê? 

 O ideal é que contássemos com médiuns extremamente confiáveis capazes de sondar o mundo espiritual em busca de informações definitivas. E falamos no plural para atender ao requisito do Consenso Universal dos Ensinamentos dos Espíritos, adotado por Kardec: vários médiuns, desconhecidos ou distantes entre si.

Até onde podemos especular e diante dessas explicações, todos morreram de graça? Praticamente foram assassinadas? De certa forma, sim. É bem possível que elas não precisassem passar por isso. Que não estava em seus destinos traçados antes de reencarnar. Quanto ao termo ‘assassinadas’ pode ser pesado, mas é assim que denomina a lei. Lembre-se: ninguém reencarna com determinação de praticar um ato desses. Foi seu livre-arbítrio do momento que se impôs sobre o dos demais.

Um vidente previu em março que um time de futebol morreria na queda de uma aeronave, embora incapaz de esclarecer se brasileiro ou não. Como ele sabia? ‘Viu’ ou teve uma premonição, percepção do fato em si, mas não a causa. Se fosse por falha mecânica ou condições meteorológicas, saberia também porque o evento estava se construindo no horizonte. 

Um sexto sentido anímico ou uma revelação mediúnica pode antever algo que ainda não se concretizou. Poderia errar porque não passava de uma previsão e, portanto, poderia ter o curso alterado. Se o piloto não tivesse teimado... Se a Chapecoense optasse por outra companhia aérea... Se o órgão fiscalizador na Bolívia tivesse impedido o voo. Se... se... 

Passa-nos também pela cabeça a sensacional defesa do goleiro Danilo no último lance do jogo anterior do time pela competição. Sem ela, não haveria classificação, não fariam a viagem e todos estariam vivos. Uma grande ironia que o feito tão festejado, momento de glória, de certa forma tenha sido a causa também de toda a tragédia. Dizer que se não fosse naquele dia seria em outro, não parece razoável, além de já desmentir o tal “dia e hora marcados da morte”.

Claro que há as particularidades individuais como as que levaram a ter seis sobreviventes. Milagre? Proteção especial de Deus? Nada disso. Talvez estes tenham outras tarefas ainda a realizar por aqui. Os outros já teriam concluído as suas? Quem sabe? Tudo o que foi falado até aqui são conjecturas, baseadas no lado visível dos fatos e nos ensinamentos trazidos pela filosofia espírita.

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2017 / Desenvolvido por Leandro Corso