ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

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Jornal Comunica Ação Espírita | 120ª edição | 06 de 2017.

160 anos de “O Livro dos Espíritos”: o que ele foi, o que ele é e o que deve ser

 Neste mês de abril completa 160 anos de lançamento da obra basilar do Espiritismo e não poderíamos deixar de enaltecer aqui suas virtudes, ilustrar com algumas notas e enfatizar o quanto ainda devemos aprender com ele.
 A fonte está à disposição, embora os que a procuram ainda sejam relativamente poucos. Também é verdade que ela não é a única fonte, porém, é uma das que apresentam água da melhor qualidade para dessedentar o espírito humano carente de consolo e iluminação.
 Fatos espíritas sempre existiram, porém, somente a partir do trabalho de Kardec é que foi possível transferir os fenômenos do terreno do misticismo e do sobrenatural para o campo da ciência, da reflexão filosófica e da moral. O Livro dos Espíritos é tão importante que todas as demais obras da Codificação constituem-se de desdobramentos dele.
 Foi denominado “dos espíritos” e não “dos espíritas” porque a iniciativa partiu dos Luminares Espirituais e também por modéstia de Kardec, todavia, não se deve menosprezar a importância de seu trabalho. Ele não foi um mero compilador das revelações, mas um parceiro que em muito contribuiu não só com sua imensa capacidade intelectual na organização da obra, mas com observações e ideias pessoais.
 A metodologia utilizada foi especialmente importante para o êxito da empreitada a qual, Herculano Pires, um de seus tradutores, assim resume: escolha de médiuns insuspeitos tanto do ponto de vista moral quanto de suas faculdades e assistência espiritual; análise rigorosa das comunicações com lógica e confronto com a ciência; controle dos comunicantes pela coerência e teor da linguagem; e o CUEE – Consenso Universal dos Ensinamentos dos Espíritos.
 Na “Conclusão” da obra, estão listados os três períodos pelos quais passam os neófitos da Doutrina Espírita: curiosidade, raciocínio e filosofia e aplicação prática e suas consequências. Três também são os tipos de adeptos: os que apenas creem; os que compreendem suas consequências; e os que, além disso, praticam ou se esforçam por praticar sua moral. Por fim, há, ainda, três tipos de adversários: os que negam sem conhecer; os que conhecem, mas combatem porque o temem por lhes ameaçar os interesses como, poder, por exemplo; e os que o ignoram para não ter que abdicar de seus maus hábitos. Preferem continuar com o comodismo de sempre, sem ter que despender esforço algum para mudar, abandonar vícios e outras más condutas.
 A 1ª edição de OLE possuía 501 perguntas, distribuídas em 24 capítulos e 176 páginas; seus 1500 exemplares esgotaram-se em dois meses; o editor foi Pierre Didier. Para a 2ª edição, praticamente uma nova obra, agora com 1019 questões que, na verdade, são 1212 pelos desdobramentos de muitas das principais, Kardec não se serviu das irmãs Baudin, agora casadas, ou de Japhet, a “revisora” da anterior, mas de Ermance Defaux. A segunda edição foi lançada em 18/03/1860 e em um ano, três edições foram esgotadas do novo OLE.
 Entre o lançamento e a desencarnação de Kardec, foram 15 edições. No dia 1º de maio de 1864, O Livro dos Espíritos, juntamente com O Livro dos Médiuns e o recém lançado O Evangelho Segundo o Espiritismo, foi colocado no Índex da Igreja Católica.
 Em certo dia em que Kardec estava especialmente aborrecido e fatigado pelo volumoso somatório de tarefas e problemas relativos ao Espiritismo, veio-lhe pelo correio um exemplar justamente da obra que lhe exigira tanto tempo e sacrifício. O remetente era Joseph Pierre que o encontrara na mureta da ponte Marie, no rio Sena, quando, numa noite escura, preparava-se para lançar-se em suas águas, subjugado pela dor da perda da esposa amada.
 Ao folhear o livro deparou logo na primeira página com o testemunho de A. Laurent que vivenciara a mesma situação de desejar pôr fim à vida e grafara o aviso: “Esta obra salvou-me a vida. Leia com atenção”. Imediatamente, Kardec sentiu-se plenamente recompensado por todo o trabalho que tivera na sua elaboração e revigorado para dar continuidade à tarefa.
 Porém, na Revista Espírita de julho de 1866 ele alerta que “O Livro dos Espíritos não é um tratado completo do Espiritismo; apenas as bases e os pontos fundamentais que devem desenvolver sucessivamente pelo estudo e pela observação”.
  E é precisamente isso que, infelizmente, não temos feito. Deixamos de alcançar o primeiro desiderato por falta de conscientização, vontade e disciplina e o segundo, por pretensa posse da verdade absoluta, incapacidade de reconhecer os próprios limites da obra e do conservadorismo pessoal cristalizante.

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