ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 70ª edição | 11 de 2008.

Que é Deus? A visão científica e filosofica-religiosa do Espiritismo

  • Albert Einstein: “A religião sem ciência é cega” Albert Einstein: “A religião sem ciência é cega”
  • 2009: A felicidade nasce, cresce e mora dentro do ser humano 2009: A felicidade nasce, cresce e mora dentro do ser humano

A revista Superinteressante nº 220, de dezembro de 2005 informa que grande número de cientistas crê não ser papel da ciência provar a existência de Deus, exatamente o que afirma Kardec: “as instituições científicas não têm, e não terão nunca o que dizer nesta questão (a comunicabilidade dos espíritos) ... como não lhes compete decidir se Deus existe ou não” (O que é o Espiritismo, Allan Kardec).

Mesmo assim, eles falam, senão em nome da ciência, ao menos em seus próprios. Menção à parte, pela importância extraordinária de suas descobertas, incluindo a Lei da Relatividade, está Albert Einstein. Atribui-se a ele diversas manifestações em que transparecem suas idéias sobre Deus e sua religiosidade. Vejamos algumas delas. Um único acaso destruiria a ciência. Uma das mais famosas é a seguinte: Deus não joga dados com o Universo. Em outra ocasião escreveu: Eu afirmo que a religiosidade cósmica é a mais forte e a mais poderosa de todas as ferramentas de pesquisa científica. Ciência sem religião é incompleta. A religião sem ciência é cega. Todas as religiões, artes ou ciências, são frutos da mesma árvore, cuja aspiração é... permitir que o indivíduo se eleve além da simples existência física, e seja livre. Disse mais: Não podemos permitir que a lógica seja nossa deusa: ela tem músculos poderosos, mas, lhe falta personalidade. A mente intuitiva é um presente sagrado, e a lógica é uma serva fiel; infelizmente nós criamos uma sociedade que honra a serva fiel, e esquecemos o presente sagrado.

Saber que existe algo insondável, sentir a presença de algo profundamente racional, radiantemente belo, algo que compreendemos apenas em forma rudimentar, é esta experiência que considero a atitude genuinamente religiosa. Neste sentido, e neste sentido somente, que pertenço aos homens profundamente religiosos, definiu-se, por fim. Como afirmou Luiz Pasteur “Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima”.

Mas de que elementos ou evidências os cientistas tiram estas conclusões? Examinemos algumas elocubrações.

CAOS: A desordem não é o estado natural da matéria, mas o que precede a emergência ou eclosão de uma ordem mais elaborada. A ordem profunda está oculta sob o caos aparente.

ENERGIA CÓSMICA UNIVERSAL: cientistas pretendem encontrar evidências reais de partícula elementar prevista teoricamente e responsável por promover a massa às outras partículas; um elemento universal ocupando todos espaços e apelidada pelos cientistas de “partícula-deus”. Foram detectados vestígios desse elemento após colisão de partículas subatômicas levadas a velocidades próximas à da luz desintegrando-se e voltando a se materializar sob outra forma (1).

As sete razões pelas quais um cientista crê em Deus

Importante fazer um passeio pelo trabalho do Dr. Cressy Morrison, ex-presidente da Academia de Ciências de New York e reproduzido e comentado por Eliseu F. Mota Júnior (2). Recomendamos a leitura integral direto da fonte visto que o espaço não permite acompanhar toda a fundamentação científica do ilustre professor americano, mas tão somente a síntese de cada argumentação. São elas:

  1. Por uma determinada lei, lógica, nós podemos provar que nosso Universo foi projetado e executado por uma inteligência engenheira;
  2. O talento da vida para executar a sua proposta é toda a manifestação de uma inteligência suprema;
  3. A sabedoria animal fala irresistivelmente de um bom Criador, que infunde instintos a todas as suas desamparadas e pequenas criaturas;
  4. O homem tem alguma coisa mais do que um instinto animal – o poder da razão;
  5. A provisão para toda vida é revelada na fenomenal maravilha dos genes;
  6. Pela economia da Natureza, somos forçados a perceber que somente uma sabedoria infinita poderia ter previsto e preparado com tamanha prudência administrativa;
  7. O fato de que o homem pode conceber a idéia de Deus já é, por si mesmo, a grande prova da existência de Deus.

ANTIMATÉRIA E OS BURACOS NEGROS (3) - Buracos negros são “pontos singulares” de um sistema binário entre uma galáxia e uma antigaláxia (antimatéria).“O buraco vai absorvendo e condensando até um ponto máximo e então explode formando nova galáxia em espiral. Quando da implosão teríamos a antigaláxia em extinção sendo engolida (movimento de água no escoadouro de um tanque). No ponto singular, já se extinguiu tudo, então explode e o outro braço do binário começa encolher, sempre comtransformação de energia em matéria e vice-versa (matéria em antimatéria e vice-versa). A ação para explodir a antigaláxia seria Deus e o efeito, a Criação”.

  • BIG BANG - Em 1983, Andrei Linde criou teoria da “expansão inflacionária do universo” segundo a qual existe a “sopa” de plasma sem átomos ou galáxias, com temperaturas e densidades diferentes e variáveis. Quando certa região chega ao máximo de densidade, explode num Big Bang. E sempre tem havido estes e aí sim com formação de matéria, galáxias, etc. Isto estaria de acordo com as informações do Espírito de Galileu no capítulo VI de A Gênese - “diversos centros de criações simultâneas ou sucessivas” (4).
  • A COMPOSIÇÃO DO UNIVERSO - Ele é composto por 72% de energia escura, 23% de matéria escura, 4,6% de átomos e menos de 1% de neutrinos, ou seja, menos de 5% de matéria como a conhecemos (5).

    Mais recentemente reacendeu nos Estados Unidos a polêmica que confronta a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin e a do criacionismo, segundo a qual o homem foi criado por Deus como um ser especial, à parte de todos os demais seres e numa época muito mais recente do que afirma a ciência.

    Como alternativa, surgiu uma teoria intermediária que pretende unir a idéia da criação divina com os conhecimentos científicos. Surgida no final de 2005 numa escola pública de Dover – Pensilvânia, entre cientistas partidários do protestantismo, o Design Inteligente pressupõe que algumas tarefas complexas como a visão, a coagulação e transporte celular só encontram explicação se for admitida a intervenção de uma força superior, isto é, Deus.

    Michel J. Beche, professor da Universidade de Lihgh, Pensilvânia, autor de “A caixa preta de Darwin” defende os colegas acuados pelas alas científicas mais ortodoxas que os acusam de fazer ressurgir o criacionismo, ao declarar: “É diferente justificar uma fé com argumentos científicos de descobrir uma teoria científica que pode ser compatível com a fé”.

    Mas há quem duvide mesmo desta perfeição propalada por uns e outros, embora creditas a origens diferentes. É o caso da bióloga Vera Volferini, professora da UNICAMP. Em sua opinião “não existem ainda argumentos científicos que sejam tranqüilamente aceitos pela maioria dos pesquisadores. O ser humano não é um projeto perfeito”. E exemplifica: a anatomia da próstata que predispõe aos tumores ou por que não termos mais que cinco dedos?

    Para alguns a inclinação religiosa ou simplesmente as manifestações da fé em Deus resultam de uma programação genética. Isto confere até certo ponto com os Espíritos que atuaram na codificação espírita (questões 5 e 6 de OLE) para os quais a crença na existência de um Ser Superior é intuitiva no homem, se bem que a afirmação deles implique uma profundidade e anterioridade muito maior do que a solução da ciência.

    Os atributos de Deus segundo o Espiritismo

    Para o Espiritismo, como praticamente também para todas as demais religiões, a crença na existência de um ente supremo é um princípio fundamental, o mais importante de todos, razão de ser do universo e do homem. Na Introdução de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec compara: Deus é para o universo o que o sol é para o nosso sistema e quem não o reconhece não é pecador irremissível, mas um cego que encontrará a cura. E na primeira questão formulada aos Espíritos nesta obra, o codificador começa, sem trocadilhos, pelo princípio de tudo, ao indagar aos Espíritos Superiores justamente Que é Deus? Chamamos a atenção para o detalhe de não usar quem o que levaria a pressupor alguém com características humanas, conceituação limitadora e vigente durante muitos séculos no seio das religiões e que ainda hoje subsiste. Os Espíritos responderam: Suprema inteligência do universo, causa primária de todas as coisas.

    Mais adiante, na questão 13, encontramos os seus principais atributos: eterno (sem começo nem fim, diferente dos humanos que são apenas imortais pois que foram criados); imutável (se não o fosse, o universo não teria estabilidade); imaterial (razão de sua estabilidade); único (a crença ou possibilidade politeísta colocaria em risco a organização universal pela divisão de poder); onipotente (a supremacia de poder confere-lhe a criação e manutenção dos mundos e dos seres); soberanamente justo e bom (a justiça no mais elevado grau não exclui a bondade com idêntica característica, proporcionando equilíbrio nas ações divinas). Além destes poderíamos citar: onipresente (através da irradiação de sua energia cósmica ou éter, segundo alguns filósofos), onisciente (tudo sabe por estar em toda parte) e infinitamente misericordioso (não simplesmente “perdoando”, mas por desejar sempre o soerguimento espiritual de suas criaturas, abrindo-lhes oportunidades renovadas de progresso).

    Portanto, Deus tudo pode, tudo sabe; é força geradora de tudo o que existe e, em última análise, o responsável por nossas vidas e destinos, dentro do conjunto maior, embora pelo livre-arbítrio, possa o homem construir parcialmente o seu presente e futuro. Pouco antes, na questão 10, os Espíritos explicam que no atual estágio de desenvolvimento, o homem é incapaz de compreender a natureza íntima de Deus, o que só se dará quando tiver se aproximado da perfeição. Allan Kardec, em comentário à questão 16, repete o pensamento de Tomás de Aquino e aduz que “Não sabemos tudo o que ele é, mas sabemos aquilo que não pode ser...” .

    Por definição, Deus por ser infinito, é desconhecido. À medida que o homem descobre as coisas, julga presunçosamente que já sabe tudo, mas, na realidade, somente vê o mundo como um curioso diante do mecanismo do relógio, esquecendo que alguém o construiu. Ou seja, o que para ele é causa, já é um efeito. Por isso na pergunta nº 7, consta que “as propriedades da matéria têm uma causa anterior, primária”, isto é, Deus.

    Bem mais à frente, na 244, recebe-se a informação de que somente os Espíritos Puros podem ver Deus. Talvez essa visão entre aí em sentido figurado, mas o grande filósofo espírita Leon Denis, em “Cristianismo e Espiritismo” faz uma afirmação semelhante ao dizer que “Deus não tem forma, mas pode revestir uma para aparecer às almas elevadas”.

    Os estudos espíritas apontam para uma descoberta de Deus cada vez mais ampla e definitiva, tanto através da perquirição filosófica (a lógica nos demonstra a existência de Deus como fato), do sentimento religioso (a oração e a fé estabelecem ligações “palpáveis” com o Criador) e pela pesquisa científica (ainda que uma causa, o Big Bang, por exemplo, se tomado como responsável pelo começo de tudo, não deixará de ser apenas uma causa imediata, não porém a real que provocou aquela e os demais efeitos decorrentes). Deus não é apenas a energia por excelência em que tudo vive e se move, mas uma consciência absoluta dotada de atributos que vão muito além da força de coesão do universo. Isto a ciência ainda está por reconhecer.

    Referências

    Ref. Bibliográficas:

    1. Revista Internacional de Espiritismo, setembro/2003;
    2. Que é Deus? - Eliseu Florentino Mota Junior - Clarim;
    3. Jornal Espírita, nº 74, ago/81, C.B. Imbassahy;
    4. Obsessão e suas máscaras – Marlene Nobre – FE;
    5. Revista Veja, nº 2066, 25/06/08 – Abril.

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