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Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 121ª edição | 08 de 2017.

Traços Biográficos

O sobrenome Piper parece ter sido adotado como pseudônimo visto que seu nome verdadeiro era Leonore Evelina Simonds. Elanasceu em Boston em 27/06/1857 - portanto pouco mais que dois meses após Allan Kardec lançar “O Livro dos Espíritos” em Paris -, e desencarnou em 03/07/1950, aos 93 anos de idade.

Como tantas outros médiuns daquela época também foi acusada algumas vezes de fraude geralmente por quem observara os fenômenos de modo insuficiente ou levado por conclusões apressadas de terceiros. Foi investigada por 25 anos em uma época de ceticismo exacerbado, período em que, pessoas possuidoras de talentos psíquicos como ela, eram submetidos a exaustivos e até mesmo brutais testes e controles.

A primeira manifestação paranormal aconteceu aos oito anos de idade quando, pela clariaudiência, foi informada sobre a morte de uma tia, mas após esse e outro evento uma semana depois, os sintomas da mediunidade só reapareceram quando já estava casada e mãe de uma filha.

Os estudiosos da fenomenologia parapsicológica William James e Richard Hodgson foram os que mais se ocuparam dela. Mas também foi investigada por James Hyslop, Oliver Lodge, Frederic Myers, Henry Sidgwick, Charles Richet e até Conan Doyle a ponto de Michel Sage afirmar que “esta mediunidade é certamente a que foi mais estudada por tempo mais longo e por homens de alta competência”.

A partir de 1892 iniciaram-se as comunicações via psicográfica com George Pelham, espírito de um advogado, mas dedicado à literatura e filosofia e que fora amigo de Hodgson. Até então o espírito-guia da Sra. Piper tinha sido o Dr. Phinuit que se comunicava pela psicofonia. Uma terceira fase nos fenômenos realizados por essa médium extraordinária iniciou-se em 1897 com as manifestações das entidades Imperator, Doctor e Rector tanto verbalmente como pela escrita. Aconteceu algumas vezes dela receber três comunicações simultâneas, duas pelas mãos e pela voz.

As primeiras citações são de Myers para os Proceedings of the Society for Psysical Research, em 1890. Mas William James, William James, prof. de psicologia em Harvard e na Pensilvânia, teve o primeiro contato com ela antes disso, em 1885, e por 18 meses participou das reuniões e a dirigiu no atendimento a pessoas que a procuravam para obter, entre outras coisas, informações sobre parentes falecidos. 

Já Hodgson conheceu-a dois anos depois, em 1887 e interessou-se por ela com o intuito de desmascará-la. Ouvindo falar dela por Hodgson, Frederic Myers providenciou para que Leonora fosse passar uma temporada em Londres para ser acompanhada pela Sociedade de Pesquisas Psíquicas, o que aconteceu no final de 1889 e foi recebida por Oliver Lodge. Ali foi estudada em 38 sessões.

Além da psicofonia e psicografia, a Sra. Piper apresentava as faculdades de clarividência, psicometria, xenoglossia e precognição. Sobre a mecânica da comunicação entre espírito e médium, o guia George Pelham certa vez explicou: “No transe o corpo etéreo do médium sai do corpo físico, como no sonho, e deixa vazio seu cérebro, e então nós nos apossamos dele”. 

William James colecionou 69 relatos de sessões com a Sra. Piper e explicou, usando o mesmo raciocínio do filósofo Karl Popper, sobre a possibilidade de nem todos os corvos serem negros. Afinal, disse James, ele encontrara o seu corvo branco, a Sra. Piper.

Hodgson, por sua vez, pesquisou a médium durante 12 anos e teve contato com mais de 120 manifestantes diferentes. E Hyslop, da Universidade de Colúmbia, fez 205 perguntas aos espíritos através de Piper, obtendo 152 respostas exatas, 16 negativas e 37 não confirmadas. Falou com o pai, tio, primos, um irmão e dois irmãos. Confirmou as características de todos. Mesmo as erradas provaram a presença de entidades alheias ao psiquismo da médium, pois ele as sabia e, então, se fosse algo apenas anímico ela poderia captar dele telepaticamente.

A Sra. Piper esteve muito doente em 1890 e três anos depois foi submetida a uma cirurgia e novamente em 1896. Em 1904 faleceu seu marido e no ano seguinte o Dr Hodgson, fato que lhe produziu uma espécie de pressentimento com a presença do desencarnado em seu quarto. Mais tarde ele se incumbiria de comunicar-se diretamente com ela pela psicografia, inclusive atestando sua autenticidade pela assinatura com a caligrafia que tinha na vida física.

Em 1906 esteve pela segunda vez na Inglaterra onde se iniciaram as famosas correspondências cruzadas. A Sra. Piper foi uma das três médiuns psicógrafas escolhidas para participar, ela em Londres, e as outras duas em Cambridge. Cada mensagem continha fragmentos de um tema transmitidos em latim por um único espírito às três médiuns e que só produziam sentido quando reunidos. Duraram de 17/12/1906 a 02 de junho do ano seguinte.

Após o regresso da segunda viagem à Inglaterra, passou a atuar sozinha sem supervisão e sua mediunidade entrou em declínio. Em 1909 voltou à Inglaterra por uma terceira vez, mas em momento pouco propício, sendo que somente muitos meses depois ela conseguiu recuperar parte de seu talento mediúnico sob supervisão de Oliver Lodge. 

A queda na regularidade dos fenômenos, ainda antes desta viagem, deveu-se em parte ao seu estado de saúde agravado pelos sacrifícios impostos por outros pesquisadores que lhe causaram dor e inchaço na língua durante vários dias e escoriações na mão direita que paralisou seu braço parcialmente.

Embora enfraquecida fisicamente, a mediunidade da Sra. Piper com o decorrer do tempo começasse a oscilar cada vez mais, entre 1914 a 1924 ela manteve-se participando de reuniões a intervalos irregulares e o Dr. Gardner Murphy da Universidade da Colúmbia ainda conseguiu fazer experiências com ela até o ano seguinte. Em agosto de 1950 a sua inestimável contribuição às pesquisas das ciências psíquicas mereceu uma condensação na “Seleções Reader’s Digest”.

Referências

CARVALHO, Antonio Cesar Perri - Os sábios e a Sra. Piper, Matão-SP, O Clarim, 1986.

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