ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 125ª edição | 01 de 2018.

Muletas e alavancas

A repetição de ciclos e a submissão às convenções humanas criam trilhas de dependência nos cérebros dos seres racionais – ou nas almas? – transformados os condicionamentos em hábitos envolvidos nas manifestações de cultos, rituais e crendices. A maioria inofensivos, bonitos muitos deles ou divertidos, como, por exemplo, a troca de presentes no Natal ou o arroz nos noivos.

E lá vêm atitudes carregadas de símbolos como as cores (nas vestes), os números (as sete ondas) agregadas de supostas virtudes de sucesso afetivo e prosperidade material. Gasta-se, às vezes, o que não se possui, priorizando a superstição da lentilha, da romã, a obrigatoriedade do peru e do champanhe, não por verdadeiro agrado ao paladar, mas para mergulho da mente na ilusão do caminho menos trabalhoso da conquista da felicidade.

Até nomes respeitados da psicologia entram no embalo, ao considerar de grande utilidade os indivíduos se agarrarem a qualquer ideia ou sentimento que possa servir de impulso motivacional de fé e otimismo, especialmente quando o calendário arbitrado pelo papa Gregório XIII há 436 anos recomeça seu ciclo anual.

Mas se tais atitudes baseadas na crendice são inócuas – perguntam alguns -, haveria algum inconveniente em alimentá-las só para acompanhar a maioria em clima de festa e descontração? Decerto que não desde que lhes dermos o justo valor de momento passageiro incapaz de causar qualquer repercussão futura. Atribuir e condicionar a felicidade maior ou menor dos próximos 365 dias ao simples gesto de comer uma fruta e guardar três de suas sementes é demonstrar elevado grau de ignorância a que ainda estamos escravizados.

 

A Doutrina Espírita, na lucidez da fé raciocinada,ensina que devemos, tanto quanto nos permite o conhecimento da dinâmica dos processos envolvendo os valores espirituais, abandonar o uso dessas muletas psicológicas

 

Por isso, quando mal chegamos ao segundo mês do ano, talvez muitos destes já se sintam pouco confortáveis com as expectativas mal fundamentadas na virada do ano. Daquele entusiasmo efêmero e diante da dura realidade do dia a dia, promessas já ficaram esquecidas, desejos podem estar esvaziados pelas frustrações. A fé, por ter sido plantada “sobre as rochas”, sobreviveu pouco tempo e acabou aniquilada pela inclemência dos fatos que, embora sem vida própria, pois que, a médio e longo prazo, estão submetidos ao livre arbítrio individual, simplesmente dão cumprimento à sua própria dinâmica, trazendo os efeitos inevitáveis das causas pregressas.

Poucos os ‘privilegiados’ neste mundo de provas e expiações que conseguem passar incólumes um ano inteiro a todo tipo de adversidade, não sofram algum contratempo, não sejam visitados por uma enfermidade, ainda que breve, que  não experimente a tristeza de uma amizade que se perdeu, que não receba uma ingratidão, que tenha um desejo não realizado, um projeto frustrado.

Por isso, em se tratando da mente e do espírito, construtores do destino individual, não bastam as meras muletas que até podem fornecer a falsa impressão de que se prestam a apoios momentâneos, mas não servem a longas caminhadas. 

Necessitamos das alavancas da fé verdadeira para remover os obstáculos da áspera estrada que se nos apresenta, sem temores ou desfalecimentos, contudo, também sem se deixar iludir pela falsa promessa de que ela estará suave e florida somente porque assim vemos o quadro da parede de nossa casa.

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