ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 125ª edição | 01 de 2018.

Os riscos do elitismo

Elitismo em bom português quer dizer sistema que favorece as elites e o substantivo elite refere-se àquela minoria que exerce influência sobre pessoas ou grupos em detrimento de objetivos comuns.

De imediato, percebe-se que o sentimento cristão, coluna mestra da Doutrina Espírita, é de todo incompatível com qualquer tendência elitizante. Daí porque Chico Xavier, muito oportunamente, advertiu-nos sobre os riscos do elitismo no Movimento Espírita.

Somos todos herdeiros de vícios e preconceitos seculares que, por estarem estratificados na alma, transferem-se com facilidade para os atos da presente vida. Os impulsos do autoritarismo, da idolatria, dos ritos, do fanatismo, da paramentação, do elitismo, brotam naturalmente.

A presença do elitismo nas atividades doutrinárias vai se intensificando perigosamente, expondo-se à possibilidade de termos, em médio prazo, a dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, ricos, intelectuais, incultos, homens, mulheres, negros... só que isoladamente. Exagero? Basta-nos uma vista d’olhos na grandeza material e no excesso de conforto de certas instituições para guardamos a certeza de que os emigrantes das classes marginalizadas da sociedade foram esquecidos e nelas certamente não entrarão com medo da humilhação.

Em “Palavras do Infinito”, psicografia de Chico Xavier, Emmanuel orienta: “As massas trabalhadoras do Brasil reclamam leis que assegurem o conforto que lhes tem sido negado pelos elementos da política administrativa. Que o supérfluo das suntuosidades do Estado seja empregado com o necessário”. Isto nos faz meditar na obrigação de simplificarmos os templos espíritas porque se a espiritualidade condena “o supérfluo das suntuosidades” nas ações mundanas, o que dizer desse comportamento em nossas Casas que pretendem ser de amor e fraternidade, que se dispõem a acolher os “pequeninos”, os aflitos, os que têm sede e fome, tão lembrados por Jesus?

O quadro torna-se mais grave ainda quando sabemos que o dinheiro para essas construções faustosas vem de todas as camadas sociais, inclusive das mais carentes, que acreditam na seriedade de propósito dos dirigentes.

Estaríamos revivendo a prepotência das catedrais de outros tempos que os benfeitores recomendam sepultar para sempre? De contradição em contradição, vamos esmaecendo o brilho do Consolador, a última esperança da Humanidade.

Determinados tipos de eventos espíritas direcionados para médicos, jornalistas, juízes, engenheiros, psicólogos etc., intimidam a entrada daqueles que, possuidores de cultura geral, de interesse doutrinário, de bom nível de inteligência, não detêm formação superior. Julgamos que o ideal é que os congressos, simpósios, encontros, sejam estruturados em cima de temas abertos a todos, tais como: congresso sobre jornalismo, simpósio sobre medicina espírita, encontro para estudo da psiquiatria... e por aí vai. Assim não perdemos a noção da ética fraternal, quando nos dizemos cristãos. Caso contrário, pessoas como Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Yvone A. Pereira tanto quanto no passado Léon Denis, que era caixeiro-viajante, não poderiam participar desses conclaves, sob pena de se sentirem desambientados e constrangidos, por não terem a titulação conferida pelas universidades do mundo. Para não falarmos do próprio Cristo que não passou da condição de modesto carpinteiro.

Quando tratamos de temas e não de profissionais, pressupõe-se que todos estão convidados.

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