ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 127ª edição | 05 de 2018.

Portal da Morte

Morrer. Assunto inquietante por temor ao acontecimento, embora sabendo-se que, lembrando Paulo, a morte não tem vitória, mas ainda gerando dúvidas e discussões de como ela chega.

Sem adentrar no momento nas questões rebuscadas e analisadas por Joilson Mendes – Fatalidade, Destino ou Livre-Arbítrio? e Carlos Parchen – A hora da morte: determinística?, artigos publicados no Comunica Ação Espírita nº 126, de março/abril, e sem perder de vista o “Perguntas & Respostas” do nº 123 (set/out de 2017), oferecemos outro ângulo de reflexão para que não se continue nessa tortura de fatalidade (na concepção de destino que não se pode evitar) ou determinismo, todas as duas com hora e forma previamente marcadas.

Para sustentação dos ensinamentos coletados que apresentamos para ampliar tão importante reflexão, lembro inicialmente a entrevista concedida por Divaldo Pereira Franco ao setor de Comunicação Social de FEP, em 2017, com trecho publicado no jornal “Mundo Espírita” de fevereiro último, onde ele afirma que devemos ler os encarnados, ou seja, que fazem parte do nosso momento (citarei um que desencarnou recentemente), a que acrescento também, orientações espirituais desde a época da Codificação às atuais, trazendo-nos perfumes de esclarecimentos, enriquecendo a compreensão do viver.

Morrer – fatalidade ou determinismo? Iniciamos nossas reflexões buscando orientações no eminente e lúcido estudioso Camille Flammarion, em sua preciosa obra A Morte e o seu Mistério (2), onde afirma: Apesar de termos diante de nós a nossa sorte desconhecida, cada um de nós faz o seu destino: atuamos segundo as nossas faculdades, as nossas possibilidades, a nossa roda, a nossa hereditariedade, a nossa instrução, o nosso juízo, o nosso espírito, o nosso coração, e sabendo muito bem, aliás, que gozamos duma liberdade relativa e que podemos tomar resoluções. Somos os autores da nossa sorte.

Antes de tecer comentários sobre o pensamento de Flammarion, permitam destacar que, contínuo ao registro acima, o autor assenta sua argumentação no pensamento do seu contemporâneo, estudioso e pesquisador Ernesto Bozzano (sem citar a obra) que afirma: Nem livre-arbítrio nem determinismo absolutos durante a existência encarnada do espírito, mas liberdade condicionada.

Ora, entendendo o termo “sorte”, no pensamento de Flammarion, como o evento do momento da morte (desligamento do corpo material), também concebo que “desconhecida” não retrata que o momento revista-se da fatalidade (no entendimento de que não poderia ser evitada) ou determinista (as leis naturais assim determinaram). Que a “hora chegou” e “daquela forma”.

Avancemos refletindo nos ensinos de Flammarion, quando afirma “que cada um de nós faz o seu destino... e... que gozamos duma liberdade relativa a que podemos tomar resoluções. Somos autores da nossa sorte”.

As elucidações destacadas nos coloca como corresponsáveis da nossa caminhada existencial (processo reencarnatório), onde definimos na programação do voltar, vários eventos a enfrentar, inclusive a “forma” da morte. Mas, o AMOR DE DEUS para com seus filhos é tão infindo que suas leis se revestem de bondade (maleabilidade), permitindo que possamos alterar o curso da história, a partir da nossa própria história.

Se pensarmos o contrário, negaremos peremptoriamente o livre-arbítrio e teríamos que admitir que não há justiça nas leis divinas.

Ah, que momento harmonioso estaríamos vivendo se todos tivessem conhecimento do Cristianismo do Cristo e das elucidações oferecidas pelo Espiritismo!

Com o chamamento acima e não pretendendo alongar nessas preliminares reflexões cujo debate deve ser ampliado e divulgado no sentido de alertar os adeptos para mudança de comportamento no viver, não sairia satisfeito de todo o arrazoado se não citasse inicialmente Jorge Andréa que oferece luzes estelares ao nosso entendimento, afirmando em sua obra “Segredos do Espírito” – zona do inconsciente (3): Todos caminhamos para a morte do corpo físico. Após a construção orgânica iniciamos, lentamente, o desgaste físico, embora com reparações que se fazem cada vez mais retardadas à medida que envelhecemos, avançando para a morte física. Alguns seres prolongam a estadia carnal, outros aceleram, outros tanto percorrem, sem maiores alterações, a distância que lhes foi conferida.

Já em Joanna de Ângelis, destacamos do livro “Plenitude”: Todo fenômeno biológico que se inicia, naturalmente cessa. Tudo que nasce, no plano físico, interrompe-se, transforma-se, portanto morre. Não há prazo, nem determinismo absoluto de tempo, dependendo de inumeráveis razões para que o ciclo que começou se encerre...”.

E na obra “Vigilância”, ensina: O fenômeno biológico pode interromper-se subitamente, não te permitindo tempo para qualquer preparação.

De um fato temos que ter certeza. A “morte” a todos nos alcançará, mais cedo ou mais tarde, de forma serena ou sofrida, dependendo dos valores que cultivarmos no nosso existir.

(*) bacharel em filosofia, estudioso e expositor espírita.

Referências

(1)ÂNGELIS, Joanna de. Vigilância. [psicografado por] Divaldo Pereira Franco. 2ª. ed. Salvador, BA: LEAL, 2000.

(2)FLAMMARION, Camille. A Morte e o seu Mistério. 3ª. ed, Rio,RJ: FEB, 1982 (vol. I)

(3)SANTOS, Jorge Andréa dos. Segredos do Espírito – zona do inconsciente. 3ª. ed, Sobradinho, DF: Edicel, 2002.

(4)ÂNGELIS, Joanna de. Plenitude. [psicografado por] Divaldo Pereira Franco. 16 ed. Salvador, BA: LEAL, 2007.

(5)ÂNGELIS, Joanna de. Vigilância. [psicografado por] Divaldo Pereira Franco, 2ª. ed. Salvador, BA: LEAL, 2000.

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2018 / Desenvolvido por Leandro Corso