ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 131ª edição | 01 de 2019.

A cultura do sofrimento

O sofrimento é inerente e consequência à imperfeição e não à evolução. É equívoco apregoarmos que a dor é uma necessidade compulsória ao progresso espiritual, cadinho depurador. Sofremos porque somos ignorantes das leis que regem a vida e erramos mais do que acertamos.

Temos que admitir o componente das dificuldades da vida como chamamento para a correção de rotas em relação ao passado e presente (expiações) e desafios para as conquistas futuras (provações). Se tomássemos desde o início de nossa caminhada a direção correta seguiríamos até atingir a perfeição relativa sem sofrimento, a despeito dos sacrifícios exigidos para todo aquele que pretende atingir o cume da montanha ou o sonhado diploma universitário.

Para muita gente, a mentalidade de necessidade do sofrimento pode ter a ver com o fato histórico do suplício de Cristo para ‘salvar a humanidade’. E o Movimento Espírita tornou-se pródigo em disseminar a ideia de que somos “pobres devedores” dependentes em tudo de Jesus para elevar-se na hierarquia espiritual. Não mais o pecado original, mas “crimes inomináveis” praticados em vidas pretéritas que precisam ser pagos até o último ceitil pela dor, não importa o quanto tenhamos mudado nosso comportamento e estejamos determinados a aprender e semear o bem no presente e no futuro. 

Essa mentalidade causa duas distorções. Uma quando olhamos para nós mesmos e abalamos a autoestima prejudicando o otimismo e a fé necessários ao enfrentamento das dificuldades naturais das experiências terrenas. A outra quando olhamos os outros, especialmente aqueles que atravessam momentos mais dolorosos.

Pegue-se o exemplo proposto na seção Perguntas & Respostas da página 8. Qual a tendência que temos ao nos defrontarmos com uma pessoa com deficiência auditiva? Obviamente que pelo espírito cristão somos tocados piedosamente para aquela grave limitação física. Isso é quase instintivo ao ser humano independente de qualquer religião.

Mas nós, espíritas, será que conseguimos não associar a situação vivida por aquele indivíduo no presente com a sua história milenar que todos temos pelos processos da reencarnação? Até no momento de demonstrarmos solidariedade, esboçar um esclarecimento que console e justificar a justiça divina, não seremos tentados a recorrer à lei de causa e efeito, afirmando que algo de muito grave ele deve ter cometido na vivida passada para dar causa ao infortúnio do presente?

Não é falso afirmar que muitos problemas são decorrentes da infração às leis divinas em existências pretéritas. O erro está em atribuir qualquer dificuldade àquilo. O perigo está na generalização e sair espalhando por aí que existimos somente para sofrer em pagamento de dívidas quando deveríamos confiar que o palco terrestre possui muito mais o caráter de educandário do que de penitenciária. Estamos aqui para aprender e crescer pelas provações e missões do que se submeter às torturas expiatórias do cárcere.

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2019 / Desenvolvido por Leandro Corso