ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 132ª edição | 03 de 2019.

Lentes Especiais

Por Wilson Czerski

A boa mediunidade

O ano de 2018 foi marcado por dois episódios envolvendo denúncias contra famosos médiuns brasileiros por abusos sexuais. A mídia, naturalmente, ocupou-se muito deles e, embora não tenham feito pronunciamentos que atingissem a Doutrina Espírita em si, limitando-se ao nível de responsabilidade pessoal desses médiuns, a repercussão é sempre negativa.

Lamenta-se que fatos dessa natureza tenham que ser divulgados e o Movimento Espírita não pode se furtar a eles. Da parte da nossa instituição, não nos omitimos e tratamos do caso no programa de TV Diálogo Espírita que foi ao ar no dia 05 de janeiro. Na ocasião, dirigimo-nos mais diretamente aos espectadores não espíritas, pois que constituem a maioria do nosso público e por serem justamente eles os que mais necessitam de esclarecimentos seguros sobre fatos como estes.

Como este periódico é direcionado para um público diferente, quase exclusivo de adeptos, julgamos desnecessário elencar todas as explicações utilizadas para demonstrar que a neutralidade da faculdade mediúnica, prática não exclusiva da Doutrina Espírita e sobre os cuidados de estudo e conduta pessoal como requisitos para o seu exercício correto a serviço do Bem. 

Mas se algum dos leitores se sentir pressionado a se mover em defesa da mediunidade como princípio básico ou do Espiritismo como um todo por conta destes escândalos, além do programa de TV citado e disponível no YouTube, da nota da FEB e daquilo conhecido para exemplificarem com a tarefa missionária de Chico Xavier, Divaldo P. Franco e outros, oferecemos um subsídio a mais.

O caso é atual e levantado por reportagem do portal UOL, do dia 17 de dezembro do ano passado assinada por Marcelo Toledo. O médium em questão é João Berbel que atende na cidade de Franca-SP. Essa matéria também levamos ao ar no Diálogo Espírita do dia 1º de fevereiro último.

Quando o repórter esteve em Franca para acompanhar um dia normal de atividades da instituição em que o médium atua, ouviu dele e repetidas vezes, logo de início avisos pelo microfone que não se devia dar dinheiro, que ninguém estava autorizado a receber nenhum dinheiro ali. “Dai de graça o que de graça recebeste” - dizia João Berbel - deve ser o lema de todo espírita

A instituição em que João Berbel atua é o Instituto de Medicina do Além que recebe até 7.000 pessoas por mês para consultas e cirurgias espirituais. O médium de 67 anos, recebe o espírito do Dr. Ismael Alonso Y Alonso, ex-prefeito da cidade, desencarnado em 1964. “Um médium só é derrubado por dinheiro, sexo e vaidade”, diz ele em resposta sobre o ‘caso João de Deus’, usa a expressão de Jesus “necessidade dos escândalos” e alerta que só lobo cai em armadilha de lobo.

Berbel iniciou os atendimentos em 1996, num terreno de 8.000 metros quadrados, doado por uma família. Os atendimentos são por ordem de chegada. O médium encosta a mão no paciente e já indica aos auxiliares a medicação para usar por 30 dias. Depois eles vão para a fila da farmácia. São servidos de graça café da manhã e uma sopa e as consultas e cirurgias são realizadas às quartas-feiras e sábados.

Como fontes de renda, a instituição conta com as vendas dos 257 livros até então recebidos via psicofonia. Em média ele escreve um por mês. E há também as doações.

Os remédios fitoterápicos são entregues de graça, num volume de mais de uma tonelada a cada mês, produzidos num sítio da instituição também doado. Para complementar as receitas realizam bazares, rifas, almoços e há uma pequena cantina, tudo isso feito por 180 voluntários.

Há, ainda, um hospital com 104 leitos e que mesmo antes de ser inaugurado já fazia 800 atendimentos fitoterápicos por semana em parceria com uma universidade.   

A tragédia de Brumadinho

Mais de três centenas entre oficialmente mortos e desaparecidos. Esse é o saldo trágico em termos de vidas humanas do rompimento da barragem. Se as outras religiões se calam por não encontrar respostas satisfatórias, teria a Doutrina Espírita algo mais esclarecedor, lógico, racional, quem sabe consolador?

Começando pelo final, podemos dizer que, sim, a despeito de todas as dores físicas, morais e psicológicas, o nosso maior trunfo filosófico é poder dar garantias absolutas de que a vida continua.

Sabemos que a morte só atinge o corpo físico; a alma é imortal. Apenas as circunstâncias da desencarnação são diversas: uns desencarnam de causas naturais, outros, como os de Brumadinho, vítimas talvez da imprevidência humana; uns mais tarde, outros, na nossa tacanha avaliação, prematuramente.

Exemplos como o de um funcionário da empresa que trabalhava em outra cidade e estava naquele local apenas para uma reunião ou dos turistas surpreendidos na pousada indicam-nos a possibilidade de que, pelo menos para alguns deles, os fios sutis do destino tivessem sido tramados para que ali fossem reunidos a fim de atenderem a um compromisso especial de suas trajetórias espirituais. Os moradores da região também poderiam ser enquadrados no mesmo caso, embora com maior antecedência?

Quem sabe? Quem somos nós para especularmos? O fato é que, embora a visão que os Espíritos Instrutores tentam nos passar sobre certa desimportância do fenômeno da morte física, mera transição da alma para outra dimensão da vida, não podemos negar que ela, a morte, especialmente quando em condições especiais como essas, acabam impactando, e muito, tanto aqueles que partem como os que por aqui permanecem. 

Se reencarnar é importante, a escolha do lar em que viveremos, os pais biológicos, a profissão, a constituição familiar futura, tudo merece estar no planejamento reencarnatório, não há como subestimar a importância do momento e as circunstâncias da desencarnação.

Pessoalmente não somos partidários da ideia de uma lei absoluta, capaz de determinar com exatidão e detalhes, dia, hora e até o gênero de morte para todas as pessoas, porém não deixamos de apreciar possíveis razões para as suas diferenças.

Podem, algumas ou até mesmo todas essas vítimas, estar atendendo a algum processo de responsabilização por experiências malsucedidas em vidas passadas. Podem, de igual modo, ter solicitado e aceito provações com resultados enriquecedores do ponto de vista espiritual que estamos longe de poder avaliar.

Podem, simplesmente, um ou outro, ter concluído o prazo de permanência conveniente para esta reencarnação, partindo mais cedo do que o normal. E pode alguém, finalmente, ter sido surpreendido por algo que não constava necessariamente no seu quadro de experiências. É o que podemos deduzir da Q. 738 de OLE, obtendo, apesar disso, com esse tipo de morte – dizem os Espíritos Instrutores -, ampla compensação futura.

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