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Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 132ª edição | 03 de 2019.

Traços Biográficos

Arthur Conan Doyle, criador do detetive Scherlock Holmes, em sua obra “História do Espiritismo” narra as trajetórias mediúnicas de muitos personagens importantes, embora nem todos muito conhecidos aqui no Brasil.

Pouco se ouve falar, por exemplo, dos Irmãos Eddy. Eles, tais como vários outros, sofreram a incompreensão pela posse involuntária de suas faculdades. Levados a exercê-las por força dos fatos ou por terem assumido a consciência de que tinham em mãos uma ferramenta a ser colocada a serviço da demonstração das verdades espirituais, muitos deles foram perseguidos, acusados de fraude e até presos.

William e Horace sentiram o peso da ignorância desde quando ainda estavam no lugar de seus nascimentos, onde foram submetidos a verdadeiras torturas por parte do próprio pai.

Eles intermediavam os espíritos em diversos tipos de manifestações: batidas, movimento de objetos, pintura a óleo, profecia, xenoglossia, psicometria, curas, levitação, psicografia, clarividência, materializações.

Para a produção das materializações usavam uma cabine e os assistentes ficavam em frente à única entrada. Douglas Daniel Home, outro extraordinário médium de efeitos físicos, contemplado aqui nesta seção na edição de março-abril do ano passado nunca utilizou a cabine. 

Conan Doyle teoriza que a condensação do ectoplasma seria mais fácil dentro de um espaço mais delimitado. Porém, admite ter assistido a uma sessão com cerca de 20 materializações de formas e idades diversas, com outro médium, fora da cabine. Só os espíritos saíam dela. Nesse caso os ‘vapores ectoplasmáticos’ eram levados para dentro independentemente da posição do médium.

Voltando aos Irmãos Eddy, o coronel Olcott que fora designado para verificar os fenômenos, viu durante 10 semanas, mais de 400 aparições saindo da cabine, de todas as formas, tamanhos, sexo e raças: crianças de colo, guerreiros índios, cavalheiros em trajes a rigor, um curdo com uma lança de três metros, índia pele-vermelha fumando, senhoras com vestidos elegantes. Destes também havia xenoglotas.

Comparando as manifestações de Home e dos dois irmãos, Conan Doyle afirma que o primeiro, segundo William Crookes, era inválido e sensível, ficava desfalecido no chão, pálido e sem fala após as sessões, mas Willam Eddy não tinha nada, comia pouco e fumava muito. Este detalhe impressiona, pois apesar do vício, era capaz de produzir ectoplasma em quantidade e qualidade compatíveis com a realização do fenômeno.

Madame Blavatsky foi conhecer os fenômenos dos Eddy, ainda antes de fundar a Teosofia e fez amizade com o coronel Olcott. Apareceram para ela espíritos russos e conversaram na língua. Doyle aproveita para explicar que, à época, Blavatsky era espírita convicta e que dois anos mais tarde fundaria a Teosofia, e que ela teve fenômenos autênticos, mas com ‘cascões astrais’, sem vida própria.

Outra entidade que se manifestava frequentemente era o índio Santum, taciturno, 1,90 metro (o médium media 1,75) e a índia Honto, leviana, dançarina, 1,60 metro, cabeleira negra, que expôs o seio uma vez para auscultarem-lhe o coração. 

Interessante também notar que os próprios espíritos afirmavam que tinham que aprender a se materializar; por isso algumas vezes, para alguns deles como Kate Fox e os Davenport, ou quando nas primeiras sessões, só conseguiam as mãos.

As materializações ocorriam com William. Já com o irmão Horace, tocavam-se instrumentos musicais à distância. O médium ficava de mão dada com um assistente e na claridade e do outro lado da cortina tocava. Apenas viam-se mãos materializadas na borda da cortina. Para muitos era só ectoplasma do próprio médium que se estendia até lá para tocar (teoria de Richet); para outros era outro espírito. 

Mas há relatos sobre instrumentos musicais tocando freneticamente enquanto vários índios dançavam sapateando. O autor de “História do Espiritismo” não explica se as materializações dos espíritos eram através de William e a dos instrumentos musicais eram de Horace.

Em plena luz do dia, Olcott mediu a força de tração do espírito de um marinheiro – 18 quilos na esquerda e 23,6 na direita. Ele também mediu e pesou as entidades. Honto foi pesada quatro vezes na mesma noite: 39,9; 26,3; 26,3 e 29,5 quilos. Mas não era tudo transferência do médium que pesava cerca de 80 quilos. Nas experiências de Crawford, o maior peso foi verificado por Miss Goligher em 23,7 quilos, mas as cadeiras-balanças mostraram que todos os presentes contribuíam.

O que poucos sabem é que Arthur Conan Doyle não se limitou a escrever sobre os fenômenos mediúnicos, principalmente os de efeitos físicos, mas foi também um persistente observador e experimentador dos mesmos. Não admira ter afirmado que certa vez tocou o ectoplasma.

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