ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 133ª edição | 05 de 2019.

Entrevista – Irvenia Prado

Irvenia Prado acaba de completar 80 anos, pois nasceu em 14/02/39, em Itobi-SP. É casada, tem quatro filhas e dez netos.

Médica Veterinária formada pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo, onde galgou como docente e pesquisadora, todos os degraus da carreira acadêmica, tendo aí recebido o título de Profa. Titular e de Profa. Emérita.

Membro da Academia Paulista de Medicina Veterinária. Assessora Técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal. Integrante da AME – Associação Médico-Espírita de São Paulo, do Brasil e Internacional, atuando na divulgação do paradigma “Ciência e Espiritualidade” como palestrante e escritora.

Docente do Curso de Pós-Graduação em Saúde e Espiritualidade nas Faculdades Monteiro Lobato, em Porto Alegre, RS. Idealizadora e coordenadora do MEDVESP – Movimento Cultural de Medicina Veterinária e Espiritualidade, com sede na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. Coordenadora do NUVET - Núcleo de Medicina Veterinária e Espiritualidade da AME-SP (Associação Médico-Espírita de São Paulo) e também do NUVET – Brasil, junto a AME – Brasil. 

É autora dos seguintes livros: “A Questão Espiritual dos Animais”, “A Alma dos Animais”, “Neuroanatomia Funcional em Medicina Veterinária – com correlaçõesclínicas” e “O Cérebro Triúno a serviço do Espírito” (co-autoria com o Décio Iandoli Jr. e Sérgio Lopes).

Participante da equipe de apresentadoras do programa “Nossos Irmãos Animais”, na Rádio Boa Nova, aos sábados, às 15:00 horas e com a Profa. Heloísa Pires, do programa “O Espiritismo em conversa”, na TV Web Luz.

 

CAE - Os animais possuem uma alma ou somente um princípio espiritual? Qual a diferença?

IRVENIA – Os animais possuem (são) um princípio inteligente que sobrevive à morte do corpo físico (“O Livro dos Espíritos”, Q.597). Quanto ao termo alma, na Q.134, lemos - O que é a alma? R - Um Espírito encarnado. As questões 134a e 134b sinalizam que as almas e os espíritos são uma e a mesma coisa.  A “licença poética” para uso indiscriminado da palavra alma encontra em OLE, Q.143 – Por que todos os Espíritos não definem a alma da mesma maneira? R - Os Espíritos não são igualmente esclarecidos sobre essas questões.

 

CAE - Em que momento se dá a transformação do princípio espiritual em espírito propriamente dito? Do ponto de vista material, haveria alguma espécie de animal em especial que serviria a essa transição?

IRVENIA – Essa transformação não se dá em um determinado momento, pelo contrário, ela se faz mediante um processo. No capítulo XI de “A Gênese” de Kardec, lemos:

Corpos de macacos podem muito bem ter servido de vestimentas aos primeiros espíritos humanos, necessariamente pouco adiantados, que tenham vindo encarnar na Terra... (ítem 15). Os corpos aperfeiçoados, ao se procriarem... deram origem a uma nova espécie que,  pouco a pouco se afastou do tipo primitivo, à medida que o espírito progredia. Como não há transições bruscas na natureza, é provável que os primeiros homens que apareceram sobre a Terra pouco diferissem do macaco em sua forma exterior  e, sem dúvida, também quanto à sua inteligência... (ítem 16).

Essas informações têm hoje plena confirmação na Antropologia. Como exemplo, recomendo o trabalho do antropólogo brasileiro Professor Walter Neves (curso online A Saga Humana, 2017). Esses estudos esclarecem que as diferentes espécies do gênero humano evoluíram a partir do Australopithecus afarensis, espécie de macaco que viveu na África há 3,2 milhões de anos. Daí até uma espécie totalmente “humana” (Homo eretus), existem espécies limítrofes (Homo habilis e outras) que têm algumas características ainda de macaco e outras já humanas. Esse é o processo ao qual eu me referi e que nos leva a uma profunda reflexão, do que resulta a conclusão que não existe, evolutivamente, uma linha definida entre primatas não–humanos e primatas humanos. 

CAE - Se a evolução do princípio espiritual, em seu percurso da condição de animal irracional até o estágio humano, é gradual, qual é momento que os Espíritos nos definem como “criados simples e ignorantes”?

IRVENIA – Peço que não se use mais a expressão “animal irracional”, pois a literatura espírita e a acadêmica hoje são concordantes quanto ao fato de que os animais são seres sencientes  (sensíveis, inteligentes...), cada espécie com o seu nível próprio de manifestação cognitiva. Quanto à questão formulada, o OLE, Q.115 refere que Deus criou os Espíritos simples e ignorantes. Ora, os Espíritos não foram “criados” ao se tornarem humanos, eles foram “criados” como princípios inteligentes que passo a passo evoluíram em sucessivas encarnações, do átomo ao arcanjo, como refere em linguagem simbólica, OLE, Q.540. Portanto, no meu entender, ao serem “criados”, os princípios inteligentes o foram na condição de simples e ignorantes. Aliás, em OLE, Q.23 temos a pergunta – O que é o espírito? R – O princípio inteligente do universo. 

CAE - Ao que já sabemos pelas obras da Codificação, quando os animais morrem, o princípio espiritual que os animou sobrevive. Eles permanecem onde e por quanto tempo?

IRVENIA – Esta é uma “questão” (matéria em discussão), pois apesar de ser verdadeira a informação de que o Espírito do animal é classificado após a morte, pelos Espíritos incumbidos disso e utilizado quase imediatamente... (OLE, Q.600), a literatura espírita está repleta de casos de animais na erraticidade (cães que puxam espécies de trenós e outros que descem como auxiliares, a regiões umbralinas). Onde eles permanecem e por quanto tempo, não temos informações nas obras da codificação.

CAE - E depois, eles reencarnam normalmente como os seres humanos e sempre na mesma espécie, por exemplo, um cavalo volta novamente como cavalo?

IRVENIA – Jamais encontrei nas obras da Codificação ou mesmo em outras subsidiárias como as de André Luiz e Emmanuel, qualquer informação a respeito.

CAE - O que a senhora pensa a respeito de se ministrar o passe espírita em animais e mesmo promover atendimentos em instituições espíritas em atividade de cura deles?

IRVENIA – Esse assunto consta do capítulo 14 do meu livro “A Questão Espiritual dos Animais”, 12ª. edição. Faço análise e respectivo comentário sobre o texto de Erasto, no Livro dos Médiuns, capítulo XXII, item 236, concluindo que o Sr. T. não aplicou passe no cão, mas o magnetizou, o que são coisas bem diferentes. O assunto é longo e peço, portanto, que leiam o capítulo que elaborei. Aí cito ainda a recomendação de André Luiz, em “Conduta Espírita”, capítulo 33 – “No socorro aos animais doentes, usar os recursos terapêuticos possíveis, sem desprezar mesmo aqueles de natureza mediúnica que aplique a seu próprio favor. A luz de bem deve fulgir em todos os planos”. Assim, minha opinião é favorável à assistência espiritual a animais, que inclui a prece, a água fluidificada e mesmo os passes, que devem ser aplicados em casas espíritas que tenham se preparado adequadamente para esse tipo de atendimento. 

CAE - Soubemos que uma instituição possui até mesmo um serviço de cartas que seriam psicografadas por entidades exclusivamente para dar notícias sobre animais de estimação desencarnados às famílias. Como a senhora vê isso: com naturalidade, um exagero ou uma impossibilidade?

IRVENIA – Tenho observado que as pessoas estabelecem um vínculo muito intenso com seus “pets”, chegando a querer desencarnar também, quando eles partem. Surge então esse modelo de atendimento que alimenta o comportamento já em desequilíbrio. Esse é que deveria ser o foco no atendimento dessas pessoas, esclarecendo a elas que não há necessidade de terem repetidas notícias deles. É preciso confiar que no plano espiritual eles são recebidos e direcionados com atenção e carinho. Confiar que a morte não mata o amor, portanto, o que se deve fazer é lembrar deles com alegria, agradecendo os bons momentos que viveram juntos. Conheço casas espíritas que prestam adequada assistência espiritual a animais e seus tutores, mas infelizmente também tenho tido notícias de outras que precisam rever seus procedimentos.

CAE - Nota-se atualmente uma preocupação muito grande com os direitos dos animais. Abandono e maus-tratos são considerados crimes. Famílias cuidam deles como se fossem realmente membros dela. Às vezes, gastam-se com eles grandes somas de dinheiro para proporcionar alimentação, saúde, festas de aniversário, hotel, etc. Não seriam extravagâncias desnecessárias, especialmente com tantas carências sociais, inclusive de crianças?

IRVENIA – Combater toda forma de maus tratos e crueldade para com os animais, é um dever de cidadania (Constituição Federal, art. 225, inciso VII e Lei Federal 9.605/98, art. 32). Isso é uma coisa, e “humanizar” os pets é outra. Com a equivocada justificativa de que “é por amor”, pessoas completamente alienadas do contexto social realizam festas milionárias de “casamentos” dos cãezinhos, etc. Isso de fato é um absurdo. Trato do assunto no capítulo 7 do meu livro já citado.

CAE - O que a senhora pensa sobre a eutanásia de animais? É uma prática aceitável em determinadas circunstâncias?

IRVENIA – Esse é o tema do capítulo 8 do meu livro já citado. Focalizo as normas expedidas, a respeito, pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária e, na visão espírita, considero os casos banais (vai viajar, o animal está com a urina solta...), em que a eutanásia é totalmente contraindicada, e os casos por vezes dramáticos. Lembro página de Emmanuel, psicografada por Chico Xavier, em que diz: O quanto te for possível, permanece no lar difícil... o quanto estiver ao teu alcance, suporta o amigo intransigente... Então, no caso de animais com sérios problemas, digo - o quanto lhe for possível, o quanto estiver ao seu alcance, faça opção pela vida!

CAE - Só de formigas estima-se existam 10 quatrilhões de indivíduos na Terra - é o número 10 seguido de 15 zeros -, mas poderia chegar à casa de um septilhão ou mais nove zeros ao número anterior que passaria a 24! A pergunta é: cada um desses indivíduos, um dia, daqui a milhares ou milhões de anos, irá se transformar em ser humano?

IRVENIA – Essa é outra questão, pois não temos um conceito preciso a respeito. Levar em conta o número de seres vivos é um critério complicador - que tal lembrar também dos cupins, que constituem a maior biomassa do planeta? E os trilhões de células de cada corpo de mamífero? Em “Evolução em dois Mundos”, capítulo V, André Luiz informa:

Com o transcurso do evos, surpreendemos as células como princípios inteligentes de feição rudimentar, a serviço do princípio inteligente em estágio mais nobre nos animais superiores e criaturas humanas, renovando-se continuamente, no corpo físico e no corpo espiritual... 

Em minha leitura, parece-me sugestivo que a cada célula corresponde um princípio inteligente. Um dia, essas células irão resultar em seres mais evoluídos que deverão ocupar não apenas a nossa pequena morada, a Terra, mas os incontáveis planetas que integram os milhões de galáxias do universo conhecido. Como sempre dizem os espíritos, há mistérios ainda insondáveis para o nosso entendimento.

CAE - Na questão 607 de O Livro dos Espíritos consta que é nos seres inferiores da criação que o princípio inteligente se individualiza. A filosofia oriental e também alguns autores espíritas, como Jorge Andréa e Ricardo Di Bernardi, são partidários da ideia das almas-grupo. No caso da questão anterior, poderíamos pensar na hipótese de que tal magnitude de números de formigas e outros insetos existentes só aqui na Terra possa se conciliar com um estágio de existência coletiva para promover os primeiros esforços de individualização?

IRVENIA – Não estamos no contexto da Filosofia oriental ou do Espiritualismo clássico, mas sim no da Doutrina Espírita, em cujas obras básicas jamais encontrei a expressão alma-grupo, conceito que parece ter sido importado do Esoterismo. Admitida a hipótese de uma alma-grupo para cem formigas, futuramente cada uma delas não teria seu próprio princípio inteligente? Então o número final seria o mesmo! A alma-grupo se dividiria em cem partes? Em OLE, Q.137 lemos - O Espírito é indivisível, e em sendo o espírito, o princípio inteligente do universo (Q.23), fico com a noção de que uma vez criado, esse princípio é único.

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2019 / Desenvolvido por Leandro Corso