ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 71ª edição | 01 de 2009.

Expositor Espírita (Final)

Por Wilson Czerski

CUIDADOS ANTECEDENTES À EXPOSIÇÃO

Quando convidado, procurar primeiramente responder às seguintes perguntas: o quê, para quê, como, quem, quando, onde? Assim, as respostas devem começar informando o tema. Determinado ou livre? Segue-se a finalidade. Será uma exposição rotineira, posse de diretoria, comemorativa, abertura de um curso ou ciclo de estudos? Para o “como”, qual o melhor método de desenvolvê-la? Opções: exposição, com participação do público, dinâmica de grupo, estudo dirigido. O tipo de público esclarece o “quem”. Numeroso ou nem tanto? Heterogêneo ou mais nivelado? Iniciantes, veteranos ou maioria não-espírita? Se o tema for livre, isto é, de escolha do expositor, esse item pode ser determinante para a sua definição. E no quando? Dia, horário, tempo disponível. A última questão, além do simples endereço, inclui os meios (trajeto, linha do coletivo) para se chegar ao local, disponibilidade de lousa, retroprojetor, etc.

PREPARAÇÃO DA EXPOSIÇÃO

O primeiro passo é obter as respostas para as perguntas acima. Mesmo definido pelo convidante ou pelo próprio expositor (se for livre) o tema precisará ser adequado à ocasião, público, etc. Será a profundidade da abordagem que imprimiremos à exposição. Atingir todos os níveis de interesse, isso significando não nivelar por baixo mas falar de maneira simples, tornando-se compreensível por todos. Aqui também são válidas aquelas perguntas. Por exemplo: por quê? Para informar, sensibilizar, incentivar, instruir? Quem? Pessoas encarnadas ou desencarnadas que estudaram, falaram do assunto ou servem para exemplificação. Quando? Época, circunstâncias, dados históricos. E assim por diante. Deve ser objetiva, dinâmica e útil. Não falar sobre o que não conhece e jamais faltar ao compromisso assumido sem prévia justificativa.

O planejamento incluirá tema, título, data e local da palestra, fonte básica e subsidiárias de aceitação geral, as fases de saudação, argumentos, casos ilustrativos e finalização já descritas, dividindo-se o tempo entre elas, bem como se a faremos descritiva, esquemática ou organizada somente a nível mental. A descritiva requer maior trabalho e tempo para sua preparação e tem como vantagem desenvolver os dotes literários. Mesmo assim não deve ser decorada nem lida. Na esquemática, há o desenvolvimento do raciocínio verbal e torna-se mais dinâmica. Não dispensemos as anotações se não tivermos segurança, principalmente quanto a nomes, locais e datas. Atenção quanto a indicações bibliográficas (fontes inseguras e autores desconhecidos ou polêmicos). Pode ser útil no início levarmos um acompanhante para nos dar apoio mas também exercer a livre crítica.

Esse resumo esquemático, após a realização da palestra, poderá ser completado com uma ligeira autoavaliação: falhas ocorridas e reações do público, por exemplo. Esse procedimento contribuirá para que se faça as correções, ajustes, necessidade de novas informações, objetivando a repetição do tema no futuro.

Ainda faz parte do planejamento a decisão sobre usar ou não determinados recursos auxiliares como o retroprojetor. Após a esquematização, é recomendável fazermos simulações da palestra para fixação dos pontos essenciais. Podemos gravá-la e repassarmos a sós ou com familiares para detectar falhas.

CUIDADOS DURANTE A EXPOSIÇÃO

Iniciamos pela apresentação pessoal. Barba feita, cabelos penteados, roupas e calçados adequados. Para as mulheres, abster-se do uso de roupas curtas ou decotadas, excesso de jóias, maquiagem pesada, perfume fortes, etc. Não chamar a atenção nem pelo requinte exagerado nem pela esportividade irreverente.

Procurar chegar ao local no mínimo vinte minutos antes do horário de início não só para se familiarizar com o ambiente mas para dispor de alguns momentos para relaxamento e meditação. Se puder contar com um local isolado, usar para um rápido aquecimento: caretas, voz, língua, movimentos de ombros e cabeça. A saudação inicial é essencial. Nela pode-se mencionar o auxílio superior, o mesmo ocorrendo no final com o agradecimento. De si, em qualquer instante, falar sem falsa modéstia mas dispensando autoelogios ou demonstrações de conquistas.

Observar os anteparos acústicos e preocupar-se com a posição de modo a ter em seu campo visual a maioria do público. O olhar não deve se manter fixo numa só pessoa, ponto ou objeto, mas pairar ligeiramente no centro e acima do auditório, alternando com fixações no centro dos rostos, um a um. Procurar também enquadrar aqueles “perdidos” nos cantos ou ocultos pelos outros. Não ficar de costas é básico, mesmo ao escrever na lousa. Se for absolutamente necessário, fazê-lo pelo menos tempo possível.

Estar preparado para imprevistos como interrupções por manifestações anímico-mediúnicas, interferência de enfermos mentais, crianças, pessoas alcoolizadas ou apartes de praticantes de outras religiões, falta de energia elétrica.

MOVIMENTAÇÃO: Buscar um meio-termo entre o “múmia” e o “voador”. O primeiro por cansar a posição dos interlocutores. Alguns passos, quando o ambiente permite e não se estiver utilizando microfone fixo, ajudam a quebrar a monotonia. Porém, se o fizer o tempo todo, de um lado para o outro, mais parecerá uma partida de tênis e ninguém conseguirá acompanhá-lo. No uso do microfone, se for do tipo com pedal, postar-se ao lado entre dez e vinte centímetros, sem segurá-lo ou apoiar-se na haste. Caso se movimente, manter a distância. Quando do tipo que segura na mão, não se abaixar e mantê-lo a cinco/dez centímetros, trocando de mão o menos possível e não gesticular com ele. Se for o de lapela, cuidar para não enroscar-se no fio ao movimentar-se.

CORPO: As expressões faciais, juntamente com a gesticulação das mãos são importantes componentes da comunicação oral desde que sem exageros. Eliminar terminantemente qualquer tipo de cacoete (piscadelas, fungar, torcer botões das roupas, coçar o nariz, tossidelas, passar a língua pelos lábios, alisar os cabelos e outros). No púlpito, não colocar os cotovelos ou debruçar-se sobre ele mas segurar momentaneamente nas laterais.

MÃOS: Colocar nos bolsos, falha imperdoável. Evidencia displicência e falta de autoconsciência. Sobre a barriga lembra um sermão. Cruzadas nas costas, evoca o pai crítico ou supervisão. Braços cruzados caracteriza atitude de defesa. Sobre a mesa ou espaldar da cadeira trai insegurança. Agarrar bordas de móveis ou dar-lhes pancadas obviamente nem pensar. É aceitável, contudo, fixar levemente os dedos na mesa. Devem ficar longe do rosto, sem malabarismos com giz, chaves, vareta, folhas de anotações. Se uma estiver ocupada, gesticular com a outra. Não empurrar nem espetar o ouvinte acusatoriamente, mas usar todos os dedos curvados. As mãos podem permanecer livremente ao longo do corpo ou na lapela. A gestual deve ser utilizada para tornar mais viva a mensagem e não para dramatizar.

Ao falar, atentar para a sensibilidade quanto às necessidades das pessoas. Para expositores de vocação maior para assuntos científicos ou filosóficos, equilibrar com conceitos, ilustrações ou máximas evangélicas; para os de tendência mais mística, enriquecer e confrontar com dados concretos, exatos. Ou seja: balancear os temas sem pieguismo mas também sem frieza.

VOZ: O expositor deve bem usar o recurso da modulação da voz, evitando o discurso monótono, sempre no mesmo timbre e até volume. Conforme o momento é preciso aumentar para enfatizar um ponto, diminuir e mesmo silenciar quando há rumores paralelos no ambiente. Dosá-lo também conforme o tamanho do recinto. Não falar de olhos fechados e a consulta ao relógio, se não houver um à parede, deve ser rápida e discreta.

Referências

Curso Prático de Oratória - ADE-CE.

Curso de Orientação ao Expositor Espírita - UREs Metropolitanas de Curitiba.

“Orientação ao Expositor Espírita”- Federação Espírita do Paraná, 1985.

Encontro de Estudos sobre Expositor da Doutrina Espírita - ADE-MT.

A eficiência na Comunicação Espírita – Wilson Czerski, DPL – 2001

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2018 / Desenvolvido por Leandro Corso