ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

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Jornal Comunica Ação Espírita | 134ª edição | 07 de 2019.

A aristocracia do futuro

Em Obras Póstumas, Allan Kardec escreve sobre as aristocracias do passado e a do futuro, acenando com dias melhores para uma humanidade em pleno processo de regeneração.

Primeiro traz o significado, proveniente do grego:aristos, o melhor, e Kratus, poder; portanto, ‘poder dos melhores’. Depois cita diversas delas que vigoraram ao longo do tempo. Aparece de início o patriarcado. Com o crescimento populacional e maior interação entre os grupos, o poder passa aos mais fortes revestidos da autoridade militar.

Por direito de herança, o poder passou a ser transmitido aos filhos destes e os indivíduos foram divididos em duas classes, a dos superiores e a dos inferiores. Uma cheia de privilégios, a outra submissa. A legalidade disso veio por leis humanas e depois pela apropriação de um falso direito divino.

Para impedir a ascensão libertária dos oprimidos buscou-se mantê-los na ignorância, mas chegou o tempo em que a vontade da maioria se impôs e a aristocracia de nascimento tornou-se figurativa, sem efeito prático. O poder, então, migrou para os que possuíam a riqueza e os privilégios continuaram a existir.

Porém, a conquista e mesmo a manutenção da riqueza exige inteligência e a intelectual foi a aristocracia que se seguiu àquela. E o Codificador chega, finalmente, à necessidade da união da inteligência com a moral que, segundo ele, deve ser a última, “sinal do advento do reino do bem sobre a Terra”. 

Para que ela se implante, os indivíduos desta categoria terão que se tornar bem numerosos, formando uma maioria, animada de sentimentos de justiça e caridade.

Apesar do atual aparente predomínio do mal, o instinto natural – explica Kardec – fará o homem seguir na busca de seu bem-estar. E ele arrisca uma estatística: à sua época de cada 100 indivíduos, 25 seriam bons e 75 maus, mas 50 destes seriam vítimas da fraqueza, não da maldade de fato; potencialmente bons, portanto, se tivessem bons exemplos e, principalmente, boa orientação desde a infância. E dos restantes 25, alguns mais poderiam ser influenciados pelo bem.

E Kardec avança para dizer que o Espiritismo, como “agente por excelência da solidariedade humana” em muito poderia contribuir com o surgimento dessa aristocracia intelecto-moral.

Um ponto ressalta dessas observações kardequianas. A necessidade de que os princípios espíritas precisariam ser suficientemente disseminados para as massas a fim de catalisar os indivíduos potencialmente capazes de compor esta nova aristocracia.

Para tanto cai por terra a tese defendida por muitos de que o que importa ao Movimento Espírita é a qualidade e não a quantidade. A qualidade intelecto-moral é importante, mas sem quantidade, jamais haverá maioria. Óbvio compreender-se – e isso Kardec acima o afirma – o Espiritismo é apenas um dos agentes e não o único, capaz de contribuir para o empreendimento de transformação social.

E para sofrear possíveis laivos de presunção, bom se diga que o papel exercido pelas lideranças intelectuais passa menos pela posse propriamente do conhecimento e mais pelo reconhecimento das sombras de ignorância ainda remanescentes, pelo desejo de eliminá-las e pelo do uso que se faz daquilo que já se sabe.

O mesmo vale para as virtudes morais que, além de autênticas e não somente de fachada, necessariamente têm que se substanciar em ações, rompendo a inércia da teoria para transformar-se na força cinética dos atos práticos.

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