ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 134ª edição | 07 de 2019.

Palavras dos Espíritos e dos espíritas (*)

Informações diversas sobre a Bíbliaque podem interessar aos espíritas

Pedimos aos nossos leitores a complacência para o fato de os apontamentos abaixo pouco obedecerem a uma ordem lógica, até porque isso seria, não só desnecessário como difícil de se obter, tratando-se de informações esparsas e não necessariamente relacionadas entre si.

Que tal começarmos por esta, útil se estivermos debatendo com pessoas de outras religiões que defendem a literalidade dos textos contidos na Bíblia, especialmente o Velho Testamento? Alguém classificou como “absurdos” estas passagens do Deuteronômio, a conferir: 12:17 - 13:1 - 13:6 - 21:1 - 21:18 - 22:21 feminismo - 22:5 (calças) e 25:11.

A propósito disso, os advogados alemães Christian Sailer e Joachim Hetzel fizeram um pedido à ministra da Família incluir a Bíblia como perigosa às crianças devido às passagens de crueldade, genocídios, racismo, execuções de adúlteros e homossexuais. Lembre-se que a lei de Moisés possui duas partes – a divina recebida no Sinai e a civil; Jesus não seguia ao pé da letra a Bíblia, pois não aceitava o apedrejamento da mulher adúltera nem guardava o sábado[1].

Agora a reencarnação. Ana, mãe do profeta Samuel, proclamou a reencarnação, ao usar a palavra shool, traduzida como sepultura (“faz descer ao shool e tornar a subir dela”) que possui o mesmo significado de Hades dos hebreus. Estes acreditavam que os “rifaim” (espíritos) voltavam dele. Isaias narra a entrada no shool do rei da Babilônia e um espírito (rifaim) mofando dele[2].

O rabino Arieh Kaplan afirmou que “não é possível entender a Kabaláh sem crer na eternidade e sem reencarnações” (Transmigração das almas). Todos os judeus, inclusive a corrente ortodoxa hassídica (a dos chapéus pretos, tranças – peot – e longos casacos negros) comungam a ideia da reencarnação. O Hassidismo é uma forma de judaísmo fundada na Polônia em meados século XVIII pelo rabino Israel Baal Shem Tov. Ele extraiu elementos da Kabaláh e espalhou pela Europa Oriental. A crença foi usada para explicar que os justos sofrem porque pecaram na vida anterior; o renascimento era a vinha que deve ser replantada para produzir bons frutos e o marido voltaria à vida como filho de sua mulher e o aperfeiçoamento seria gradual no indivíduo[3].

O sábio beneditino Dom Calmet admitiu que “muitos doutores judeus criam que as almas de Adão, Abraão, etc haviam animado vários homens. Assim também, Orígenes, de todos os padres, foi o mais positivo sobre reencarnação. Para ele, os sofrimentos eram curativos da alma[4].

Agora um pouco sobre mediunidade. Primeiro, um fenômeno anímico notado por Kardec: a jumenta de Balaão viu o anjo antes que ele[5].  Já o profeta Joel, em 750 a.C., conforme o cap. 3, 1 a 5 “... derramarei o meu espírito sobre toda a carne e os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos...”. O rei Acab de Israel e Josafá de Judá não tomavam nenhuma decisão sem antes consultar os espíritos[6].

Herculano Pires explica que nos primeiros templos (culto pneumático) manifestavam-se espíritos furiosos, defensores de suas crenças antigas que injuriavam Jesus. Na 1ª Epístola aos Coríntios, Paulo dá instruções para a realização desse tipo de culto. 

Na antiguidade judaica a música era usada para facilitar a profecia e o tratamento da obsessão. Os médiuns israelenses eram chamados de adivinhos, profetas, videntes, “homens de Deus”. Nos Atos dos Apóstolos, 2:1-13, narra-se uma sessão mediúnica de dia e em público e também em 13, 1-4. Na 1ª Epístola aos Coríntios, 12: 1-11, Paulo alerta sobre os tipos de mediunidades e do fim útil a que se destinam e em 14: 26-40 oferece um modelo. Enquanto Isaías, 8:19-20 recomendava – “... consultai os que têm Espíritos familiares e os adivinhos”, João, na 1ª Epístola, 4:1 alertou  – “... provai antes se são de Deus “[7].

A Bíblia está repleta de deslocamentos de objetos, levitação, escrita automática, transporte, efeitos luminosos, transfiguração, audiência, aparições, curas, clarividência e mediunidade do copo de água. Tertuliano, São Basílio e São Círio falam do corpo fluídico[8]. 

O mito de Adão e Eva foi copiado da tradição da Mesopotâmia, anterior ao povo judeu. Quanto à travessia do Mar Vermelho,falta lógica porque seria concluída na Arábia e não no Sinai

Kardec lista na “Revista Espírita”[9] algumas manifestações. Querubins guardando a entrada do Éden; anjos em visita a Abraão discutindo a salvação de Sodoma; anjos insultados na cidade imunda arrancando Loth do incêndio; os anjos de Issac, Jacob, Moisés e Tobias; uma mão invisível que escreve sentença de Baltazar; o anjo Gabriel anunciando João Batista e Jesus; o anjo que fere Heliodoro.

Um pouco de história. O mito de Adão e Eva foi copiado da tradição da Mesopotâmia, anterior ao povo judeu. Quanto à travessia do Mar Vermelho, falta lógica porque seria concluída na Arábia e não no Sinai. Ele tem 130 quilômetros de largura e levaria mais de uma semana para isso. Já Maria de Magdala acompanhava Jesus por gratidão, curada da perseguição de sete demônios[10]. 

O Antigo Testamento foi escrito originalmente em aramaico e preservado pelos judeus. A tradução grega acrescentou livros escritos nesta língua não aceitos pelos judeus. A partir século II a Bíblia foi traduzida para o latim em diversas versões copiadas à mão. A versão com o Velho e o Novo Testamento é de Jerônimo entre 390 e 406 que manteve os textos introduzidos na versão grega considerados apócrifos. Para o NT, Jerônimo selecionou alguns textos entre dezenas dos relatos de Jesus e fez a Vulgata. 

Mas a tradução para o alemão de Lutero voltou à hebraica. O Concílio de Trento (1546) considerou canônicos (oficiais) os gregos não aceitos pelos hebreus e protestantes. Aliás, somente após a Vulgata, é que foi acrescido o ‘santo’ ao ‘espírito’ que inexistia no grego.

James R. Lewis[12], lembra que o Novo Testamento é composto por 27 livros escritos em contextos históricos diferentes durante mais de 100 anos, por pessoas diferentes e em diferentes pontos do mundo. Os saduceus, segundo ele, não acreditavam no Juízo Final nem na ressurreição ou reencarnação e vida pós-morte; o importante era só o presente.

Os fariseus (em hebraico – parash – divisão ou separação), tiveram origem 200 a.C. até d.C. com a Diáspora. Herodes, o Grande, ordenou a matança dos inocentes e a família de Jesus fugiu para o Egito. Um filho dele (Herodes Antipas) participou do julgamento (Pilatos enviou Jesus a ele) e mandou decapitar João Batista a pedido da sobrinha Salomé, filha do irmão, Herodes Felipe[13].

Adão vem de Adam que em hebraico significa ‘ser humano’ e Eva vem de hava significando ‘vida’, logo Deus criou o homem e deu-lhe vida e não Deus criou Adão e deu-lhe Eva. Sobre o Juízo Final não existe nada na Bíblia sobre isso, mas sobre o ‘juízo’. O dogma da ‘Santíssima Trindade’ foi transplantada das culturas persa, hindu, egípcia, grega e celta. Foram necessários quatro Concílios para defini-la: o de Nicéia (325), Constantinopla (381), Éfeso (431) e Calcedônia (451). Se a ‘Trindade’ foi instituída a partir de 325, como poderia estar no Evangelho? 

Elias e João Batista. Acabe, rei de Israel casou-se com Jezabel, mulher idólatra, que cultuava Baal. Elias vai até ela e prediz uma grande seca, foge para o Oriente e retorna três anos depois exigindo de Acabe uma reunião com todos os profetas de Baal para a prova de fogo. Como eles foram reprovados, Elias matou os 450 sacerdotes de Baal e 400 do Paste-ídolo. Então, Jezabel jurou Elias de morte. Novecentos e dois anos depois os personagens se reencontram (28 d.C.). Hábitos e costumes dos dois: Elias viveu mais no deserto, com alimentação menos grosseira, azeite e farinha misteriosa, vestia-se de pelo e usava cinto; João no deserto comendo gafanhotos e mel silvestre, roupas de pelo de camelo e cinto. Acabe, Jezabel e Elias teriam reencarnado como Herodes, Herodias e João[14].

Sobre o inferno: geena significa ‘vale a ocidente de Jerusalém’ onde havia o lixão da cidade e o fogo queimava e vermes fervilhavam. Também era conhecido o Vale de Josafá, ao sul de Jerusalém, lugar maldito por causa dos sacrifícios de crianças ao ídolo Moloc ou Tofet. Os judeus mantinham ali o fogo sempre aceso. Jesus usou para designar o inferno. E o significado de um nome: Lúcifer quer dizer lux fero ou ‘o que traz a luz, que dá claridade, luminoso’[15].

Agora Jesus e a lei de causa e efeito. “Eis que está curado; não erres mais para que não te suceda coisa pior” (João, 5:14); “Por quanto com o juízo com que julgardes sereis julgados e, com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mateus, 7:2); “Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado” (João, 8:34); Paulo: “O que o homem semear, isso também ceifará...” (Gálatas, 6:7-8); “Se alguém tem ouvidos... se alguém leva para o cativeiro, para o cativeiro vai. Se alguém matar à espada necessário é que seja morto à espada...” (Apocalipse, cap. 13). 

 

 (*) Aprendizados em livros espíritas de autores encarnados e desencarnados, leituras na imprensa espírita e matérias da imprensa leiga que se relacionam e interessam aos espíritas e ao Espiritismo.

 

[1] O Imortal. Cambé-PR, setembro/2000. 

[2] Revista Internacional de Espiritismo. Matão-SP: O Clarim, julho/1998. 

[3] SILVA, Severino Celestino. Revista Internacional de Espiritismo. Matão-SP: O Clarim, julho/2000. 

[4] O Imortal. Cambé-PR, setembro/2000.

[5] Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos. Vol. 1861, agosto, p. 264. 1ª ed. Brasília, Edicel, 1985. 

[6] Revista Internacional de Espiritismo. Matão-SP: O Clarim, janeiro/2001.

[7] Harmonia. São José-SC, agosto/2000.

[8] O Imortal. Cambé-PR. setembro/2000.

[9] Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos. Vol. 1868, janeiro, p. 14. 1ª ed. Brasília, Edicel, 1985.

[10] PINTO, Hélio. Visão Espírita, nº 18.  

[11] Universo Espírita, nº 07, março/2004.

[12] LEWIS, R. James. Vida após a morte. São Paulo, Makron Books do Brasil, 1997.

[13] GODOY, Paulo Alves. Casos controvertidos do Evangelho. 1ª ed. São Paulo: FEESP,1993.

[14] Revista Internacional de Espiritismo. Matão-SP: O Clarim, abril/1999.

[15] RIBEIRO, Luciano. Revista Internacional de Espiritismo. Matão-SP: O Clarim, outubro/2008.

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