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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 135ª edição | 09 de 2019.

Perguntas & Respostas

Uma das perguntas que foi enviada para esta seção trata do casamento, especialmente o formalizado diante das leis civis. Querem saber: Afinal, todo casamento já está contemplado no planejamento reencarnatório dos futuros cônjuges?

Muita gente acha que a instituição do casamento está falida: novos costumes sociais, flexibilidade das leis civis, inconstância nos relacionamentos, uniões informais.

Em 2017 o número de casamentos no Brasil, segundo o IBGE, caiu 2,3% em relação ao ano anterior e o de divórcios subiu 8,3%. Em média, o casamento por aqui dura 14 anos. Dez anos antes era 17. Obviamente, não entram nas pesquisas as uniões informais, cada vez mais comuns e que tendem a durar muito menos.

Na questão 686 de “O Livro dos Espíritos”, à pergunta de Kardec – Que efeito teria sobre a sociedade humana a abolição do casamento?, os Instrutores Espirituais responderam que Seria uma regressão à vida dos animais.

Mas vamos à resposta à pergunta que ora nos foi formulada. Longe de querer esgotar o assunto, vamos nos valer de algumas informações de que dispomos, recolhidas aqui e ali. Em primeiro lugar, cabe mencionar que, segundo o mentor André Luiz no livro “Missionários da Luz”, o planejamento reencarnatório é exceção e não a regra. A maioria se faz em “moldes padronizados”.

Isso ocorre porque para um grande contingente de seres humanos, as suas condições gerais de desenvolvimento espiritual são bastante limitadas. O primitivismo que os caracteriza, tanto intelectual, como, principalmente, moralmente, faz com que o retorno deles ao uso de um corpo carnal se opere basicamente por meio de automatismos biológicos.

Não importa muito os fatores familiares, por exemplo, visto que os laços que normalmente atraem uns para os outros quando no caso de espíritos mais conscientizados a respeito de valores superiores, naqueles praticamente inexistem.

Seria inútil a espiritualidade dedicar tempo e esforços para marcar eventos, compromissos, redes de relacionamentos, se os indivíduos envolvidos aqui chegados irão se comportar com grau muito baixo de discernimento, pautando sua existência quase que exclusivamente pelos instintos primitivos, associados unicamente à satisfação de suas necessidades básicas de sobrevivência e perpetuação da espécie.

Em suma: sem capacidade para participar do próprio planejamento e sabendo-se de antemão que, em aqui chegando, será governado muito mais pelos impulsos do determinismo biológico do que pela razão, passará talvez um conjunto de existências na composição de uma longa fase de aprendizados elementares no que diz respeito à vida espiritual. E para cumprir tal desiderato, um planejamento esmerado torna-se dispensável. 

O segundo ponto que temos que assinalar é que mesmo quando há o planejamento reencarnatório, este não passa de uma carta de intenções, no dizer do escritor Richard Simonetti. Mesmo que o nosso livre-arbítrio possa ter sido exercitado em algum grau quando da elaboração do planejamento ainda na dimensão extrafísica, as decisões podem ser revertidas depois que por aqui aportamos.

Agora passemos a algumas declarações, como dissemos no início, recolhidas aqui e ali, sobre a questão do casamento. Rodolfo Caligaris, no livro “A vida em família”, opina que “dizer que todas as uniões são planejadas é um erro. Esse ‘destino’ nem sempre ocorre”. Para ele, o fator desestabilizante seria a ilusão criada quando os jovens escondem seus defeitos um do outro para impressionar, além do encantamento, suas dificuldades.

Registre-se que a citada obra foi escrita em 1976, época em que as coisas eram muito diferentes em termos de costumes sociais e liberdade sexual.

Para Richard Simonetti, em artigo publicado na “Revista Internacional de Espiritismo”, de junho/2017, casar-se duas ou mais vezes, mais frequentemente, é fruto da imaturidade e da fuga ao planejamento reencarnatório, porém, pode decorrer de situação cármica. É ele, ainda, que brinca, em “Para ler e refletir”: um casamento pode estar programado no destino, múltiplos cheiram a “desatino”. 

Já Divaldo Pereira Franco admite as duas situações. Em entrevista ao jornal “O Imortal”, edição do mês de junho de 2003 (que, por sua vez, era reprise da entrevista do mesmo mês, mas de 1984, quase vinte anos antes, portanto), disse que “ ... há uns  casamentos programados e outros que a precipitação provocou. A inexperiência do jovem, a prevalência da natureza animal... faz com que ele assuma compromissos que não estavam adredemente estabelecidos... ao se dar conta do engano, queira regularizar a situação”, ou seja, busque a separação e eventual nova união.

Há uma declaração de André Luiz no livro “Evolução em dois Mundos”, páginas 186-7 (3ª ed.) que aparentemente conta ponto a favor da tese de que todos os casamentos são marcados antes da reencarnação.

Escreve ele que “(...) porque não existem na Terra uniões conjugais, legalizadas ou não, sem vínculos graves no princípio da responsabilidade assumida em comum”.

Mas ao nosso entendimento, o que ele quis dizer é que toda comunhão afetiva implica em responsabilidades, tenham elas sido iniciadas com ou sem planejamento reencarnatório.

Bem verdade que em “Vida e Sexo”, cap. 7 (2ª ed.), há texto semelhante e indicação diversa: (...) não existem no mundo conjugações afetivas, sejam elas quais forem, sem raízes nos princípios cármicos, nos quais as nossas responsabilidades são esposadas em comum.

Como qualquer outro ato do ser humano, uma vez que ocorra um envolvimento físico e emocional maior com outra pessoa, é lícito esperar que sobrevenham consequências e por elas os protagonistas são responsáveis em caso de algum tipo de prejuízo moral a um deles.

Ainda hoje no Brasil, principalmente em algumas regiões e nas periferias das grandes cidades, é comum encontrarmos mães de seis, oito filhos, cada um de pai diferente. E o quadro que se vê é de irresponsabilidade ou negligência de um lado e de pobreza e desamparo de outro.

Crianças e adolescentes relegadas ao abandono, órfãos de pais vivos e mães que são as maiores vítimas, tentando criar sozinhas, como se dizia, uma penca de filhos, tarefa quase impossível. Frequentemente alguns deles ficam pelo caminho, aniquilados por doenças, drogas e violência.

Nesse caso, quem planejou o número de casamentos e de filhos foi muito incompetente ou os contratados, ao chegar aqui, rasgaram o planejamento. A terceira possibilidade é que não houve planejamento algum.

Ora, se pode mudar o planejado deixando de se casar com quem havia se compromissado, também, por óbvio, pode casar com qualquer outro que não constava no referido planejamento.

Planejamento familiar é algo para ser elaborado na dimensão espiritual e cumprido e até aperfeiçoado aqui depois de encarnado. E ao que vemos, muitas vezes, ele não é elaborado nem lá, muito menos aqui.

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