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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 135ª edição | 09 de 2019.

O espírito na juventude, na idade adulta e na velhice

Dividimos a matéria “Ciclo da vida” em duas partes e na edição anterior tratamos da alma durante o período da intermissão, ou seja, entre duas reencarnações, e da sua situação enquanto transcorre a fase de gestação. Quem não leu e estiver interessado, pode acessar a edição de nº 134 em nosso site (www.adepr.org.br).

Dando sequência ao assunto, faremos agora alguns apontamentos relativos ao que se sucede do período que vai da infância até a desencarnação quando se fecha um ciclo completo de uma encarnação.

Ao nascer, notam os Instrutores Espirituais na questão 380 de OLE, o estado de perturbação que envolvia o espírito durante a gestação não cessa automaticamente. Antes, “dissipa-se gradualmente com o desenvolvimento dos órgãos”.

Sobre isso vale acrescentar o que dizem alguns autores quanto ao complemento da encarnação que se daria em torno dos sete anos de idade. André Luiz, no livro “Missionários da Luz”, afirma exatamente isso quando o espírito passa a presidir por si mesmo a formação do sangue, elemento básico no equilíbrio do períspirito. No livro “E a vida continua” há uma citação sobre o estado de semiconsciência até os sete anos. 

No Mednesp 2011(congresso nacional da Associação Médico-Espírita), Ricardo Santos (AME-AL), contou o caso de um suicida que tinha uma marca embaixo do queixo que sangrou até os sete anos de idade. Essa marca correspondia ao tiro que ele desferiu e a saída no alto da cabeça foi descoberta depois por Ian Stevenson.

No livro “O universo autoconsciente”, Amit Goswami escreveu que nos cérebros de crianças de até cinco anos predominam as ondas theta, passa para a alfa de vigília na adolescência e depois nos adultos, as beta. De igual modo, o Dr. Jamuna Prasad, indiano, que ao estudar os casos de lembranças de vidas passadas, constatou que elas, em geral, só se mantêm até os sete/oito anos, no máximo. E Jean Piaget afirmou que até os sete anos se constrói a infraestrutura da moral e do pensamento.

Recordando mais alguns ensinamentos de OLE, na Q. 379 consta que o espírito de uma criança pode ser mais desenvolvido do que o de um adulto. Na 383 – reforçada pela 385 -, a utilidade dessa fase na qual se é mais acessível às influências externas, especialmente a educação enquanto a 384 esclarece sobre a razão da mudança no caráter (personalidade) ao sair da adolescência devido à retomada integral da sua individualidade.

Resulta disso que, praticamente, tudo o que pais poderiam fazer já o fizeram. Daí em diante o indivíduo só aprenderá por experiências próprias. Portanto, o ideal é que haja diálogo e orientação, somadas ao exemplo, para que a criança incorpore valores sociais e morais salutares e crie condicionamentos de conduta correta, ou seja, a “arte de formar o caráter pelo conjunto de hábitos adquiridos”.

Se a ciência já reconhece hoje que durante a gestação, esse espírito em processo de viabilização de uma nova experiência num corpo carnal, repercute muito do ambiente não só materno, mas também externo como sons, vibrações e demonstrações afetivas, o que dizer da infância e da adolescência?

Dessas duas fases depende fundamentalmente o futuro desse indivíduo em novo recomeço, tanto no aspecto físico e psíquico como moral. Tão importante quanto a alimentação e a instrução, impossível negar o papel da educação ampla, intelectual, social e a dos valores éticos.

Na Q 907 de OLE, encontramos que o princípio das paixões é para o bem do ser humano e através delas pode-se realizar grandes coisas. O problema está no abuso. Na seguinte, o uso sábio está no equilíbrio porque as paixões – e os jovens são movidos por elas - são como um cavalo, útil quando domado e perigoso quando toma o controle da marcha. 

As paixões (Q. 908) têm por princípio um sentimento ou necessidade, mas as paixões propriamente ditas são o exagero deste sentimento ou necessidade. O problema, pois, está no excesso e não na causa. E toda paixão que aproxima do nível animal, afasta-o da natureza espiritual. No geral, falta vontade para domar as más inclinações (Q. 909) e não há paixões irresistíveis (Q. 911).

E aqui lembramos que a adolescência e a juventude são marcadas pelos conflitos da efervescência sexual, pela necessidade da escolha profissional, os relacionamentos afetivos e uma maior suscetibilidade à problemática das drogas.

E chegando à fase adulta, a mais longa da vida que vai mais ou menos dos 25 aos 60 anos, descobrimos que ela é também a mais profícua. É quando se dá a constituição da família e a estabilização afetiva, bem como a busca pelas realizações materiais. Durante ela surge a responsabilidade com a criação dos filhos, a sedimentação da personalidade e em geral, o rumo definitivo da vida.

É a época de dar cumprimento à maior parcela dos compromissos assumidos no planejamento reencarnatório. Por isso mesmo ocorre um maior engajamento social, religioso, etc.

Se o curso da vida seguir normalmente, todos nós ou já somos ou seremos velhos – ou idosos para sermos mais gentis. É a fase que fecha o ciclo da vida, felizmente de apenas uma, pois outras virão pela renovação oferecida pela lei da reencarnação. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, a velhice pode ser uma das mais frutíferas fases da vida.

Fisicamente, pode-se estar com as forças já debilitadas, entretanto, espiritualmente, é uma fase enriquecedora. Regra geral, aquele que soube viver bem até ali, certamente terá bons motivos para sentir-se feliz e realizado, apesar de todas as eventuais dificuldades presentes, mas também projetos novos, por que não?

É a época de disponibilizar a sua experiência, de balanço, época do guerreiro colher os louros pela vitória. A chamada terceira ou melhor idade é o último estágio do ciclo reencarnatório, dizemos nós. Geralmente, época de colher o que se plantou, principalmente em termos de conforto material e constituição familiar: curtir os netos, cultivar amizades, dedicar-se ao lazer.

Mas, espiritualmente, aspecto que é o nosso foco, qual o significado disso? Qual a importância dessa fase para o espírito reencarnado? Do ponto de vista biológico, familiar e social merece respeito, gratidão, viver com dignidade. Ocasião de oferecer sua experiência e sabedoria de vida.

Tempo de aprender por si mesmo e receber o incentivo da família pela busca do sentido amplo da vida, incluindo o de ainda sentir-se útil e encontrar motivações para novas experiências, jamais se deixando abater, cair no desânimo ou resvalar na depressão.

Sim, é a fase de preparação para o retorno ao mundo espiritual, donde a importância da chamada educação para a morte que deveria ter vindo desde as fases anteriores.

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