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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 71ª edição | 01 de 2009.

A imortalidade da alma

Por Wilson Czerski

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É considerado o segundo princípio fundamental do Espiritismo. Nas duas edições precedentes tecemos comentários em torno do primeiro e mais importante de todos: a existência de Deus. Sem tomá-lo como ponto de partida, tudo o mais perde a finalidade. O Universo e a vida só fazem sentido quando acreditamos, quer pelas lucubrações da filosofia, pela fé religiosa ou por evidências científicas de que Deus existe e é o Criador de tudo.

Nosso estudo sobre a sobrevivência da alma após a morte inicia com um apanhado do Capítulo Primeiro da Segunda Parte de O Livro dos Espíritos. Lá encontramos o seguinte.

Os espíritos são definidos como sendo os seres inteligentes da criação que povoam o Universo além da matéria. Não são partes de Deus, mas criações como uma máquina construída pelo homem. Essa informação põe por terra a hipótese do panteísmo, segundo a qual, cada indivíduo seria como uma gota de água do oceano, individualizada durante a existência física e que após a morte retornaria à massa geral da divindade.

É mais correto dizer que somos imortais porque nossa existência espiritual nunca chegará a termo, porém não eternos, qualificativo este só cabível em relação a Deus que não terá fim e também não teve princípio.

Os espíritos são individualizações do princípio inteligente, assim como tudo o que compõe o mundo material deriva do princípio material e ambos têm sua origem em Deus. Ele está sempre criando novos seres ou espíritos cujos detalhes constituem um mistério para o homem. Entretanto, em outros pontos do estudo do pensamento espírita somos esclarecidos que, embora haja um momento crucial na jornada evolutiva dos seres que é aquele em que atingimos, de fato, a condição de humanos, nossa história começa muito antes.

Conforme a questão 540 da mesma obra antes citada, do átomo ao arcanjo, tudo se encadeia no universo, permitindo estabelecer um paralelo entre o evolucionismo espírita e a teoria de Charles Darwin. O homem não seria um ser especial criado por Deus, à parte dos demais, mas, sim, princípio inteligente que foi lançado nas correntes do progresso há bilhões de anos.

O autor espiritual André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, no livro “Evolução em dois mundos”, afirma que do estágio mais primitivo dos vírus e bactérias até atingir a fase hominal transcorreram-se 15 milhões de séculos ou 1,5 bilhão de anos. Desde então, o princípio inteligente vem se desenvolvendo numa sucessão fantástica de repetições de experiências.

Mas só podemos falar em espírito a partir do momento que o homem adquire consciência de si mesmo e passa a dispor do livre-arbítrio que fará com que por tentativas de erros e acertos, assumindo as consequências de seus atos, faz esforços para distinguir aquilo que é moralmente aceitável ou não, segundo as leis divinas. Este momento mágico de transição de ser inferior, guiado apenas pelo instinto, para o de ser racional, é o que os Espíritos Superiores convencionaram denominar de criação de Deus de seres “simples e ignorantes”.

Voltando ao capítulo I de OLE, informam os Instrutores que o termo imaterial para o espírito não é muito apropriado. O mais correto é dizer-se que o espírito é incorpóreo, visto que existe, é algo, constituído de matéria quintessenciada. Falta um termo mais preciso para expressar a natureza do espírito, tal como quando se pretende explicar a luz a um cego de nascença.

O mundo ou dimensão, como quer que se denomine o local onde os espíritos não encarnados se locomovem, preeexistente ao mundo material e este poderia perfeitamente deixar de existir que em nada afetaria aquele. Por isso, o espiritual é o principal e sobrevive a tudo. Reagem um sobre o outro, mas são independentes.

Os espíritos são uma das forças da natureza e estão por toda parte, inclusive muitos deles convivendo conosco sem que os percebamos, mas há interdições para alguns a alguns lugares. Os espíritos puros, se examinados pelos encarnados, não têm nenhuma forma. Contudo, para os outros espíritos, eles se parecem como “uma flama, clarão, centelha etérea”. Já a cor varia do escuro (para os imperfeitos) ao brilho do rubi para os evoluídos.

Gastam algum tempo para se locomover, embora tão rápida como o próprio pensamento. Registram as distâncias percorridas se o desejarem ou simplesmente “já se vêem lá”, a depender da evolução e do exercício da vontade. Com isso são capazes de atravessar quaisquer tipos de obstáculos incluindo a terra, fogo ou água sem que nada os detenha.

Os espíritos não podem se dividir, mas podem irradiar sua ação em diversas direções simultaneamente e com capacidade proporcional ao seu adiantamento espiritual. Isto é fácil de imaginar quando se pensa no próprio poder divino que se mantém onisciente de tudo o que acontece em todos os lugares simultaneamente e, mais que isso, faz-se presente em todos eles, agindo sobre tudo, o que caracteriza a sua onipresença e onipotência. Os homens são predestinados à perfeição relativa e entre as faculdades a serem desenvolvidas está a de poder atuar à distância.

Depois os Mentores informam a respeito do perispírito ao qual nos referimos há pouco. A alma – desencarnada – ou espírito, assim chamado quando encarnado, é revestido por um outro corpo que parece ser vaporoso à observação dos encarnados, mas ainda bastante grosseiro aos olhares deles próprios, os desencarnados. É como se fosse o perisperma da semente, daí a criação do neologismo perispírito, espécie de membrana que envolveria o espírito.

Este segundo corpo, em verdade o primeiro porque é ele que serve de modelo ou fôrma para o carnal e não o contrário, é diferente para cada mundo e variável também segundo a pureza do próprio espírito que com ele vai se revestir. A regra é: mundos mais evoluídos possuem fluidos mais sutis a envolvê-lo e é deles que a alma que vai se reencarnar, retira as moléculas que comporão o novo perispírito. Entretanto, como as atmosferas psíquicas dos planetas não são homogêneas, os espíritos mais evoluídos escolhem para si as partículas menos densas enquanto os mais atrasados têm que se contentar com as mais grosseiras, compatíveis com a mente que procede a atração das mesmas.

Como vimos, Deus criou e continua criando seres simples e ignorantes e encarrega-os de desempenhar determinadas missões bem como submeter-se às provas que, se enfrentadas com paciência e humildade, promovem um avanço mais rápido. Já outros lamentam-se ou revoltam-se e demoram-se mais tempo à retaguarda. Comportam-se como crianças rebeldes e ignorantes e, por isso, sofrem mais.

Os espíritos não degeneram, não perdem os conhecimentos adquiridos nem as virtudes já conquistadas. Podem estacionar e ter capacidades temporariamente adormecidas. Nem todos passam pelas experiências do Mal, mas pelas da ignorância. Se muitos se detêm no Mal é por conta do mau uso do seu livre-arbítrio. Ceder ou não às tentações externas ou inferiores sejam elas de origem das próprias paixões ainda não educadas ou de influências de outros seres ainda mais atrasados que eles, constitui uma questão puramente de decisão pessoal.

Deus permite as experiências no Mal para que, fruto de sua própria escolha, ao vencer a luta que trava contra ele, obtenha o mérito da vitória. Já os que seguem o Bem desde o início não estão isentos dos aprendizados, trabalhos e provas, tal como – comparam os Benfeitores – uma criança que, apesar da boa índole, precisa de instrução e educação.

A condição dos anjos não se deve a um privilégio divino que já os teria feito assim, mas por terem atingido um grau de pureza máxima graças ao próprio esforço em busca da perfeição. Do mesmo modo, não existem demônios, pois Deus é o criador de tudo e de todos e não poderia, pela sua perfeição e bondade, criar um único ser que fosse para destiná-lo a rivalizar com ele, praticar e insuflar o Mal nos outros e condenar-se à infelicidade eterna.

Este é um resumo do pensamento filosófico espírita sobre a criação e destino das almas que habitam os seres humanos. De certa forma responde às perguntas mais instigantes que nos assaltam: quem somos, de onde viemos, por que estamos aqui e para onde iremos. Como Kardec nos lembra, tais conhecimentos formam o próprio núcleo da Doutrina Espírita. Primeiro, por ajudar a defini-la como uma filosofia espiritualista de consequências morais. E, segundo, porque estas consequências se constituem na mais poderosa arma de combate ao materialismo, gênese de todos os males que afligem a humanidade.

As guerras, a violência praticada individualmente, o egoísmo, a corrupção, a miséria social e moral e até mesmo as enfermidades físicas e mentais são causadas pela visão tacanha que temos da vida imaginando-a limitada à trajetória do berço ao túmulo, negando-lhe a antecedência de um e continuidade após o outro. Se estivéssemos plenamente conscientes de que não somos só um corpo colocado na Terra para se divertir e explorar o semelhante, que cada ato nosso gera consequências e a justiça divina cobrará de nós, nas palavras de Cristo – até o último ceitil – ainda nesta, na próxima reencarnação ou no intervalo entre uma e outra, todos estes débitos, nossa conduta seria diferente.

O problema é que as religiões tradicionais padecem de falhas gritantes na sua forma de expor principalmente o problema da dor, das diferenças físicas, intelectuais, morais e sociais, além das aparentes injustiças entre os homens. Assim a própria crença na existência e sobrevivência da alma fica comprometida. Reduz-se a um conceito teórico sem base de realidade ou para ser postergado o máximo possível em nome do presente mais atraente e concreto.

Se caminharmos do terreno da filosofia para o da religião encontramos o reforço ao princípio da imortalidade da alma nos ensinamentos de Jesus quando fala da existência “de muitas moradas na casa do Pai”. Se enveredarmos pelas descobertas científicas, deparamo-nos com vários gêneros de provas a seu favor.

A mediunidade é uma delas. Mas não é uma mera questão de crença. A comunicação com aqueles que já viveram entre nós e se transferiram para a dimensão espiritual através do fenômeno da morte, não só é possível como permite, em muitos casos, a comprovação de sua veracidade. Não é fantasia, não é charlatanismo e isso veremos na sequência desta série “Pilares do Conhecimento Espírita”.

Para ficarmos apenas num exemplo, remetemos o leitor ao livro “A Psicografia à Luz da Grafoscopia”, onde o autor, Carlos Augusto Perandréa, ex-reitor da Universidade Estadual de Londrina – PR e perito na área de Datislocopia e Grafotecnia, analisa diversas mensagens dos chamados mortos recebidas pela mediunidade de Chico Xavier. Se o livro tem o mérito de comprovar a realidade da comunicação entre encarnados e desencarnados, necessariamente prova que as almas sobrevivem à morte física, caso contrário, não poderiam transmitir mensagens.

Outras obras interessantíssimas a respeito são “A alma é imortal”, de Gabriel Dellane e “Animismo ou Espiritismo?”, de Ernesto Bozzano. Nesta última, o autor italiano defende a tese de que os fenômenos anímicos comprovam os mediúnicos, ou seja, se está provado que a alma de um vivo pode se desdobrar do corpo, ser vista e até fotografada e ao mesmo tempo ela própria efetuar experiências de interação com o meio ambiente e outras almas encarnadas e desencarnadas, enfim, agir à distância do corpo, isto implica que a alma que abandona pela morte em definitivo o veículo carnal, também pode realizar as mesmas ações.

Outro tipo de comprovação nos é oferecida por dois tipos de pesquisas bem mais recentes. Um deles são as EQMs ou Experiência de Quase-Morte. Médicos, psicólogos, terapeutas escreveram artigos e livros a respeito dos estudos efetuados a partir de relatos dramáticos de pacientes que estiveram praticamente mortos e foram reanimados. A sensação de paz e alegria seguida da liberdade pela separação do corpo; depois o famoso túnel de luz, as visões dos que ficaram e encontros de parentes e amigos que já morreram e, às vezes, a ordem para retornar. “Vida na morte”, e “Rumo ao ponto Ômega”, ambos de Keneteh Ring, “Recordação da morte”, de Michael Sabom, “Voltando da “Morte”, “Perto da luz” e “Transformados pela luz”, de Margot Grey são algumas das obras que tratam do assunto.

A outra vertente da pesquisa sobre a sobrevivência da alma está na TCI ou Transcomunicação Instrumental” com milhares de vozes, aparições e comunicações através de aparelhos como gravadores, telefone, televisão, computadores, com percentual significativo delas de pessoas perfeitamente identificadas. Destacamos três obras: “Os espíritos comunicam-se por gravadores”, de Peter Bander e “Transcomunicação Instrumental” e “Contatos Interdimensionais” da pesquisadora brasileira Sonia Rinaldi, a última acompanhada por um CD com cerca de seis dezenas de comunicações captadas espontaneamente ou em experiências provocadas.

Você que está nos lendo, fique tranquilo. Você é imortal. Mas lembre-se que isto implica em responsabilidade quanto ao próprio futuro. Depende exclusivamente de você onde e como você vai viver.

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