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Jornal Comunica Ação Espírita | 137ª edição | 01 de 2020.

Palavra dos Espíritos e dos espíritas

 

As Experiências de Quase-Morte

 

Ainda temos muitas dúvidas e - por que não? – receios em relação à morte. Por mais que se fale, mesmo dentro do Espiritismo, por mais que se estude, na teoria é uma coisa e na prática é outra. O estudo das EQMs ou Experiências de Quase-Morte podem contribuir em muito para mudar esse panorama.

 

DEFINIÇÃO E PRIMEIROS ESTUDOS

 

Platão no séc. IV a.C. registrou um caso de EQM em seu livro Diálogos (história do soldado Er, o Armênio, na Panfília, que voltou à vida no 11º dia após ser considerado morto. Já na pira para a cremação, levantou-se e passou a relatar histórias de locais e pessoas que conheceu no pós-vida.

O que são? EQMs ou NDE – Near Death Experiences (em inglês) são a observação, compilação e análise de narrativas de pacientes moribundos ou já considerados em óbito que retornam à condição de vida consciente e suas vivências na dimensão espiritual.

O filósofo e vidente sueco, Emmanuel Swedenborg (1688- 1722) colecionou e popularizou inúmeros relatos de EQMs. Em especial citando os casos de mineiros que passaram por fatos traumáticos como soterramentos. 

Os mórmons têm enorme número de histórias sobre EQM colecionadas desde início do século XIX até hoje. 

Em 1940, o geólogo e alpinista suíço Albert Hein transcreveu a experiência de 30 alpinistas que caíram de grandes alturas, sobreviveram e relataram vivências que se assemelham a descrições modernas da EQMs.

O primeiro estudo sistemático de doentes criticamente enfermos foi feito pelo psiquiatra russo Vladimir Negovsky que rotineiramente entrevistava soldados da II Guerra Mundial que haviam sido reanimados após sofrerem traumatismos ou hipotermia e suas EQMs.

A primeira pesquisa sobre moribundos foi no final dos anos 1950 com Karlis Oasis, em Nova York, e depois outra em 1966, onde 75% deles viam parentes falecidos.

 

PESQUISAS ATUAIS

 

No final da década de 1960 deu-se o início das investigações e uma das pioneiras foi a suíça radicada nos USA Elizabeth Küble Ross. Seguiram-se pesquisas realizadas por médicos, psicólogos, terapeutas e alguns casos ocorridos com os próprios autores dos livros como, por exemplo, Margot Grey com seus “Voltando da morte”, “Perto da luz” e “Transformados pela luz”.

Além dos livros de Elizabeth Kübler Ross (“Sobre a morte e o morrer”- 1969), há os de Raymond Moody Júnior (Universidade da Virgínia; “Vida depois da vida” - 1975), Kenneth Ring (Univ. de Connecticut; “Vida na morte”- 1980) e “Rumo ao Ponto Ômega” - 1984), Michael Sabom (Hospital de Veteranos de Atlanta, na Geórgia; “Recordação da morte”- 1982), Margot Grey (“Voltando da morte”).

O primeiro caso de EQM de criança foi estudado por Melvin Morse no Children’s Hospital de Seatle, em 1983 (“Mais perto da luz” e “Transformados pela luz”- 1992). No finalzinho do século passado, havia só nos Estados Unidos cerca de 80 pesquisadores de EQMs.

O radiologista e oncologista Jeffrey Long, em “Evidências de Vida Após a Morte” catalogou a história de 1.660 pessoas que passaram por EQM e mantém um site com 2.500 depoimentos.

Outro investigador de renome foi o psiquiatra e filósofo Raymond Modoy motivado por uma palestra do colega George Ritche que teve uma EQM aos 20 anos de idade. De 1.950 casos analisados em 11 anos, demorou-se em 150 deles e daí colocou tudo no livro “Vida depois da vida”.

Keneth Ring estudou 102 casos relatados no seu livro já citado “Vida na morte” e tanto nos casos de doentes graves como em casos de acidentes e tentativas de suicídio, as EQMs eram parecidas.

 

ESTATÍSTICAS

 

As EQMs são muito comuns em casos de estados comatosos e durante cirurgias, quando o espírito e perispírito desligam-se quase totalmente do corpo. Geralmente estão presentes as descrições de um túnel de luz e o reencontro do outro lado de parentes e amigos já falecidos.

Mais da metade das faculdades de medicina nos USA ministram cursos sobre EQM e há centenas de filiais da Associação Internacional de Estudos de EQMs nos USA e outras centenas no resto do mundo.

Uma pesquisa nos Estados Unidos de 2008, mas revelada em 2014 apontou que 9% dos 39% de sobreviventes ao infarto tiveram EQM; entre 7 e 8% do total. Num estudo com 344 pacientes ressuscitados e acompanhados por oito anos, Pim Van Lommel, cardiologista holandês, relatou que a EQM ocorreu entre 12 a 18% dos sobreviventes à parada cardiorrespiratória.

O FENÔMENO

Não há duas EQMs iguais, mas pode-se falar em cinco fases mais ou menos comuns: a) sentir-se invadido por sentimentos de paz, beleza e alegria; uns veem seus corpos físicos, outros não; sentem-se vigorosos, sentidos aguçados, maior lucidez mental e ambiente iluminado; ouvem espíritos incitar a volta ao corpo, às vezes acusam dores; b) a presença do túnel escuro ou só permanência no escuro ou no vazio; c)  Belas paisagens, harmonia, luminosidade, mas também, em alguns casos, lugares tenebrosos. Alguns seguem até o final e saem para a luz e sentem saudade dos que ficaram; flutuam, alguns ouvem música; d) o retrospecto é muito rápido, mas com imagens bem definidas, com cores vibrantes, formas tridimensionais e movimento, além de vivenciar sentimentos e emoções associados; alguns só veem os fatos importantes, outros tudo, outros com todos os detalhes. Às vezes, não há imagens, só pensamentos, lembranças, tudo ao mesmo tempo; e) alguns não vivenciam a volta; outros sim, em “solavancos”, como se puxados por um imã, etc. Na saída, a cabeça é a última e no retorno é a primeira parte.

A religião não é determinante nas experiências; servem, às vezes, para identificação do ser de luz com Jesus, p. ex., mas nenhum viu paraíso ou inferno e os arreligiosos também as têm.

 

EXPLICAÇÕES MATERIALISTAS

 

A Ciência apresenta explicações próprias para as Experiências de Quase-Morte, divididas em psicológicas, fisiológicas e transcendentais. A autoproteção pré-morte e memória do parto e nascimento fazem parte do primeiro grupo. 

Nas fisiológicas temos a hopoxemia cerebral ou falta de oxigenação no sistema límbico que juntaria imagens vistas e arquivadas no subconsciente causando alucinações e delírios. Primeiras a serem afetadas seriam as células da visão periférica e a visão central passaria a predominar, gerando o túnel.

Numa parada cardíaca, por exemplo, a perda de oxigênio faz a massa cinzenta deixar de distinguir a realidade da fantasia. Em desordem, a memória de curto prazo para de compreender e então se depara com cenas que acabou de registrar como a sala de cirurgia e a partir daí tenta reconstruir o que está supostamente acontecendo naquele momento; a experiência fora do corpo seria apenas um modelo de memória do cérebro tomado como real.

Acontece, porém, que, em geral, esse fator causa turvação da consciência, agitação, medo, agressividade, ilusão, alucinação e delírio, mas os relatos das EQMs são de pensamento claro, sentimento de paz, calma.

Outro detalhe: uma reportagem do programa Fantástico de 23/12/2001 demonstrou que pacientes estudados estavam com os cérebros bem oxigenados antes e depois da experiência, logo não eram alucinações.

Outro argumento cientifico é que a ativação elétrica do lobo temporal provoca alucinações ou lembranças de músicas, visões de cenas isoladas e repetitivas, vozes, sensação de medo, visões bizarras, imagens oníricas. 

Esse modelo é um dos mais robustos, contudo não explica a percepção de ocorrências à distância, impossíveis de serem alcançadas pelos órgãos dos sentidos e descritas também por cegos. Ou o encontro de falecidos, narrativas sobre fatos desconhecidos e até premonições ou, ainda casos como o de uma mulher que pôde sentir-se puxada para fora do carro a tempo de vê-lo capotar.

As drogas ou medicamentos também são utilizadas para justificar as EQMs, mas em muitos casos estas ocorreram na hora do acidente, antes de ingerir qualquer coisa e não há diferença nos relatos entre os que tomaram diversos medicamentos.

A influência religiosa também é evocada, considerada uma explicação de causa transcendental, todavia, nenhuma pessoa falou em céu e inferno e o conteúdo não difere dos não religiosos.

Os cientistas não espiritualistas alegam que o estímulo no giro angular direito altera a percepção espacial, daí a sensação de abandonar o corpo. Já o giro angular esquerdo, estimulado por impulsos elétricos, produziria a visão de vultos.

 

TIPOS E CONSEQUÊNCIAS

 

Phillis M. H. Atwater classifica em quatro os tipos de EQMs - a) inicial (breve, quase só que um desdobramento; b) desagradável, equivalente ao umbral. Só com adultos. Das 3.000 em 15 anos, selecionou as 700 principais; destas, 105 tiveram EQM ruim ou “infernal” (15%); c) agradável; d) transcendente com aprendizados longos e profundos, revelações, inspiração para melhorar o mundo.

Ele entrevistou mais de 3.000 sobreviventes em pelo menos 13 países. Em 21% deles não foi observada nenhuma alteração; em 60% houve mudanças significativas e em 19% foram radicais. Mas dos 21%, em muitos, só os familiares, amigos, etc é que perceberam as mudanças.

As alterações mais comuns são a valorização do conhecimento (às vezes, nova carreira); parece que há uma maior estimulação do hemisfério cerebral antes não predominante; perda do medo da morte; consciência da rápida transitoriedade física; mais uso do livre-arbítrio; sentem-se mais responsáveis pelas escolhas; eliminação da tendência suicida.

O Dr. Kenneth Ring, da Universidade de Connecticut, e Sharon Cooper, da Universidade de Nova York, fizeram um estudo de dois anos sobre EQMs em deficientes visuais, publicado no livro “Mindsight” (1999) que comprovou que 31 cegos tiveram EQM e descreveram como a primeira vez na vida que conseguiram ver.

 

EXEMPLOS COMPROBATÓRIOS

 

Peter Fenwick conseguiu algumas dezenas de relatos como o de Derrick Scull, major aposentado do exército, pai de dois filhos e funcionário de uma respeitável empresa de advogados que em 1978 sofreu infarto e, do canto esquerdo do teto (com parada cardíaca), viu o próprio corpo vestido com robe e máscara contra contaminação; viu a esposa falando com uma enfermeira vestida com tailleur vermelho. Depois, ao recobrar a consciência, viu a esposa na UTI com a mesma roupa.

Na Holanda, o cardiologista Pim van Lommel conheceu um homem que, em coma profundo e parada cardíaca, viu fora do corpo a enfermeira lhe retirar a dentadura e colocá-la num carrinho especial.

Publicado no jornal Daily Mail, 10/02/2015: a médica ortopedista americana Mary Neal sofreu um acidente no Chile em 1999 – ficou 24 minutos sem respirar, mas voltou e afirmou que havia “conhecido o céu” e soube que o filho morreria tragicamente mas sem data ou local. A premonição se confirmou em 2009 num acidente de esqui. Não sofreu lesões cerebrais e por ser uma mulher de ciência excluem-se as hipóteses de alucinação, misticismo, etc.

Certa mulher que já parara de respirar várias vezes, no decurso de doença, voltava porque a família orava. Disse: “já estive no além e é lindo. Eu quero ficar lá, mas não posso enquanto vocês continuarem rezando para que eu fique. Suas orações estão me segurando aqui. Por favor, não rezem mais.” Pararam e ela morreu.

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