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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 138ª edição | 03 de 2020.

Perguntas & Respostas

Por Wilson Czerski

Como explicar, sob a ótica da lei divina, os casos de pessoas que são condenadas por determinados crimes e, às vezes, depois de muitos anos, descobre-se que eram inocentes?

Esse tipo de ocorrência é muito mais comum do que se imagina, inclusive fora do Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, só depois de 1989, 2.400 pessoas foram libertadas das prisões ao se descobrir que haviam sido condenadas injustamente.

Para ilustrar, citemos dois fatos verificados em nosso país no ano passado. Um homem de 35 anos, morador de Fortaleza, borracheiro de profissão, cumpriu cinco anos de prisão, condenado por estupro. No dia 29 de julho ele foi liberado porque a justiça se convenceu de que era inocente. A condenação ocorreu mesmo com imagens do verdadeiro culpado, 24 centímetros mais alto que o primeiro acusado.

Um dia depois do borracheiro obter sua liberdade, um rapaz de 22 anos também foi liberado após cumprir dois anos e nove meses, injustamente acusado de roubo de automóvel e tentativa de latrocínio, ainda que tenha sido detido quatro minutos após o crime, a 12 quilômetros de distância do local.

Há o ditado popular de que a justiça divina pode tardar, mas nunca falha por conta de que Deus é absolutamente perfeito, sábio e justo. Já, a justiça terrena, por ser executada por seres suscetíveis a cometer erros em função de suas limitações morais e intelectuais, com frequência toma decisões que definimos como injustiças.

Por que acontece esse tipo de coisa? Se nada é por acaso, se Deus não comete erros, se ninguém paga pelos erros dos outros, essas pessoas comprovadamente inocentes sofreram muito e de graça. Ou não?

Imaginemos um dia numa prisão qualquer, mas principalmente nas do nosso país que bem sabemos serem péssimas. O que dizer de passar cinco anos, 1825 dias, como foi o caso do um borracheiro? Um pesadelo! E suas famílias, esposas, filhos, mãe?

Para os reencarnacionistas, a resposta para a pergunta lá do início parece até óbvia. Em linhas gerais e apressadamente, crava-se que o indivíduo obrigado no presente a cumprir pena de reclusão por um crime que não cometeu, com certeza é devedor de uma vida anterior na qual teria escapado da justiça terrena. Deste modo, estaria validada mais uma vez outra máxima popular, a de que “Deus escreve certo por linhas tortas”. O que pode ser verdadeiro em muitas situações, mas talvez não se aplique ao caso em análise. Ou a todos os semelhantes.

Outra dúvida. Se as vítimas não apontassem equivocadamente esses indivíduos como os culpados ou se a polícia, o juiz, a promotoria e advogados não tivessem sido tão incompetentes e nada disso tivesse acontecido, como teria ficado a dívida de outras vidas desses indivíduos? 

Claro, a justiça divina não se baseia unicamente na ação humana. Possui outros mecanismos capazes de alcançar os culpados por variadas formas, entre elas, os agentes naturais em manifestações mais rigorosas do clima ou convulsões geológicas, por exemplo. Também é possível pensarmos em transformações regenerativas de impacto nesses indivíduos, alterando suas disposições no sentido da prática do Bem e amor ao próximo, capazes de interferir no curso de suas experiências e suavizando o caminho.

Mas como ficam aqueles que, conscientemente ou não, acusaram, testemunharam e condenaram essas pessoas, ao menos no momento presente, de modo injusto? E temos a resposta pronta. “Há necessidade dos escândalos, mas ai daqueles por quem vêm os escândalos”. Ou seja, os algozes de hoje, arcarão por sua vez, com débitos decorrentes de seus erros.

Isso para não pensarmos que eles tornaram-se instrumentos de Deus que, para consertar uma coisa, acabam comprometendo outra. Há quem defenda a tese de que até espíritos elevados agem diretamente para derrubar aviões, afundar navios, causar desmoronamentos e tantas outras tragédias só para que culpados de outras vidas paguem suas dívidas.

Além da possibilidade de que um indivíduo, no presente, cumpra pena por algum crime cometido em outra reencarnação, podemos pensar que tal situação seja fruto de uma escolha dele para ter a sua fé provada ou servir de exemplo para os demais, demonstrando resignação, paciência, capacidade de perdoar e outras virtudes.

As questões 259 e 260 de “O Livro dos Espíritos” apontam nesta direção. Na primeira, os Instrutores espirituais esclarecem que nem todas as atribulações da vida foram escolhidas ou previstas. Escolhemos o gênero de experiências, mas os detalhes são definidos no momento de vivenciá-las. 

Ao se propor em nascer num meio socialmente adverso, ele sabe a que tipo de perigo estará exposto, entretanto ignora os atos que praticará a cada instante, pois que eles resultarão de seu livre-arbítrio. “Somente são previstos os grandes acontecimentos que influem no seu destino”. Os detalhes dependem das circunstâncias. Numa estrada ruim, há riscos de cair num buraco, mas ao longo da estrada, desconhece-se se e em quantos ou quais se cairá. 

Na questão seguinte, à pergunta de Kardec sobre qual a motivação para se nascer no meio de pessoas de má vida, os Espíritos informam que é necessário ele ser colocado num meio onde possa suportar a prova que pediu.

Mais um detalhe. Apesar da possibilidade de muitas vezes se escapar da justiça terrena, mas não da divina, é possível que ao reencarnar, talvez aquele indivíduo até já tenha quitado parcial ou totalmente a dívida ou ter feito jus a um tipo de resgate mais ameno.

Ele que deveria ter ficado preso aqui e não ficou, talvez já reencarne com planos de reparação nos quais não necessite disso, mas cumpra o processo completo de arrependimento, expiação (por outros meios, inclusive, pela regeneração completa) e a reparação para com as antigas vítimas ou beneficiando terceiros.

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