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Os condenados inocentes e Deus.

Publicada em 19/12/2019, por Wilson Czerski

Um homem de 35 anos, morador de Fortaleza, borracheiro de profissão, cumpriu cinco anos de prisão condenado por estupro. No dia 29 de julho ele foi liberado porque a justiça se convenceu de que ele era inocente. A condenação ocorreu mesmo com imagens do verdadeiro culpado que é 24 centímetros mais alto que o primeiro acusado.

Em outro caso, um dia depois do borracheiro obter sua liberdade, um rapaz de 22 anos também foi liberado após cumprir dois anos e nove meses injustamente acusado de roubo de automóvel e tentativa de latrocínio ainda que tenha sido detido quatro minutos após o crime a 12 quilômetros de distância do local.

O que queremos tratar aqui é o seguinte: no Espiritismo afirmamos que nada é por acaso e que ninguém sofre nada injustamente. Mas, então, como explicar esse tipo de ocorrência que é muito mais comum do que se imagina, inclusive fora do Brasil? Aliás, alguns meses depois desses episódios nacionais, dois americanos foram libertados nos Estados Unidos na mesma condição após cumprirem penas superiores a 30 anos de reclusão. Lá, só depois de 1989, 2400 pessoas foram libertadas das prisões ao se descobrir que haviam sido condenadas mesmo sendo inocentes.

Há um ditado popular dizendo que a justiça divina tarda, mas não falha, por conta de que Deus é absolutamente perfeito, sábio e justo. Por outro lado, a justiça terrena, exatamente por ser executada por seres suscetíveis a cometer muitos erros em função de suas limitações morais e intelectuais, com frequência toma decisões que definimos como injustiças.

Se Deus não comete erros, se ninguém paga pelos erros dos outros, à primeira vista, essas pessoas comprovadamente inocentes sofreram muito e de graça. Agora imaginemos um dia numa prisão qualquer, mas principalmente nas do nosso país que bem sabemos serem péssimas. O que dizer, então, de passar cinco anos (1825 dias) como foi o caso do borracheiro cearense? Ou 30 anos, no caso dos americanos? E o sofrimento das famílias deles, esposas, filhos, mãe?

Comecemos pela definição de acaso. Verdade que uma possível é ‘acontecimento fortuito’. Mas há outras. “destino’, por exemplo. Ou ‘conjunto de pequenas causas independentes entre si que se prendem a leis ignoradas ou mal conhecidas e que determinam um acontecimento qualquer’.

Em ‘pequenas causas’ poderíamos incluir desde decisões irrefletidas para estar no local errado e na hora errada, más companhias, a prestação de um favor a alguém no dia da ocorrência, até erros investigatórios, periciais, desatenções ou incompetência judiciais, etc. Mas talvez outras nem tão insignificantes assim e aí poderíamos pensar logo, dentro de um raciocínio espírita, que esse indivíduo cumpriu pena para quitar-se diante da lei de Deus por algum delito cometido em uma vida passada e do qual escapou ileso. 

Tudo isso e outras ‘pequenas causas’ podem concorrer para um final trágico. Portanto, estamos falando da possibilidade de a justiça divina alcançar um devedor através de ‘coincidências’ ou ações próprias e de terceiros decorrentes do livre-arbítrio, algumas facilmente percebidas e outras completamente ocultas à análise humana. Diríamos que fatos sequenciais e inesperados assim só validariam mais uma vez outro ditado popular, o de que “Deus escreve certo por linhas tortas”.

Voltando aos ensinamentos básicos da Doutrina Espírita, a regra que deve prevalecer realmente é a de que para todo efeito há uma causa. A prisão injusta deve encontrar um fato anterior que lhe deu causa. A vida, como dizemos, é causal e não casual.

Ocorre, porém, que não devemos ser reducionistas raciocinando que, necessariamente, para cada sofrimento do presente há um sofrimento similar impingido por este indivíduo em uma reencarnação passada. Pode até ser a situação mais comum, mas a regra comporta exceções.

Por exemplo, quando um espírito, ainda na dimensão espiritual, efetua, com o auxílio de seus mentores, o seu planejamento para a próxima reencarnação, ele pode solicitar uma experiência tal que contribua para acelerar o seu progresso moral e intelectual. Ainda que isso implique em privações, renúncias, dores, frustrações. A dor tem um papel de elemento lapidador do espírito fazendo o indivíduo avançar em poucos anos o que levaria muito tempo mais, séculos, talvez. Além disso, a depender de como enfrenta as situações mais dolorosas, serve de exemplo de fé, resignação, paciência, perdão. Não é pouco.

Para fechar. Causas não estão só no passado. Nossa história está permanentemente sendo reescrita. A cada momento estamos gerando novas causas que trarão consequências futuras. O livre-arbítrio alheio influencia nossa vida para melhor ou para o pior. Portanto, pode, sim, ocorrer injustiças. E não se trata nem do acaso nem do cochilo de Deus. Alguém age contra alguém n o hoje e repercutirá no futuro.

Assim, o indivíduo preso sem cometer nenhum crime nessa encarnação pode estar quitando sua dívida perante Deus por algo praticado em vida anterior. Pode ter solicitado voluntariamente uma provação para progredir mais rapidamente. E pode estar sofrendo algo que não precisava passar. Nesse caso, com certeza absoluta, será recompensado futuramente por Deus se suportar a injustiça sem revolta.

Quanto àqueles que contribuíram para a sua prisão, estes estarão contraindo dívidas proporcionais, as quais terão que expiar nesta ou numa próxima existência corporal.

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