ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 138ª edição | 03 de 2020.

O Jesus brasileiro

  Cena 1. Ano de 1988. Baseado num livro do escritor grego Nikos Kazantzakis, o filme “A última tentação de Cristo” causou grande polêmica ao mostrar um Jesus de natureza dupla, divino e humano e, por isso, vacilante em sua missão, acossado por dúvidas e medos.

  Roteirista e diretor projetam nas telas dos cinemas imagens supostamente imaginadas por Jesus, durante o delírio na cruz, nas quais se desenrola toda a sua vida caso tivesse sido um homem normal, destituído da missão especial de salvar a humanidade. Numa delas, mantém relações sexuais com Maria Madalena.

  Cena 2. Um grupo de humoristas brasileiros produz um curta-metragem, dito ‘especial de Natal’, retratando Jesus, em sua própria festa de aniversário de 30 anos, como homossexual, com acompanhante masculino e mais uma prostituta; uma Maria em triângulo amoroso com o próprio Deus e um José, enganado e tolo.

   Segundo quem assistiu, puro mau-gosto, chulo. Mas não é o primeiro. Na versão do ano anterior, Jesus foi mostrado como um homem desonesto e beberrão. Pergunta-se o que virá no próximo?

   Às vezes, diante de um espetáculo tão deprimente e ofensivo, é mais prudente silenciar e manter a serenidade. E cômodo também. Por que aborrecer-se com coisas que acontecem lá fora se estou resguardando o meu bem-estar? Se posso ignorar, não me afeta.

   No nosso modesto modo de ver, não deveria ser assim. Tem muita gente brincando com coisa séria. Em nome da liberdade de expressão, muitos artistas, individualmente ou patrocinados por suas mídias empregadoras, abusam da fama e facilidade em entrar em nossas casas pela televisão e redes sociais, agredindo valores e princípios caros às pessoas de bem. Os ratos não pedem licença para invadir o nosso quintal.

    Verdadeiros e intermináveis torpedos venenosos disparados contra a sociedade, comprometendo os alicerces da estrutura familiar através das novelas, no teatro, em exposições de arte e pela Internet.

    Sabemos que muitas criações artísticas têm como pano de fundo as inspirações de espíritos desencarnados. Então nos perguntamos que tipo de espírito pode inspirar pessoas a fazer um filme vendendo uma versão fantasiosa, deturpada e ofensiva da vida de Cristo que absolutamente não corresponde à verdade histórica?

       Pode-se alegar que isso tudo não passa de exercício de ficção. Mas acontece que Jesus existiu - e existe - realmente, não é um personagem de ficção e ninguém tem o direito de conspurcar a imagem que a História encarregou-se de provar como verdadeira ou muito próxima dela.

      Do ponto de vista cristão, espírita em especial, é inaceitável se calar. Calamos hoje como no ano anterior e o que vamos esperar do próximo? Temos que falar com todas as letras. Não devemos temer de pôr o dedo na ferida social quando se busca a cura do tumor maligno.

     As pessoas com princípios morais consolidados não serão atingidas por estas arremetidas das trevas que encontram parceiros encarnados dispostos a fazer eco às suas baixarias e maldades. Porém, serão capazes de penetrar nas mentes vulneráveis e invigilantes que vacilam na relativização movediça das fronteiras do que se tem como certo e errado. Neste grupo estão, principalmente, os jovens.

    Cena 3. Desfile das Escolas de Samba no Rio de Janeiro. Entre os vários enredos de ativismo e protestos políticos, um deforma mais uma vez a figura de Jesus. Talvez não tão ofensivo como o filme, mas nem por isso, deixou de ser desonesto.

    Jesus ora é mulher, ora negro, índio, mais adiante. E pobre. A especulação aí seria aceitável não fosse por alguns detalhes. Primeiro por pressupor que Ele só teria razão de voltar como brasileiro. Segundo porque, como pobre, teria tempo de sobra para perambular pelas ruas da periferia na companhia de ‘amigos’ e só por isso apanha da polícia. 

     Como sabemos nem é regra esse tratamento e nem seria provável tal comportamento por parte de Jesus. Espírito luminoso que é, se reencarnasse em nossos dias, supõe-se que mesmo jovem, estaria na escola, estudando em casa ou aprendendo algum ofício com o pai, sob o olhar responsável de José. 

     Diante dessas barbaridades, a Igreja Católica no Brasil, exceto vozes isoladas, parece incapaz ou não desejar reagir. Talvez por ter abraçado uma ideologia denominada de progressista – bons tempos que progresso significava outra coisa. 

     O Vaticano, apesar de alguns novos ares como o avanço no combate à pedofilia em suas fileiras, dá mostras de flertar com ditadores e acolhe como amigos condenados pela justiça. Não quer perder nenhuma ovelha do rebanho ou depósitos no banco oficial. Nenhuma reprimenda, pois, sobre os abusos das artes profanas tupiniquins.

      Os únicos que se manifestam por aqui são os evangélicos, mas sofrem desgastes de credibilidade por causa do envolvimento com a política e o dinheiro dos fiéis. 

      E os espíritas? Bem, o Carnaval é uma festa profana e os espíritas devem evitá-la. Nem por isso ela deixa de existir e afetar centenas de milhares de pessoas, brasileiras e estrangeiras, às quais são vendidas muitas imagens mentirosas sobre o país, instituições, história, crenças e hábitos, distorções como o Cristo apanhando da polícia.

    Ficaremos com o “não julgueis” e o ‘lavar de mãos’ de Pilatos ou com o “seja o seu sim e o não, não”? Somos o sal da terra, mas ele tem que sair do mar. Temos que usar de sabedoria para agir corretamente em todas as situações, e a cada vez que as mesmas se repetirem. Prevalecem em nossa sociedade os maus porque são intrigantes e audaciosos enquanto os bons se escondem.

    O fato de o direito de liberdade de expressão ser garantia constitucional não dá a ninguém o direito de aviltar a figura de Jesus. Ele não é o nosso irmão maior? Somente porque pediu que o Pai perdoasse seus algozes, pois não sabiam o que faziam, vamos cruzar os braços enquanto os ditos progressistas crucificam-no novamente?  

   Não podemos perder a capacidade de se indignar. Não defendemos o autoritarismo ou a desobediência às leis, mas exigimos bom senso contra os exageros e respeito às convicções mais legítimas de grande parte do povo brasileiro.

   Não deixemos de pensar grande, desejar, sonhar grande. Somos poucos, porém, podemos muito porque não estamos sós. Conosco marcham os fiéis discípulos da dimensão espiritual. Precisamos cerrar fileiras com eles contra as aberrações e a hipocrisia.

   Fenômenos naturais em tempos de transição planetária, ainda advogam alguns. Sem dúvida. Enquanto isso, assistimos a tudo. Apenas assistimos.

 

 

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2020 / Desenvolvido por Leandro Corso