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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 138ª edição | 03 de 2020.

Lentes Especiais

Por Wilson Czerski

Causas e efeitos no avião abatido por mísseis no Irã

No dia 08 de janeiro dois mísseis iranianos atingiram um avião comercial que acabara de decolar do aeroporto da própria capital, Teerã. Na véspera o Irã havia bombardeado bases militares americanas no vizinho Iraque em represália à morte de um poderoso general da Guarda Revolucionária por drones americanos, também no Iraque.

No avião não houve sobreviventes entre as 176 pessoas a bordo, metade delas iranianos, mas incluindo também canadenses, alemães, suíços e os nove tripulantes ucranianos. O governo local, depois de negar a autoria, diante das evidências foi obrigado a admitir o fato, alegando, porém, tratar-se de acidente.

Se Deus existe e é absolutamente justo, pergunta-se por que ele permite ou determina que coisas assim aconteçam. Como é possível que quase duas centenas de pessoas embarquem numa aeronave civil para fazer uma viagem de turismo, negócios ou outra motivação qualquer e sejam simplesmente assassinadas sem mais nem menos? 

Seria o cumprimento de um destino? Escrito pelas vítimas ou resultante de forças exógenas? E por quê? O que teriam feito para merecerem tal sorte? Ou seria a vigência da lei de causa e efeito? Nesse caso, tanto os que ordenaram como os executores estariam colaborando com Deus como agentes aplicadores de sentenças de justiça?

Prevalece em nosso meio a resposta de que as vítimas não são vítimas porque estariam pagando por erros cometidos em reencarnações passadas. Alguns conjecturam que poderia se tratar de cúmplices em crimes da mesma natureza. Outros admitem a possibilidade de serem indivíduos e atos sem ligação entre si, mas reunidos de uma forma dramática para se reajustarem perante as leis divinas.

Em seu favor são usados argumentos como as instruções dos Espíritos nas Obras Básicas estabelecendo que a hora e o gênero de morte de cada um já estão definidos até mesmo antes de nascermos fazendo parte do planejamento reencarnatório. Comum também os romances espíritas com enredos criativos que conduzem à mesma explicação. Sem falar das mensagens psicografadas que podem ser enfeixadas em livros. 

Conhecemos a lei de causa e efeito, mas frequentemente raciocinamos de modo incompleto e simplista. Muitos só enxergam efeitos. Tudo o que acontece deve ter necessariamente um motivo plantado no pretérito, esquecendo-se de que estamos diariamente gerando novas causas cujos efeitos aparecerão somente no futuro.

Do passado podemos sofrer limitações, vicissitudes, dores, como também alegrias, saúde, felicidade. Mas isso não implica perenidade. Tudo é transitório. Pelo uso consciente do livre-arbítrio, iniciamos ou damos continuidade ao processo da boa semeadura no aqui e agora para poder colher à frente.

Contudo, vivemos em sociedade e o nosso bem-estar ou desconforto depende em grande parte das ações dos outros. Convivemos. Isso significa dizer interdependência. O livre-arbítrio é limitado e relativo. Ninguém, nesse orbe de provas e expiações e no estágio em que nos encontramos, possui autonomia absoluta sobre sua existência.

Por isso, sempre é possível aventar a hipótese de que muitas coisas, não só as traumáticas, como no caso ora em análise, porém as do dia a dia e que passam despercebidas, são determinadas não pela nossa vontade, mas por determinismos sociais, econômicos, políticos, geográficos, climáticos, e pela vontade ou arbítrio de terceiros. Não ocorrem por obra do acaso ou de uma fatalidade cega. Têm uma causa, mas material e deflagrada no presente.

Não negamos a possibilidade de em episódios de desencarnações coletivas, especialmente provocadas pelas leis da natureza, grupos de indivíduos serem alcançados pela lei corretiva alinhada à justiça divina ou constituir uma resposta à reação a fato causal com raízes em vidas passadas. 

O que não nos parece lógica é a interpretação de que qualquer experiência mais impactante resulte sempre de processos expiatórios por erros cometidos no passado. É não reconhecer, por exemplo, que o mundo é de expiações e provas. Sim, provas escolhidas e solicitadas. 

Sobre o argumento das comunicações psicográficas atestando esse caráter expiatório, perguntamos o que elas provam? Apenas que nem todas as vítimas eram ‘inocentes’. Afinal, qual o caso de mortes coletivas em que todos os espíritos das vítimas se comunicaram?

E quanto à logística para reunir essas pessoas para desencarnarem juntas? Há quem afirme que elas próprias são atraídas para convergir ao local, dia e hora. Mas como seria possível marcar a data de uma viagem, às vezes, com meses de antecedência para esse fim, se ninguém poderia sequer imaginar que o presidente americano encontraria uma oportunidade para determinar aos drones atingir o general iraniano, desencadeando todas as outras consequências?

Dizem também que alguém providencia a reunião, no caso, os passageiros. Mas quem? Se espíritos maus, então estariam fazendo o Bem, fazendo vigorar a justiça divina ao provocar a expiação dos devedores. Soa estranho.

Se espíritos bons, estariam fazendo o Mal, pois empurrar alguém de propósito para a morte não parece ser uma boa ação em nenhuma circunstância, ainda que se relativize a importância do fenômeno da desencarnação.

Mas para Deus nada é impossível. Bem, aí já é demais.

Atos humanos temperados de negligência, imprudência, irresponsabilidade ou pura maldade são totalmente incompatíveis com as leis de amor, bondade e misericórdia esperadas de um Deus perfeito. Perdoem-nos os que pensam diferente.

 

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