ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 141ª edição | 09 de 2020.

Lentes Especiais

  • 1410202 1410202

Uma viagem do espírito no tempo

 

Como e o quanto o nosso olhar pode enxergar daquilo que já ficou à retaguarda?

Do passado desta atual encarnação é bem fácil, não é mesmo? Basta recorrer à memória. Mas e das reencarnações pretéritas, sem recorrer às regressões, o que fazer para entender como chegamos até aqui do jeito que somos? E o que realizar hoje e como preparar um futuro feliz em corpos materiais ou fora deles?

 

As vozes do passado

 

Pela observação de alguns aspectos da nossa existência atual, podemos obter pistas, especular e até deduzir sobre o que fizemos em reencarnações passadas. Uma questão, por exemplo, refere-se à justiça do que acontece conosco tanto em relação à saúde, relações familiares, desenvolvimento e sucesso profissional e outros mais. Como nos ensina Allan Kardec, dos efeitos remontamos às causas.

Uma observação atenta do que nos sucede na vida presente pode nos proporcionar o entendimento de tantos porquês que afetam o nosso dia a dia. De posse dessa compreensão, com certeza estaremos mais bem aparelhados para aceitar as vicissitudes pelas quais somos obrigados a passar.

Como espíritos imortais e sempre em ascensão pelas vias do progresso – a despeito dos eventuais períodos de estagnação – um rigoroso inquérito a respeito de nossas virtudes e defeitos, capacidade intelectual e acúmulo de experiências refletidas na conduta diária, no temperamento, maturidade consciencial, podemos avaliar em que grau evolutivo nos encontramos.

As relações afetivas como um todo e as familiares em particular, além de muitas vezes nos indicar núcleos de conflitos que, como vimos no primeiro parágrafo, envolvem o aspecto de justiça, facilita-nos a compreensão sobre as dificuldades enfrentadas nessa área. Diferenças e semelhanças, afinidades ou antipatias de hoje têm muito a ver com os êxitos e fracassos de que fomos causadores ou compartilhamos com um ou mais membros do atual grupo familiar. 

Outra área que merece atenção especial é a das tendências inatas. Somadas às possíveis experiências da encarnação presente, do conhecimento e análise delas depende em grande parte a aceitação do modo de ser e sentir as coisas e disposição para melhorá-las.

Novamente o temperamento, mas também as preferências pessoais, os detalhes da personalidade, a nossa maneira de ser e agir, as idiossincrasias podem nos dizer muito sobre o que fomos e fizemos, tipo de atividade, educação recebida, particularidades geográficas e climáticas, hábitos culturais e de lazer e adesão a determinadas crenças ou princípios religiosos.

Acima, digamos, das tendências, mas não dissociadas delas, consta o nosso caráter, autêntica identidade espiritual. O caráter é uma síntese de tudo o que somos e fizemos, de bom e de ruim. Quando examinado com rigor ele atesta para nós mesmos a verdadeira face do nosso ser e o lastro espiritual que possuímos.

Sabemos que todos os aprendizados frutos das experiências vivenciadas, o conhecimento adquirido, o progresso moral, não se perdem de uma vida para a outra. Constituem a nossa bagagem espiritual. Pois, dependendo da necessidade e oportunidade, muito desse conteúdo acumulado no passado, pode aflorar na vida presente através das ideias inatas.

Não chegamos a esta reencarnação analfabetos espirituais. Trazemos do passado a intuição de dons artísticos, vocações profissionais, talentos especiais, preferências por certas áreas de conhecimento.

 

O espírito no tempo presente

 

Possuímos a experiência do passado e a esperança do futuro, 

porém, só no hoje é que alcançamos a plena realização da vida.

 

Conhecedores da realidade das reencarnações, compreendemos que as experiências vividas nas existências anteriores estão adormecidas na atual, porém, não perdidas. Se prestarmos atenção ao nosso comportamento e ao que acontece conosco no presente, podemos ter boas pistas sobre como éramos e o que fizemos nas vidas passadas.

São as vozes do passado e que nos indicam as necessárias correções de rumo que devemos empreender se quisermos ser melhores e mais felizes. Vemos estampados em nós os efeitos da justiça divina, por exemplo, nas questões da saúde ou das posses materiais.

Pelo autoexame psíquico nos deparamos com as tendências inatas de comportamento, temperamento e preferências particulares que nos caracterizam o dia a dia. E nas ideias inatas, temos o reflexo de aprendizados e atividades intelectuais cultivadas. Defrontamo-nos com o ressurgimento de ligações afetivas que retornam nos laços familiares e de outras amizades, tanto quanto as antipatias e, não raro, aproximações com pessoas de sentimentos opostos e até inimigos, com a erupção de conflitos graves.

Em tudo que pensamos, sentimos e agimos estamos impregnados das marcas do passado e a observação atenta e isenta de autopiedade fala, às vezes, em alto e bom som à nossa consciência sinalizando o ponto que nos localiza na imensa estrada do progresso espiritual.

Daí a importância do estudo de nós mesmos, dos defeitos e virtudes conhecimentos e ignorâncias, sombras e luzes da própria alma. Precisamos descobrir pela autoanálise a essência deste passado, particularmente de suas fases mais recentes, para, com força de vontade e sabedoria, nos libertar dos equívocos e suas consequências negativas, preparando no presente o futuro de paz e luz que tanto almejamos.

 

Você nas próximas vidas

 

É provável que todos nós, reencarnacionistas, em algum momento da nossa vida já tenhamos tentado adivinhar o que fomos em nossas vidas passadas, não é mesmo? Mas você já se imaginou em cenários da sua próxima reencarnação?

Especialmente os mais velhos, será que já nos perguntamos o que gostaríamos de fazer na atual existência e não conseguimos e como seria consolador se pudéssemos ter novamente o tempo à disposição para realizar sonhos, alcançar conquistas, poder ter uma melhor convivência com os familiares?

A boa notícia é que isso é, sim, possível. Preparar o futuro a partir do presente; planejar, ao menos em parte, a próxima reencarnação, a partir da atual.

Plante hoje e colha amanhã, essa é a regra. Colhe hoje o que plantou ontem e se a qualidade da colheita nem sempre é boa, porém o consolo é justamente a possibilidade de poder selecionar melhor o que vai lançar a terra agora e ser recompensado com saúde, paz, amor, bem-estar geral nas existências vindouras.

As vidas são solidárias entre si; o passado, o presente e o futuro são segmentos de um único tempo e a alma ou espírito imortal totaliza, acumula o que já viveu, vive e viverá, num continuum sem fim em direção ao Criador.

Portanto, se quisermos saber o que seremos na próxima existência material, basta projetar a partir do que somos e fazermos na atual. E o que fazer para garantir um futuro feliz?

Para tanto devemos responder algumas questões. Devemos viver só em função do futuro? Até que ponto devemos sacrificar o presente? Não podemos desprezar o agora nem ignorar as necessidades atuais. Cada um deverá encontrar o seu ponto de equilíbrio.

Em relação aos compromissos que atendemos, por exemplo, dentro do Movimento Espírita, estaremos fazendo o combinado no mundo espiritual quando do nosso planejamento reencarnatório? Difícil responder uma vez que não recordamos a extensão da tarefa assumida. Por via das dúvidas e para evitar decepções e arrependimentos, melhor fazer o máximo possível.

Quantos de nós que diante da possibilidade de oferecer uma quota um pouco maior de serviço ou ao receber a solicitação de alguém no sentido de uma cooperação mais intensa, simplesmente alega necessidades pessoais francamente secundárias? Mais tempo para ao lazer, supostos cuidados com a família como se ela não pudesse ou estivesse impedida de desfrutar de atenção e tranquilidade suficiente e atenção já recebidas.

Naturalmente o respeito ao livre-arbítrio não pode ser questionado. Porém, sempre bom lembrar de que àquele a quem mais se der, mais lhe será cobrado. É o preço a ser pago por já estarmos no caminho iluminado do conhecimento espírita. É o sacrifício imposto aos que tanto recebem de consolo e esclarecimento. Mais que isso, é o tributo pago ao crescimento e ascensão espiritual que só se consumará se colocarmos na prática tudo aquilo que aprendemos na beleza da teoria.

O caminhar lento pode até nos levar ao destino, entretanto, traz consigo um tempo maior de exposição aos obstáculos da estrada. Quanto mais tempo presos às imposições materiais enquadradas em necessidades supérfluas, mais nos ressentiremos das vicissitudes características de um mundo de provas e expiações.

Ao passo que, vivendo no mundo, mas sem sermos do mundo, isto é, procurando nos libertar das ilusões materiais para flutuar acima de suas condições medianas, seremos menos imperfeitos e mais felizes. O trabalho disciplinado e constante no Bem é a receita, pois, para a garantia de uma vida feliz, desde a atual, mas, principalmente, da próxima. Ou das próximas!

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2021 / Desenvolvido por Leandro Corso