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Jornal Comunica Ação Espírita | 141ª edição | 09 de 2020.

Palavra dos Espíritos e dos espíritas

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Evolução Biológica e Espiritual 

 

Esta seção contém informações trazidas pelos Espíritos – nas Obras Básicas, complementares e recebidas mediunicamente em geral, além da elaboração de autores de livros, articulistas, palestrantes, etc encarnados. No texto que se segue incluímos opiniões e conclusões de estudos e pesquisas científicas.

Nem sempre é possível dispor as informações de maneira totalmente lógica, assumindo a apresentação mais uma aparência de coletânea, cabendo ao leitor a tarefa de compor um quadro geral que satisfaça à sua organização mental, priorizando esta ou aquela particularidade.

Começamos por uma definição e uma curiosidade. Léon Denis[1] compara a evolução a uma dolorosa gestação da consciência nos reinos inferiores da natureza. E Jorge Andréa [2] relata que Jacques Monod, Prêmio Nobel afirmou certa vez que “Evolução é um somatório de acaso e necessidades”, mas após desencarnado, na década de 1980, enviou uma mensagem mediúnica reconhecendo a importância do espírito. 

É, ainda, este mesmo autor [3] que reproduz o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, para quem o caminho evolutivo segue a sequência: a) instinto (só satisfação dos sentidos); b) paixões (instabilidade, explosivo); c) intelectual (pensamento analítico) e d) intuição (superconsciente). 

Agora vamos examinar alguns conceitos da evolução biológica, tendo por base o evolucionismo do naturalista e biólogo inglês Charles Darwin (1908-1882). Como se sabe, foi ele o formulador da Teoria da Evolução contida na obra “Origem das Espécies”, de 1859, apenas dois anos após Allan Kardec publicar “O Livro dos Espíritos”.

Mas Darwin não esteve só nessa empreitada, pois, ao mesmo tempo que ele, e até certo ponto em trabalho colaborativo, esteve outro inglês, Alfred Russel Wallace (1823-1913), este, aliás, simpático às ideias e pesquisador dos fenômenos espíritas.

Precisamente 50 anos antes, em 1809, o também naturalista, o francês Jean Baptiste Lamarck (1744-1829), havia lançado a obra “Filosofia Zoológica", onde expôs uma teoria com a qual pretendia explicar a evolução biológica através dos caracteres adquiridos. Tal teoria foi abandonada após Darwin, embora, mais recentemente, alguns estudiosos tenham sugerido que ela voltasse a ser reavaliada.

Pelo darwinismo, os seres vivos sofrem mutações genéticas e podem passá-las aos descendentes; estas mutações ocorrem por acaso e sem o objetivo de melhorar as chances de sobrevivência. Já Wallace defendia que a evolução das espécies dava-se por intervenção de uma inteligência superior e não por força do acaso. Na seleção natural, segundo ele, não haveria intervenção direta na matéria para corrigir os desvios causados pelo acaso, mas pelos espíritos superiores habitantes de universos compostos por fluidos etéreos.

Darwin era religioso e chegou a se preparar para ser pastor da Igreja Anglicana e morreu agnóstico após o impacto da morte da filha Annie aos 10 anos, mas chegou a ter contato com os fenômenos espíritas[4], participando, inclusive, de sessões de efeitos físicos. Sentou-se ao lado de um médium e segurou-lhe a mão, mas quando ia ter início, saiu após o que a mesa flutuou e materializaram-se flores.

Entre todas as propostas de Darwin a mais difícil de ser aceita à época era a de que o homem não é um animal superior e tem ancestral comum ao macaco; ele não disse que somos descendentes do macaco, mas que tínhamos antepassados primitivos comuns.

Darwin não conhecia o termo nem o significado de mutação genética que só surgiu a partir dos primeiros anos do século XX pelo holandês Hugo De Vries. Apesar do reconhecimento mundial pelo trabalho realizado, Darwin não é unanimidade, principalmente no seio de algumas religiões. O pastor Rob Bell[5], por exemplo, acha que “A teoria de Darwin é perfeita para explicar por que o mundo é como é, mas não acho que seja uma teoria pronta e acabada. O debate ainda não terminou”. 

Concordar com Darwin é aceitar que a existência de todos os seres vivos é regida pelo acaso e que não há nenhum propósito elevado no caminho do homem na Terra”

Por falar nisso, examinemos um pouco dessas correntes diferentes de pensamento sobre a evolução biológica. Há duas teorias[6]: Criacionismo e Evolucionismo. A primeira fundamenta-se na Gênese bíblica e subdivide-se em a) Teoria do Intervalo: intervalos longos para a criação do céu, Terra, seres vivos, etc; b) Teoria do Dia-era: cada um dos seis dias da criação é símbolo de milhões de anos; c) Teoria Progressiva: aceita o Big Bang e a maioria das teorias da Física Moderna, mas não há parentesco ou ancestralidade entre os animais e o homem; d) design Inteligente: versão mais próxima dos círculos acadêmicos e científicos. 

Na Teoria Evolucionista, também há duas grandes correntes: a) as que associam ideias filosóficas, científicas e religiosas e as puramente materialistas. A primeira é evolucionista-teísta, admite a Gênese como simbólica e não vê oposição entre ciência e fé. O outro, evolucionista-materialista não aceita a interferência de Deus.

A propósito, o autor da matéria recorda André Luiz (“Evolução em dois mundos”, 1ª parte, cap. 3, ‘Elos Desconhecidos’) em socorro aos cientistas para explicar as transformações pelas quais as espécies animais passam: “ ... razão pela qual variados elos da evolução fogem à pesquisa dos naturalistas por representarem estágios da consciência fragmentária fora do campo carnal... nas regiões extrafísicas onde a consciência incompleta prossegue elaborando seu veículo sutil... classificado como protoforma humana...”. 

O fixismo é uma variante do criacionismo bíblico e derivado também de Aristóteles para quem cada essência teria um mapa definido de potencialidades cujo desenvolvimento faria o progresso. Zalmino Zimmermann[7] comenta sobre diversos autores de diferentes teorias sobre a evolução biológica. Entre elas os vitalistas e neovitalistas para os quais o processo evolutivo seria o resultado da atuação do princípio da vida (força vital); e os progressionistas, com a existência de um componente finalista e seu o princípio da perfeição, ou força diretora.

Agora passemos às informações que dizem respeito mais às conexões da ciência e o conhecimento espírita. André Luiz afirma[8] que para o princípio inteligente caminhar dos vírus e bactérias à racionalidade humana, teriam, se passado mais ou menos 15 milhões de séculos. E acrescentou que a distância entre a alma dos animais e a do homem equivale à existente entre a alma humana e Deus.

E Emmanuel nos faz saber que a transição para este último estado foi auxiliada pelos espíritos superiores com intervenções nas formas perispirituais. Só lembrando queo mesmo mentor teria informado ao médium Chico Xavier que desde a década de 1940 já estava se processando a seleção de espíritos reencarnantes aqui, isso em termos da transição da fase de provas e expiações para o de regeneração.

Durval Ciamponi[9] contribui ao dizer que ao mudar de grau (animal para homem, por exemplo), o ser não o faz sozinho porque - 1º - não tem pensamento contínuo nem livre-arbítrio para escolher a espécie; 2º - ignora a natureza do corpo espiritual novo; 3º - se for para outro mundo, além dos dois anteriores, ignora a natureza dos fluidos deste mundo.

 E Eliseu F. da Mota Junior[10] explica que a experiência, o aprendizado modifica o mental (p. ex., o animal que sofre com o predador, aperfeiçoa seu instinto de conservação). Mesmo que seja vitimado, há reflexo no corpo astral e na mente rústica e na próxima vivência estará mais apto a sobreviver. Então, a experiência leva ao condicionamento novo (mental) gravado no corpo astral (e no homem, no perispírito) refletindo no físico mais capacitado.

Sobre uma frase muito utilizada no meio espírita para resumir a evolução espiritual, é ainda Zalmino[7] que elucida o seguinte. Hermes de Trimegisto, no antigo Egito teria estabelecido que “a pedra se converte em planta; a planta em animal; o animal em homem, em Espírito, e o Espírito em Deus. E teria vindo dos hinduístas o conceito de que “a alma dorme na pedra, sonha na planta, agita-se no animal e desperta no homem” e daí chegaríamos a Léon Denis: “Na planta a inteligência dormita; no animal sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente”. Aliás, diferente do que habitualmente ela é citada, por não incluir o mineral.

Mas segundo Flávio Távora Pinho[11], sem citar a obra, Emmanuel admite haver mesmo entre os “Espíritos estudiosos do assunto” dúvidas e até oposição sobre a ideia da evolução das espécies.

Discutível é algo que, se não pode ser dado como verdadeiro, por outro lado, pode ou deve ser melhor examinado e não menosprezado. É o caso da tese das almas-grupo encampada por alguns pensadores, inclusive no seio do Espiritismo. Mauro Quintella [12] remete o leitor para este termo empregado pelos filósofos orientais e aqui, no Brasil, por Jorge Andréa no livro “Dinâmica Espiritual da Evolução”. 

Segundo uma comunicação mediúnica citada por Quintella, o primeiro estágio do princípio inteligente seria o cristal e o segundo a alma-grupo no qual ele viveria numa simbiose psíquica com seres de sua espécie, pois não está individualizado. Isso não quer dizer que na alma-grupo vários animais partilhem a mesma alma, mas que suas almas se diferenciam muito pouco, vivendo em estado de interdependência. 

A alegoria do centésimo macaco formulada por Ken Keynes Junior[13] pode encontrar aí a sua explicação. Numa ilha um macaco passou a lavar o alimento antes de comer; logo os outros o imitaram. Mas não só eles. Os de outra ilha isolada também adotaram tal comportamento. 

Isso porque quando um indivíduo de uma espécie aprende algo novo, esse conhecimento é incorporado ao respectivo ‘campo causal’ ou alma-grupo, segundo Jorge Andréa[14]. As espécies inferiores ao homem, diz ele, possuem uma alma-grupo que coordena os seres ainda não dotados de livre-arbítrio.

A alma-grupo seria um campo vibratório exercendo o controle sobre a espécie a que o princípio inteligente se destina, um vórtice dinâmico atuando em dimensão superior e influenciando um conjunto de seres de modo determinístico.

Outro ponto interessante é o sentido evolutivo. Todos já sabemos, mas sempre é bom enfatizar que o espírito não involui, não retrograda. Na Revue [15], por exemplo, Kardec leciona que os “espíritos não retrogradam... os bons não podem tornar-se maus nem de sábios, ignorantes”, mas isso só se aplica “ao estado moral e não à situação material”.

Pode-se perguntar, então, sobre a questão dos “ovoides”, descritos pelo repórter do Além André Luiz. Este e outros autores comunicam episódios não só de involução morfológica do períspirito, mas até de desintegração total em casos de morte causada por incêndios ou explosões. Isso sem falar das situações mais comuns, envolvendo o monoideísmo, geralmente decorrente de processos obsessivos, inclusive auto-obsessões e de licantropia.

Embora essas informações careçam de maior investigação, a se tomarem como verdadeiras, lembremos que o períspirito é de natureza semimaterial, sujeita, portanto, em tese, a sofrer a desorganização morfofisiológica. E tal não caracterizaria retrogradação espiritual, pois, como bem acrescenta o Codificador, no caso de migração para um mundo inferior, ainda, assim, “aí serão o que eram antes moral e intelectualmente” (no exílio) e “de adultos não se tornarão crianças”.

 

Bibliografia:

[1] DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. 13 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1985.

[2] Revista Internacional de Espiritismo. Matão-SP: Clarim, setembro/1993.

[3] ANDRÉA, Jorge. Dinâmica Psi. Rio de Janeiro-RJ: Fon-Fon e Seleta, 1981.

[4] Universo Espírita, nº 07, março/2004. 

[5] Veja n° 2.297, 28/11/2012. 

[6] Reformador, nº 2.155, outubro/2008.

[7] ZIMMERMANN, Zalmino. Perispírito. 2ª ed. Campinas-SP: Centro Espírita Allan Kardec, 2002.

[8] XAVIER, Francisco Cândido. Pelo espírito André Luiz. Evolução em dois mundos. 3ª ed. Rio de janeiro-RJ: FEB, 1971.

[9] CIAMPONI, Durval. Perispírito e corpo mental. 1ª ed. FEESP: São Paulo-SP, 1999.

[10] JUNIOR, Eliseu F. da Mota. O que é Deus? 1ª ed. Clarim-SP: 1997. 

[11] PINHO. Flávio Távora. Interferências dos espíritos – aprendendo sobre o espírito. 1ª ed. Rio de Janeiro-RJ: Lorenz, 2003. 

[12] O Imortal. Cambé-PR, novembro/1987.

[13] DIVERSOS. A dança das energias. 1ª ed. Curitiba-PR: Centro Espírita Luz da Caridade, 2012.

[14] ANDRÉA, Jorge.  As forças sexuais da alma 6ª ed. Rio de Janeiro-RJ: FEB, 1995.

[15] KARDEC, Allan. Revista Espírita. Volume 1863, junho. 1ª ed. São Paulo-SP, 1985.

 

 

 

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