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Jornal Comunica Ação Espírita | 142ª edição | 11 de 2020.

A união no Movimento Espírita

Por Gezsler Carlos West

 

“Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei” – Jesus

 

         Ao terminar a primeira leitura de “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec eu me declarei espírita. Iniciei em um sábado pela manhã, finalizando-a na madrugada do domingo. A lógica de aço do seu conteúdo me impressionou. Li como se eu estivesse relendo, tamanha a sincronicidade entre as minhas demandas e as respostas encontradas.

Em transitando a posteriori pelo Movimento Espírita comecei a escutar com frequência as palavras união e unificação, logo percebendo que nem sempre geravam o mesmo entendimento nas pessoas. Aos poucos eu fui amadurecendo o assunto.

A união é uma obrigação moral entre todos aqueles que se definem como espíritas. É a alegria em estarmos próximos, trabalharmos conjuntamente em projetos afins, compartilharmos recursos e experiências, alimentarmos confianças recíprocas, entre outras posturas. Na essência é sermos fraternos.

A unificação, por apresentar algumas peculiaridades, merece uma estratificação analítica: unificação doutrinária e unificação administrativa. A unificação doutrinária não está no pensar igual, mas sim no alinhamento aos princípios básicos da Doutrina Espírita explicitados em “O Livro dos Espíritos”. De forma ampla podemos citar a existência de Deus, a imortalidade da alma, a comunicabilidade dos espíritos, a reencarnação, a pluralidade dos mundos habitados, a evolução, o livre-arbítrio, a lei de causa e efeito e a ética da fraternidade.

Se estes princípios são aceitos por uma pessoa, ela é espírita. Se nesta aceitação ela agregar uma transformação moral em relação a si mesma, em contínuo esforço para domar as suas más inclinações, ela é uma verdadeira espírita (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo XVII – Item 4).

Não podemos esperar o mesmo entendimento das pessoas sobre todos os temas abordados pelo Espiritismo. Teremos algumas interpretações diferenciadas devido às percepções evolutivas de cada uma, assim como do seu atual contexto vivencial. A unificação doutrinária deve se pautar nos princípios básicos do Espiritismo e não em compreensões pontuais e transitórias.

A unificação administrativa seria a busca por uma gestão agregadora, podendo variar dentro de um amplo espectro de modelos, desde algo participativo, descentralizado, democrático e com autonomia das instituições envolvidas até, em situações mais específicas, a uma unicidade administrativa. Cada caso dentro de suas realidades.

O assunto deve ser analisado com muito discernimento e respeito, sem qualquer tipo de pressão. O respeito não significa indiferença ou distanciamento, mas sim diálogo e compreensão diante do pensar diferente. 

A questão da unificação administrativa possui alguns aspectos, não raras vezes minimizados, que são “as prioridades, as interpretações doutrinárias e o modo de atuação” das instituições existentes, pois cada uma construiu ao longo do tempo a sua própria cultura organizacional. 

O fato de estarem todas sob o mesmo teto dos princípios básicos do Espiritismo, não significa a unicidade do pensar. Os princípios básicos sinalizam para a mesma direção, mas não obrigatoriamente a mesma trilha. 

Em ocorrendo grandes distâncias “nas prioridades, interpretações doutrinárias e modo de atuação”, é prudente e salutar continuarem dialogando, solidificando a união, aprimorando a unificação doutrinária, somando nas convergências, que sempre preponderam, tudo no mais amplo convívio democrático.

Dessa maneira todas estariam unidas, unificadas doutrinariamente e somando conjuntamente em prol do Movimento Espírita e da sociedade como um todo. Neste patamar de relacionamento, também já estariam dentro da conhecida simbologia do “feixe de varas”. 

Em ocorrendo pequenas ou médias distâncias, abrir-se-ia também a possibilidade de uma unificação administrativa, caso seja essa a vontade das instituições envolvidas, dentro de um modelo de gestão agregador que melhor se adaptasse à situação. Em sendo esse o caminho escolhido, seriam importantes alguns cuidados para não ferirmos a ética e o bom senso, onde destacamos a transparência, o respeito, a participação e o altruísmo. 

Em ambiente de maturidade emocional, a diversidade de opiniões é valorizada, pois o contraditório é o melhor antídoto ao fanatismo. Este geralmente chega devagarzinho, aproveitando-se das nossas vaidades, impaciências e condicionamentos nos grupos afins. Não nos acomodemos e nem nos vangloriemos em ambiente de unanimidade, pois poderemos nos aprisionar em uma “bolha do pensar”. Todos estamos deveras longe da verdade absoluta.

É vital na caminhada do Movimento Espírita termos como base a união, que é uma consequência inevitável da fraternidade, fortalecendo-nos nas atitudes de melhoria íntima e de cidadania na renovação social.

 

 

 

 

 

 

 

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