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Jornal Comunica Ação Espírita | 122ª edição | 08 de 2017.

Traços Biográficos

  • Casa da Família Fox, palco das manifestações do espírito de um mascate ali assassinado Casa da Família Fox, palco das manifestações do espírito de um mascate ali assassinado

As irmãs Fox protagonizaram os eventos marcantes dos raps em 1848 os quais despertaram a curiosidade no início e depois um interesse de estudo mais sério a respeito dos fenômenos espíritas. Mas elas três, Catherine e Margareth e Leah, a mais velha, fizeram muito mais do que isso.

A família, constituída pelos pais e sete irmãos, fazia  parte de um grupo de cerca de 60 grupos de religiosos ingleses (shakers), migrantes de 1837 que se estabeleceram em Hydesville, situada a 32 Km de Rochester, estado de Nova York. Esses grupos foram afetados de um modo ou outro por fenômenos espíritas. Comunicavam-se com eles espíritos de índios peles-vermelhas que aprendiam com eles pela doutrinação.

Em janeiro de 1848 ocorreram as primeiras pancadas. Nos últimos dias de março as manifestações se intensificaram, atingindo o auge no dia 31, tornando-se quase insuportáveis. As meninas passaram a chamar o espírito batedor de Mr. Splitfoot (pé rachado). Kate bateu palmas “conte 1, 2, 3, 4” e o espírito repetiu. A mãe das meninas fez um teste. Pediu que fossem indicadas as idades dos filhos e ele fê-lo certo até o sétimo; aí fez uma pausa e, com pancadas mais fortes, a do menor que havia morrido.

“É um ser humano? – Ela perguntou. “Não”, respondeu. - É um espírito? E ele deu as duas pancadas. E mais duas para dizer que havia sido assassinado naquela casa. O espírito via e ouvia porque Kate experimentou também apenas unir o polegar ao indicador e ele respondia ao “estalo mudo”. 

A Maggie informou, sempre pelo número convencionado de pancadas, que sua família era constituída de esposa e cinco filhos, vivos à época, mas depois ela morrera. O mascate Rosma – ou Joseph Ryon - fora degolado cinco anos antes, aos 31 de idade, numa terça-feira, à meia-noite, por um antigo morador da casa, Sr. Bell, por causa de 500 dólares (um ano de trabalho) e enterrado nos fundos da adega a três metros de profundidade. O próprio Bell acabaria assassinado algum tempo depois. Sobre ele, há um registro esclarecedor de uma mulher que trabalhara para a família.

Nas escavações em 1849, David Fox, o irmão mais velho das jovens médiuns, encontrou tábua, carvão, cal, cabelos e partes de uma ossada. O restante, segundo o Boston Journal, só foi encontrado por um grupo de garotos em 22/11/1904 sob uma parede demolida da casa junto com uma lata usada por mascates. A informação da localização do cadáver estava errada. O espírito, provavelmente, tendo se desligado do mesmo, desconhecia que este havia sido removido do porão. 

A família orou em vão. Na primeira noite chamaram uma vizinha e o batedor revelou com 33 pancadas a idade dela. Duzentas outras pessoas também vieram a casa após os primeiros fenômenos e em outra oportunidade reuniram-se 500 pessoas para ouvir ruídos que já não eram somente do espírito do mascate, mas de vários outros. Pouco a pouco famílias vizinhas também começaram a ouvir sons semelhantes. Logo a seguir houve fenômenos com o reverendo metodista e um diácono.

Margareth foi levada para a casa de David e Kate para a companhia de Leah e lá protagonizaram novos fenômenos. Em novembro de 1849 foram formadas três comissões. A cada uma que não descobria fraude, formavam outra, inconformados. Na terceira incluíram uma mulher que despiu Leah e Maggie (Kate não estava), submeteram-nas a exames brutais, amarraram os vestidos e elas de pé em cadeiras sobre almofadas isoladas por vidros e os ruídos continuaram longe delas e até deram respostas a perguntas mentais.

A família fugiu para a fazenda de David, mas o espírito foi junto. Leah, com 34 anos, que morava em Rochester, levou Kate com ela, mas aí os raps ocorriam nos dois lugares. Logo Leah levou Maggie consigo para fazer exibições públicas. Uma das vezes foi em 13/11/1849, no teatro Corinthian Hall, para 1200 pessoas. Kate não participou dessas primeiras apresentações. 

Seguiram-se outras agora também com Kate e o jornal Boston Courier ofereceu 500 dólares para Leah e Maggie provocarem os fenômenos diante de uma comissão de quatro professores de Harvard. Houve uma pancada ou outra, mas nenhum móvel levitou.

Na primavera de 1850, no hotel Barnun, de Nova York houve outras apresentações. Voltando a Rochester, a família fez um giro pelos Estados Unidos e retornaram a Nova York, sempre atendendo ao pedido dos espíritos para propagar a verdade.

Em 1869, a Sociedade Dialética de Londres formou uma comissão de 33 membros (sábios, literatos, prelados, magistrados) para “aniquilar para sempre” a ‘crendice’ da mediunidade das irmãs Fox. Depois de 18 meses foram obrigados a admitir a veracidade dos fenômenos.

Além da tiptologia, Kate produzia luzes, escrita direta, transportes e materializações. Em 1861 fez experiências na casa do banqueiro Livermore. Somente na 24ª sessão conseguiu o desenho de Estelle, a esposa falecida. Depois ela materializava-se. A cada sessão era mais completa até que na 43ª tornou-se totalmente visível com o mesmo rosto, fisionomia, porte, talhe, expressão, ideias, mesma escrita. Falava francês como em vida; sua caligrafia parecia fac-símile da quando em vida. Atitudes, modos, gestos, tudo fiel. Foram 338 sessões desde 1862, em Nova York, durante cinco anos consecutivos. Junto com ela materializava-se Benjamin Franklin também com o mesmo físico, caligrafia e idioma.

Em 1871, visitou a Inglaterra onde fizeram muitas experiências. Lá recebeu comunicações em francês, espanhol e italiano que ela não conhecia. Casou-se com um jurista londrino de renome, H. Jencken, em 1872, e na festa ouviram-se pancadas e a mesa com o bolo foi levantada, segundo o jornal The Spiritualism. A união durou até 1881 quando ele morreu. 

William Crookes, nos anos 1870, teria feito experiências com ela. Aliás, o sábio inglês relata que bastava ela pôr as mãos sobre algo e ouviam-se ruídos (árvore, fio de ferro, tamborim, chão e paredes), inclusive quando ela estava num gancho preso no teto, numa jaula ou desmaiada num sofá. 

Ela também foi visitada por Aksakoff. As batidas com ela ocorriam em qualquer lugar ou hora, até mesmo na rua. Um instrumento musical pesado foi movido e consertado pelos espíritos. Kate teve dois filhos, também médiuns e morreu em 1900. 

Maggie ficou nos USA e em 1885 casou-se com o médico Elisha Kane que a acusava de fraude e morreu cinco anos depois. Já Leah casou com um ricaço de Wall Street e desencarnou em 05/09/1890.

Houve um episódio de rixas entre as três e Kate fez uma retratação em 24/09/1884, mas a 16/11/1889 voltou atrás, pois a declaração anterior fora forjada pela penúria e pressão de inimigos do Espiritismo. Margareth também admitiu ter fraudado por dinheiro em 1888, mas tudo porque Leah acusara Kate de incapacidade para cuidar dos filhos. Um ano depois veio o desmentindo do ‘desmentido’ numa longa entrevista. Nela, ela contou como fora vítima de inimigos do Espiritismo, encarnados e desencarnados, muitos eram espertalhões que ganharam dinheiro à sua custa. Leah, sem dúvida, era a mais consciente sobre a responsabilidade com as consequências das faculdades que possuíam e dos fenômenos realizados.

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