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Jornal Comunica Ação Espírita | 122ª edição | 08 de 2017.

Conhecimento, Aprendizado, Práxis, Religião

Por Carlos Augusto Parchen

Diz-se que estamos em plena “Era da Informação”. Pura verdade. Pena que informação não seja sinônimo de aprendizado, de educação.

   Nestes tempos modernos, agitados, frenéticos, onde a comunicação parece ser a soberana nas ações humanas, em especial através das chamadas “redes sociais”, acaba-se esquecendo que informação sem conhecimento é como palavras lançadas ao vento em pleno deserto.

   Analisando do ponto de vista de que a humanidade deve buscar educar-se, precisamos lembrar a necessidade de que, além da informação transformar-se em conhecimento, este (o conhecimento) deve ser transformado em aprendizado e em educação, o que só é possível através da práxis. Entenda-se aqui práxis nos seus dois sentidos mais amplos: o “da prática efetiva do conhecimento adquirido” e o da “reflexão e ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo”.

   Nosso objetivo maior, como seres humanos e como sociedade, é transformar o mundo, torná-lo melhor, em todos os sentidos. Mas, se o objetivo é realmente esse, estamos fracassando, individualmente e como sociedade.  Essa percepção vem do diagnóstico de que a questão ética, a aplicação moral e as necessidades e direitos básicos do ser humano, parecem estar se deteriorando as nossas vistas, sob a complacência e leniência da nossa inércia obsequiosa.

   Parece que não estamos aprendendo, não estamos nos educando, apesar de todas as facilidades modernas da informação e da disponibilização do conhecimento. E de todas as “ameaças” que vemos surgir em nosso terreno horizonte.

   Urge, portanto, aprender a aprender! Urge buscar o aprendizado como ferramenta de mudança e de evolução. Nesse sentido, temos que nos lembrar que o aprendizado não pode prescindir da teoria e da prática. 

   Aprender significa estar apto a fazer. Para isso, é necessário que se conheça os fundamentos (teoria), mas que se desenvolva as habilidades necessárias à transformação destes em ações do dia-a-dia, através da prática, desenvolvendo aptidões na práxis cotidiana.

   Esse conceito é verdadeiro e deve ser aplicado a qualquer campo do conhecimento ou da atividade humana, inclusive no campo da ética, da moral e da religiosidade. Muitas pessoas ainda não perceberam como o processo de aprendizado é importante para a questão "religiosa".

   As próprias religiões acabam se esquecendo disso, pois repetem constantemente seus fundamentos religiosos e os simbolizam nos seus rituais (comunicação, informação), mas isso é exatamente e apenas a repetição da teoria e sua "memorização" pela significação simbólica (rito). 

   Atualmente muitas religiões, a pretexto da modernidade, da necessidade da comunicação e da informação, desenvolvem atividades nas diversas mídias de comunicação existentes, mas continuam abordando, única e exclusivamente, a sua “teoria”, a sua informação, sem efetivamente se preocupar no como transformar isso em aprendizado e como mudar a práxis de seus seguidores.

   Em decorrência, os seguidores dessas religiões acabam entendendo que a prática religiosa é apenas o estudo teórico dos conteúdos "sagrados" dessas religiões, seguido da "prática do rito", que nada mais é que a significação simbólica do conteúdo religioso teórico. Com isso entendem, erroneamente, estarem "praticando" sua religião.

   Essa visão distorcida acabou se generalizando. As religiões denominadas “Cristãs” parecem ignorar que a proposta do Cristo foi a de viver a Lei do Amor, demonstrá-la cabalmente, e não simplesmente “comunicá-la”. 

   Esquecem que o Evangelho do Cristo foi vivido, ou seja, praticado e não simplesmente pregado (comunicado, transmitido). A práxis da sua mensagem foi vivenciada ao sacrifício extremo pelo Cristo, efetivamente possibilitando uma “transformação do mundo”. A vida e a morte do Cristo foram a significação perfeita da práxis da Lei do Amor.

   No entanto, as religiões tradicionais preferem persistir na sua visão da prática do Evangelho como sendo ritualística, alicerçada por uma teologia específica, onde o meio de transmissão, ou seja, o ritual religioso, que deveria ser apenas mais um meio (pela repetição do simbolismo), se torna o fim por si só (a própria prática religiosa).

   Nesse caso, o praticante dessa religião tem a plena convicção de que se cumprir os preceitos simbólicos ou rituais, estará exercitando plenamente o que prega a sua religião. Isso se torna evidente, apenas como exemplo bem prosaico, quando a pessoa acha que consumir ou deixar de consumir determinado tipo de alimento, de modo geral ou em datas específicas, está sendo "religioso". Tudo isso acaba distanciando a teoria da verdadeira prática religiosa.

   Religião é o estado de estar ligado a Deus. A função das religiões é o de agregar indivíduos no objetivo comum de se ligar a Deus. Mas como se ligar a Deus?

   Só há um meio de se ligar a Deus. Estabelecendo uma relação de amor verdadeiro com Ele. Amor verdadeiro significa respeitar e cumprir a Lei Divina. Em todos os momentos da vida, em todos os atos da vida de relação, no dia-a-dia. Não somente na Igreja, Templo ou Casa Espírita. Não somente no cumprimento de rituais. A Lei de Amor não pode prescindir da práxis.

   Nessa vertente de análise, a religiosidade sem prática diária da Lei de Amor, em cada instante da vida, é como o conhecimento teórico ou como a informação veloz e fugidia. É como o conhecimento que se encerra em quem o tem, mas que não se transforma em aprendizado efetivo, pois não é vivenciado, não se transforma em habilidade, em aptidão, não se transforma em atitude transformadora do mundo.

   A atitude comodista, conformista, passiva e não comprometida com o exercício diário do autoconhecimento, do aperfeiçoamento pessoal, da evolução e da autoeducação, leva à completa inércia pessoal na busca das mudanças tão necessárias para a evolução de nosso mundo, para se ter um mundo mais justo, mais ético, mais amoroso, mais solidário, com menos sofrimento. Lembremos que a sociedade nada mais é que a somatória ou a resultante das atitudes individuais. Por isso estamos na situação difícil que enfrentamos.

   É muito cômodo ficar no ritualístico, no estudo teórico das Escrituras e Obras, na doação de “dízimos” e contribuições financeiras. E com isso se dizer “religioso”.

   Ter religião é praticar de maneira ativa o bem, o amor e a caridade, exemplificando, transformando. Essa é a prática religiosa. Esse é o Evangelho do Cristo. Tudo o demais é teoria.

   Busquemos, com urgência, a prática.

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