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Jornal Comunica Ação Espírita | 122ª edição | 08 de 2017.

Perguntas & Respostas

Reforma Íntima, por onde começar?

Reformar é mudar, dar uma nova forma. Íntimo é algo que está dentro de nós. Portanto, não guarda relação com a aparência exterior e, no caso, por extensão, nada a ver com o corpo, mas com as coisas da alma. Para mudar esta, de nada valem fazer dieta, exercícios ou cirurgias plásticas. As aparências enganam, reza o ditado. Porém, perante Deus isso nada importa. O que conta é o que somos verdadeiramente e não como os outros nos veem ou como queremos que eles nos vejam.

Fala-se muito em reforma íntima no meio espírita, mas a maioria de nós não sabe nem por onde começá-la e tem dúvida se realmente é necessária. Obviamente não há fórmulas prontas, entretanto a observação, a experiência e instruções diretas de quem sabe mais – referimo-nos aos Instrutores Espirituais – sempre podem ajudar.

No livro “Educação dos Sentimentos”, de Jason de Camargo, por exemplo, aprendemos que a vontade ‘inteligente’ para atender ao objetivo de realizar a tão famigerada reforma íntima tem que cumprir quatro estágios: motivação, deliberação, planejamento e execução.

Seja por iniciativa própria, instigado por terceiros ou constrangido pelas circunstâncias, chega um momento da evolução espiritual em que o indivíduo sente-se motivado a buscar uma nova feição de seus traços de caráter. Isso todo espírita já possui. Constantemente ele se vê ‘cobrado’ a mudar para melhor, nas formas de pensar, falar, sentir e agir.

Em geral, contudo, paramos logo aí. Para se seguir adiante é necessário decidir pelo início do árduo trabalho de combater as más tendências. Costuma-se dizer que querer é poder. Infelizmente, nem sempre isso é verdade. Muitas vezes nós compreendemos a necessidade de se tomar uma boa resolução, gostaríamos de ser melhores, mas nos falta determinação para colocar em prática a empreitada.

Assim, acabamos protelando indefinidamente o projeto porque, em realidade, ele ainda não existe em nossa mente. É um desejo vago, muitas vezes sequer esboçado e por isso nunca sai da teoria. Para avançarmos é necessário não apenas ter vontade, desejar, ter alguma razão fundamentada para aquilo, mas possuir ‘força de vontade’ ou força na vontade, capaz de nos tirar da acomodação. Uma vez, finalmente decidido, é hora de efetuar um planejamento o mais detalhado possível e, então sim, passar à fase da execução.

Mas para mudar é preciso saber o que precisa ser mudado. E, portanto, buscarmos o autoconhecimento. Quando dentro ou fora de casa alguém tece críticas ao nosso modo de ser, devíamos sempre ficar atentos porque, embora, não raro, as intenções deles sejam de nos ferir e esses apontamentos possam surgir carregados de exageros, o fato é que, quase sempre, eles refletem aspectos verdadeiros da nossa personalidade que nós não conseguimos ou não queremos ver.

Então, podemos contar com esses críticos como nossos professores indicando as deficiências que ainda fazem parte do nosso perfil. Mas o autoconhecimento, a introspecção sincera e imparcial, sem autopiedade, é a ferramenta principal com a qual podemos contar para promover um levantamento completo de como somos e, a partir daí, pensarmos como desejamos ser, ou seja, as mudanças ou reformas necessárias.

Dentre todos os tipos de educação a que os seres humanos deveriam ser submetidos, um dos mais importantes é a dos sentimentos porque são as expressões mais puras das virtudes – ou defeitos – que agasalhamos em nossa alma. Em paralelo, é fundamental a vigilância e controle dos pensamentos, pois que constituem a raiz de todas as nossas ações.

Ao fazê-lo estamos voluntariamente alcançando a alforria do jugo dos instintos, substituindo-os pela utilização da razão que, pelo livre-arbítrio, permite as escolhas corretas. Do modo de pensar, derivam as palavras – e quantas delas de teor inferior podemos evitar logo com o início do processo de reforma íntima – e os próprios atos.

A educadora espírita Dora Incontri afirma que Educar moralmente é despertar a consciência, estimular sentimentos fraternos, solidários e não violentos, conquistar uma vontade livre, achar na alma o que ela tem de melhor e deixá-la fazer a si mesma.

Jason de Camargo, na obra já citada, lembra que o fluxo mental não se constitui só de pensamentos, mas também de sentimentos, emoções, desejos e vontade. Um estudo também ali relatado revela que ressentimento e cólera crônicas aumentaram o cálcio nas artérias coronarianas que levam à isquemia.

Matéria da revista Veja, de 31/05/03 ouviu de especialistas que os pensamentos e sentimentos negativos contribuem para o surgimento de moléstias e atrapalham o restabelecimento dos doentes. Rancor, hostilidade, ressentimento e angústia podem estar na origem de distúrbios cardíacos, hipertensão, depressão, ansiedade, insônia, enxaqueca e infertilidade e debilita sistema imunológico.

A questão 908 de “O Livro dos Espíritos” ensina que as paixões são como um corcel, que só tem utilidade quando governado e que se torna perigoso desde que passe a governar. Jason, por sua vez, lembra a Q. 886: a necessidade da benevolência com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas. “Não mudar os pensamentos pessoais errados petrifica o sofrimento na alma”, diz ele. 

Sabemos haver uma relação estreita entre os neurotransmissores cerebrais, as emoções e sentimentos e as energias espirituais que fluem pelo perispírito. O ser humano encarnado é um todo complexo em que corpo físico, perispírito e espírito estão em constante interação.

A reforma íntima completa implica em nos desfazermos de tudo que não combina com as leis de Deus. Obrigatoriamente passa pela substituição do homem velho pelo homem novo e renovado para o Bem e para a Luz, mas é obra talvez de séculos. Apesar disso, não podemos achar que por ser tarefa de tamanha envergadura somos incapazes de realizá-la parcialmente desde hoje.

Talvez se aplique aqui com certa propriedade uma frase do dramaturgo e poeta Bertolt Brecht: “Há homens que trabalham um dia e são bons; há aqueles que lutam muitos anos e são muito bons, mas há os que lutam toda a vida, esses são imprescindíveis”. 

Imprescindíveis para quem, perguntaríamos e poderíamos responder: Um ser humano nesse estágio, totalmente reformado, reconstruído em si mesmo, torna-se imprescindível para os seus semelhantes, para Deus como nobre exemplo e auxiliar, contudo, principalmente, para si mesmo por ter saído das sombras das trevas para o esplendor da perfeição relativa e ter se erguido dos escombros de erros e ignorância para atingir o brilho das estrelas.

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