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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 123ª edição | 09 de 2017.

Perguntas & Respostas

Por Wilson Czerski

Aqui se faz, aqui se paga

Perguntas que se nos impõem. O dito popular acima está correto ou não? Muita gente coloca em dúvida a própria justiça divina por não ver em grande número de situações os indivíduos responsáveis por muitas práticas claramente conflitantes com as leis morais receber a devida punição.

Ao olhar mais desatento, de fato, nem sempre se paga pelos erros cometidos. Muitos delinquentes de variada ordem parecem escapar ilesos tanto da justiça terrena como da divina. Porém, se a primeira apresenta-se, ainda, muito imperfeita, para a segunda, o tempo não é divisível em passado, presente e futuro e as existências são todas solidárias, graças ao mecanismo da reencarnação.

Mas, então, paga-se onde e quando? Ou dito de outra forma: paga-se só aqui na Terra? O Código Penal da Vida Futura, em “O Céu e o Inferno” contém esclarecimentos importantes a respeito. Para expiarmos – ou corrigirmos – nossos equívocos, temos mais de uma possibilidade, independente do tríplice requerido de arrependimento, expiação e reparação.

Se a justiça terrena nem a divina não alcançar o infrator no presente, por certo começaremos o processo de reajuste perante a última após a desencarnação. Como quase nunca é possível atender totalmente aos impositivos das leis naturais longe das experiências corpóreas, será nestas, na próxima ou próximas reencarnações que teremos a oportunidade de complementar a correção de rumos.

Finalmente, até desmentindo um pouco mais a crença popular bem intencionada de que aqui se faz e aqui se paga, sabemos da possibilidade de o espírito devedor ter que enfrentar mais definitivamente a sua consciência em existências em outros mundos.

É o que teria acontecido com os capelinos que para cá vieram por não se enquadrarem mais nos padrões morais então vigentes em seu planeta de origem, embora possuidores de respeitáveis valores intelectuais. E é o que acreditamos já estar ocorrendo agora em sentido invertido, isto é, o exílio compulsório decretado pelos dirigentes espirituais da Terra aos que relutam em alinhar-se com os princípios da paz e da fraternidade que devem prevalecer em algum momento por aqui, transformando a Terra em palco de regeneração em substituição ao estágio atual de provas e expiações.

A predeterminação no gênero de morte

 

Começamos a morrer no dia em que nascemos, afirmou o filósofo. Alguém outro, para lembrar a transitoriedade da vida material e a imprevisibilidade de seu término foi sábio na obviedade ao dizer que para morrer basta estar vivo.

Pois bem, então já que ela é tão certa quanto 2+2= 4, nada demais falarmos na morte, não é mesmo? Aliás, quanto mais estivermos familiarizados com ela, deixarmos de vê-la como uma vilã cruel e assustadora, tanto mais fácil para quando chegar o momento do nosso encontro, sejamos nós os anfitriões de sua visita ou alguém outro da nossa convivência.

Sabemos que há vários gêneros de morte que podemos dividir em dois tipos principais: naturais e provocadas ou violentas. No primeiro grupo há as que ocorrem por enfermidades e as ocasionadas pela velhice. Já no segundo grupo cabem os homicídios, suicídios, acidentes naturais ou provocados pelos próprios homens, incluindo as catástrofes diversas.

Modo geral, quando estamos ainda na dimensão espiritual se preparando para reencarnar, ao efetuarmos o nosso planejamento da futura reencarnação, já fica mais ou menos definida a causa da morte. Estudando bastante o assunto, porém, cheguei à conclusão que apesar disso, muitas vezes isso não significa que realmente vai ser daquele jeito.

As decorrentes de uma doença hereditária, por exemplo, presente na vida do indivíduo, certamente representava uma provação ou expiação e a desencarnação provavelmente também já estaria prevista. 

As desencarnações prematuras (crianças, jovens) geralmente também estavam previstas (a menos que ocorram por negligência médica ou resultantes de agressões ou acidentes evitáveis). Representam, dizem-nos os Espíritos Instrutores, um complemento a uma vida anterior que foi interrompida, pelo suicídio, por exemplo, ou por alguma razão fora do controle daquele espírito.

Nas desencarnações por velhice, não é o espírito que abandona o corpo, mas as condições orgânicas que não conseguem mais mantê-lo ligado ao corpo; é como uma lâmpada que se apaga. 

Mas nas mortes violentas de todo tipo não é sensato se afirmar que todas elas, de um modo ou outro, ocorreriam porque esse já era o destino daquele ou daqueles indivíduos. Há várias situações que, se bem estudadas, põem por terra essa tese da predeterminação absoluta.

Planejamos, sim, a futura existência antes dela começar, entretanto, ao aportarmos à vida física, estamos a todo momento reescrevendo a nossa história e, portanto, refazendo escolhas e caminhos. Razões para isso não faltam: término de uma provação ou expiação; moratória para conclusão de um projeto especial, abusos da saúde com morte prematura por outra causa, acidentes provocados por terceiros que “não estavam escritos” para acontecer, etc.

O importante é sempre confiar em Deus, mas fazer a nossa parte e entender que a morte, sobrevenha ela quando e do modo que for, é fato natural e, principalmente, que após ela, a vida imortal continua triunfante. Jamais morremos, apenas nos transferimos daqui para lá de lá para cá.

 

Infertilidade e lei de causa e efeito

Uma última pergunta: “Se problemas de ordem sexual, como a infertilidade, por exemplo, é decorrência da lei de causa e efeito, insistir com terapias para conseguir ter filhos não caracteriza uma interferência na lei de Deus?”

Supondo que realmente o problema tenha suas raízes em vidas passadas, ainda assim, vale aqui o mesmo que para qualquer doença com a qual o indivíduo já seja portador ao nascer ou venha a adquirir ou desenvolver depois.

No capítulo V do “Evangelho Segundo o Espiritismo”, em seu item 26, os Sábios Instrutores são textuais: Perguntais se é licito ao homem abrandar suas próprias provas. Essa questão equivale a esta outra: É lícito, àquele que se afoga, cuidar de salvar-se? Aquele em quem um espinho entrou, retirá-lo? Ao que está doente, chamar o médico? As provas têm por fim exercitar a inteligência, tanto quanto a paciência e a resignação. Pode dar-se que um homem nasça em posição penosa e difícil, precisamente para se ver obrigado a procurar meios de vencer as dificuldades. O mérito consiste em sofrer, sem murmurar, as consequências dos males que lhe não seja possível evitar, em perseverar na luta, em se não desesperar, se não é bem-sucedido; nunca, porém, numa negligência que seria mais preguiça do que virtude.

Ora, as disfunções sexuais são anormalidades no estado de saúde e tratá-las é buscar o bem-estar correspondente à sua cura. Para isso contribui a ciência, cada vez mais avançada. Se mesmo assim, os resultados não forem os desejados, cabe a paciência e a resignação, conforme dito pelos Espíritos acima.

Mas nem por isso a pessoa é obrigada a deixar de lutar até porque, possivelmente, a lição, em dado momento, pode ser dada como completada. Ou seja, os efeitos negativos de posturas inadequadas na área, em outra época, podem estar esgotados ou os benefícios do aprendizado para o futuro sejam mais significativos do que a continuidade do sofrimento.

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