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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 125ª edição | 01 de 2018.

Livros que eu recomendo

Por Wilson Czerski

Missão impossível. Bem que tentamos, mas o resumo da obra toda feito para uso pessoal, ocuparia uma edição completa de texto corrido deste jornal, sem ilustrações, subtítulos ou boxes. O que fazer? É uma obra portentosa, de quase 500 páginas e o melhor mesmo é se dispor a sua leitura integral. Fazer diferente é mutilar quase criminosamente esse trabalho gigantesco.

Aqui temos que nos contentar em atirar algumas informações ao léu. Nem de longe constituirão um conjunto mal arranjado. Apenas iscas para atrair todos aqueles leitores ávidos de conhecer a fenomenologia mediúnica de efeitos físicos e que nem sobre a obra haviam sido informados e outros que, de um modo ou outro, sempre evitaram se confrontar com um livro que exige bem mais do que algumas poucas horas.

O leitor espírita não pode ser preguiçoso, contentando-se com resumos, apostilas, referências esparsas. O verdadeiro aprendizado cobra o preço da dedicação, força de vontade e disciplina. Não há outro caminho se não se quiser permanecer somente na superfície do conhecimento doutrinário.

Para aqueles que gostam da alternativa e querem eximir-se do custo da versão impressa, o livro pode ser baixado gratuitamente da internet em http://lelivros.love/book/baixar-livro-historia-do-espiritismo-arthur-conan-doyle-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/. Da minha parte, mesmo dispondo dessa possibilidade, devidamente salvo no computador, não abri mão da forma tradicional que carreguei durante várias semanas onde quer que eu fosse.

O título do livro não é gratuito. Arthur Conan Doyle, o criador do célebre detetive Scherlock Holmes, como se pode ver na seção Traços Biográficos, não foi meramente um historiador dos fatos espíritas ocorridos num período de meio século. Ele próprio foi espírita convicto e experimentador direto dos fenômenos.

Saboreie, caro leitor, nas linhas abaixo, um pouco do que ele soube, estudou ou viu sobre os maiores médiuns como Swedenborg, Daniel Douglas Home, Elizabeth D’ Esperance, Irmãos Davenport, irmãos Eddy, as irmãs Fox, Eusápia Paladino, Mrs. Piper, Florence Cook, Henry Slade. Sobre alguns destes nomes nós já nos manifestamos em edições passadas ou o faremos nas futuras, na seção Traços Biográficos.

Raps como os de Hydesville já tinham ocorrido em 1661 na Inglaterra, na casa de Mrs. Monpesson, em Oppenhim, Alemanha, em 1520, e em Epworth Vicarage, em 1716, mas ninguém se dedicou a estudá-los a fundo.

Numa sessão com Kate Fox em Londres, em novembro de 1871, estava presente William Crookes; dela também participou D. Home. Uma mão luminosa desceu à mesa, pegou o lápis, escreveu, subiu e se dissolveu. Kate, em certa ocasião, foi testada e fez psicografia especular em latim.

Não só com Florence, mas, também, por exemplo, com a médium americana Besinnet, Crookes comprovou que quando a força psíquica é insuficiente ou no início, a materialização, principalmente do rosto, se parece muito com o da médium.

Uma comissão, do Instituto Geral Psicológico de Paris fez três séries de sessões com Eusápia Paladino em 1905, 1906 e 1907, 43 sessões ao todo. Fizeram parte da Comissão, entre outros, Charles Richet, o casal Curie e o reitor Darbiew, da Sorbonne.

Doyle conheceu Mrs. Osborne Leonard que numa mesma manifestação podia falar na primeira pessoa como na terceira, duas entidades, a segunda ‘anunciando’ a primeira. Certa vez, ele viu figuras (rostos, objetos), através de uma bola de cristal. Não havia revelações do passado ou do futuro.

Sobre os fenômenos de voz direta, ele explica que eles ocorriam a metros de distância do médium, sendo que uma corneta de alumínio era disponibilizada para “materializar” as cordas vocais do espírito naquilo que fazia o papel de uma câmara escura. Às vezes duas ou três vozes falavam ou cantavam ao mesmo tempo, portanto descartava-se a hipótese de ventriloquia. 

Doyle ouviu uma médium, Mrs. Wriedt. A corneta ficava suspensa no ar e tocou o teto, mas a médium, de pé na cadeira, mesmo com o braço esticado e segurando a corneta, esta não tocava lá em cima. Doyle experimentou com pelo menos 20 diferentes médiuns de pneumatofonia. 

Com o médium John, de Toledo, Doyle viu várias materializações desfilarem fora da cabine, conversar até 20 minutos. Com Miss Besinnet, ele reconheceu sua mãe e um sobrinho morto na guerra. 

Doyle afirma ter tocado o ectoplasma certa vez. Crawford comprovou a perda de peso da médium entre 10 e 15 libras, mas em certa ocasião foram 52 libras. Com o coronel Olcott e os irmãos Eddys até mais que isso. Doyle diz que assistiu a uma sessão com cerca de 20 materializações de formas e idades diversas com outro médium fora da cabine. Só os espíritos saíam dela. Nesse caso os ‘vapores ectoplasmáticos’ eram levados para dentro independentemente da posição do médium.

O coronel Olcott, que fora designado para verificar os fenômenos, viu durante 10 semanas mais de 400 aparições saindo da cabine, de todas as formas, tamanhos, sexo e raças: crianças de colo, guerreiros índios, cavalheiros em trajes a rigor, um curdo com uma lança de três metros, índia pele-vermelha fumando, senhoras com vestidos elegantes.

Com o médium Evan Powell, uma estante de 60 libras ficou suspensa sobre a cabeça de Doyle. Em outro momento o autor descreve detalhadamente um caso de transporte testemunhado por ele: o ninho com ovos de pardal indiano; também tijolos assírios ou falsificados em Bagdá. Curioso, ainda com o médium Bailey, Doyle pergunta sobre como o fenômeno é realizado. “Está além de vossa ciência, mas por analogia, é como o vapor d’água que se transporta e condensa”.

Doyle experimentou a escrita direta em lousas com Mrs. Pruden, de Cincinatti. Ele e mais uma pessoa perguntaram, em um papel dobrado, e o espírito respondeu na lousa, citando um nome não incluído na pergunta de Doyle. 

Doyle mediu as pulsações do médium Tickenor quando ele estava normal e depois com duas entidades diferentes: 82, 100 e 118.

O marechal do ar da RAF, Lord Dowding, primo do último rei, protestante, adotou o Espiritismo e fez aprovar uma lei no Parlamento permitindo o exercício da mediunidade porque pelas leis então vigentes já haviam condenado mais de 50 mil médiuns a multas e prisões. Gustave Geley convidou 100 cientistas para assistir sessões de materializações parciais em parafina, muitas à luz do dia.

Muitas declarações de bispos anglicanos a favor do Espiritismo como na Conferência de Lambeth onde uma brochura de um deles, com autorização do arcebispo, foi distribuída a todos os bispos.

Entre tantos, o prof. James Mappes foi mais um que só se convenceu da realidade mediúnica quando, através da faculdade da própria filha, recebeu mensagens de seu pai que, para comprovar sua identidade, indicou a página de uma enciclopédia que ele não mexia há 27 anos e que tinha o nome dele, o espírito, escrito nela.

Uma médium alemã, Anna Rothe, antes mesmo de ser julgada, ficou 12 meses e três semanas presa acusada de fraude. No fim, foi condenada a oito meses e multa, isso em 1902. Um juiz depôs a seu favor afirmando que seu pai e a esposa falecidos haviam se comunicado com ele e flores raras tinham sido transportadas para o ambiente iluminado.

Há um capítulo tratando só das fotografias transcendentais com as quais Doyle também se ocupou pessoalmente e cuja primeira notícia é de 1851, com Richard Boursnell. Em 1861, William H. Mumler, em Boston. Na Inglaterra, Hudson obteve a primeira fotografia em 1872. Um desconhecido do médium obteve um retrato de dois de seus filhos mortos. Alfred Russel Wallace teve um de sua mãe por este médium.

Stainton Moses, em livro, escreveu sobre uma médium com a qual foram retratados 110 espíritos, todos bem diferentes uns dos outros; alguns foram identificados.

Muitos espíritas atuais reclamam que Arthur Conan Doyle fez poucas referências a Allan Kardec. De fato, o Codificador somente é citado em um capítulo, no 21, de um total de 25 e mesmo assim apenas por cerca de sete páginas. As justificativas estão contidas na apresentação da obra e basicamente porque o papel de Kardec só foi melhor avaliado depois da obra ter sido escrita e até da morte de seu autor, Conan Doyle. 

No capítulo referido, ele afirma que “O Espiritismo na França se concentra na figura de Allan Kardec cuja teoria característica consiste na crença da reencarnação”. Na época, para os ingleses e quase todos os estudiosos do assunto no mundo inteiro, o interesse estava centrado no exame dos fenômenos mediúnicos de efeitos físicos e não nos aspectos morais ou filosóficos.

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