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Jornal Comunica Ação Espírita | 125ª edição | 01 de 2018.

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Casamento: reunião de espíritos

Os tempos são outros e a única coisa que não muda é que tudo está sempre mudando, dito em outras palavras pelo filósofo. Concordamos em parte. A afirmação vale para as ciências, para a paisagem terrestre, as estações do ano, nosso rosto no espelho e os costumes sociais. Mas há coisas imutáveis como as leis de Deus que são atemporais e universais.

Mudou a forma da constituição familiar, muitas leis terrenas sobre ela, os limites do que é normal e aceitável e o que não é. Porém o amor, a responsabilidade moral e as consequências espirituais permanecem iguais. Não importam os sofismas, a permissividade geral, o relativismo ético. 

O casamento – oficializado ou não – ou simplesmente união conjugal, pressupõe o desejo e a necessidade de compartilhamento de experiências onde 1+1 é mais que 2, mas 2 quando dividido é menos do que UM porque a união quando se desfaz empobrece ambas as partes. 

A Doutrina Espírita, por olhar os problemas humanos sempre com a perspectiva de vida futura, para muito além da atual experiência terrena, não se rende aos modismos nem das uniões casuais muito menos das que têm seus términos prematuros decretados pela irresponsabilidade. A sua saudável postura oposta, de responsabilidade perante o compromisso, é pouco vista atualmente. Em alguns meios em especial, com mais intensidade, e na sociedade em geral, troca-se de marido e esposa como se troca de carro ou o corte de cabelo.

Via de regra, as uniões representam o reencontro de espíritos comprometidos por lesões morais ao outro ou para dar continuidade a tarefas não concluídas ou mesmo novos desafios. Na classificação de Martins Peralva, em “Estudando a Mediunidade”, encontramos cinco tipos de união: acidentais, provacionais, sacrificiais, afins e transcendentais. Já para o autor espiritual André Luiz (“Nosso Lar”), há quatro tipos – por amor, fraternidade, provação e dever.

Detalhemos um pouco mais. Nas acidentais há a predominância da atração física (instinto), da paixão e, por consequência, sua base está no sexo. Poucas vezes evolui para o amor verdadeiro e por isso costumam ter pouca duração. Ainda assim, estabelece vínculos para o futuro, tanto bons como maus.

Os provacionais são os mais comuns porque tal como nos outros grupos sociais, no âmbito familiar – e aqui, principalmente –, temos muito ainda a reajustar e aprender. Já nos sacrificiais, um dos cônjuges aceita por abnegação dedicar-se ao outro e eventualmente aos filhos de modo a quase só oferecer e nada receber. Ou melhor, só receber indiferença, ingratidão, maus-tratos etc.

São cada vez mais raros porque os costumes socais e a legislação humana têm facilitado e mesmo incentivado o rompimento de uniões onde um faz o papel de algoz e o outro só o de mártir. Não obstante, vemos um dos dois ser o esteio familiar, é a pessoa que corre para tudo não só para resolver os problemas dos que vivem sob o mesmo teto, mas de filhos casados, netos, sobrinhos, e estende a atenção muitas vezes aos amigos, vizinhos.

A Doutrina Espírita, por sempre olhar com a perspectiva de vida futura,não se rende aos modismos nem das uniões casuais muito menos das que têm seus términosprematuros decretados pela irresponsabilidade

Depois temos as uniões de almas afins, equilibradas, harmonizadas entre si e que escolhem prosseguir, às vezes, por varias encarnações juntos para cooperar no progresso mútuo e/ou com propósitos de, pela aproximação e convívio, trabalhar metas específicas pelo bem da humanidade.

Finalmente, as transcendentais, muito raras ainda por aqui.

Voltemos, porém, às acidentais ou casuais. Há quem pense em nosso meio que casamentos múltiplos, todos, têm ligações com o passado. Baseiam-se, principalmente, em André Luiz, (“Evolução em dois Mundos”) quando ele fiz que: “... não existem na Terra uniões conjugais, legalizadas ou não, sem vínculos graves no princípio da responsabilidade assumida em comum”.

Ora, o que ele diz ali pode bem se referir somente às consequências futuras e não necessariamente sobre vínculos do pretérito. Por isso preferimos ficar com Richard Simonetti no livro “Para ler e refletir”: um casamento pode estar programado no destino, múltiplos cheiram a “desatino”. 

O mesmo afirma, em outras palavras, Rodolfo Caligaris no livro “A vida em família”: dizer que todas as uniões são planejadas é um erro. Esse “destino” nem sempre ocorre. 

No jornal “O Imortal”, junho/2003 (reprise da entrevista de junho/1984), Divaldo P. Franco afirma que: “... há uns casamentos programados e outros que a precipitação provocou. A inexperiência do jovem, a prevalência da natureza animal... faz com que ele assuma compromissos que não estavam adredemente estabelecidos.

E, ainda, Caligaris: “a felicidade conjugal cobra um preço bem alto, tão alto que só poderá ser pago a longo prazo, enquanto dure o casamento, em moedas de humildade, compreensão, paciência e renúncia”.

Na cerimônia católica o sacerdote profere a famosa frase “até que a morte os separe”; diríamos nós: até que a morte do amor os separe. Mas quando se casa não por amor, mas por paixão, por exemplo,  então casaram-se, mas não se uniram ou já casaram separados. Houve atração carnal, mas não a afinidade de almas.

No livro “Nossos filhos são espíritos”, Hermínio de Miranda faz um belíssimo arrazoado a respeito: todos temos dificuldades no casamento. Estamos aqui para esmerilhar arestas, corrigir desafeições, ampliar afetos, cultivar entendimentos, pacificar antigos rancores, testemunhar dedicações e devotamentos. É que as harmonias da paz não se compra na farmácia ou no supermercado; é trabalho lento e difícil para uma vida e até mais. Exige compreensão, tolerância, renúncia... A família é a nossa universidade. Ou saímos dela, diplomados, com mestrado ou PhD ou interrompemos o curso das esperanças. Não faltou experimentação. Já se tentou de tudo, numerosas fórmulas e processos foram testados, mas o modelo antigo resistiu porque a falha não está no modelo, mas nas pessoas. A falência do sistema começou a partir do momento em que se separou sexo do amor. Há uma dicotomia mais ampla: matéria e espírito na qual, o amor é atributo do espírito e sexo instrumentação meramente biológica. Recorre-se ao artifício da paixão que em vez de chama que ilumina e aquece, é labareda que consome e logo se extingue em sombras... não há esforço ou sacrifício, tolerância ou compreensão que sejam Deus. Se o preço parece excessivamente alto é porque a dívida é igualmente vultosa.

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