ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 126ª edição | 03 de 2018.

Fatalidade, Destino ou Livre-arbítrio?

Por Joilson Mendes

Este tema é motivo de várias discussões nos grupos de estudos. Sempre fica a dúvida se determinado acontecimento foi uma fatalidade, se estava no destino daquela pessoa ou foi livre arbítrio. Qual a explicação dada a Kardec pelos espíritos?

Utilizaremos por base o caso da mãe grávida que foi baleada na cabeça, em uma tentativa de assalto, no Rio de Janeiro, em 13/01/18. Mas nem ela e nem o bebê ficaram com qualquer sequela. Os grifos no texto são para destacar a relevância das respostas apresentadas pelos espíritos.

Consultamos especificamente O Livro dos Espíritos, onde consta que um dos atributos de Deus é ser soberanamente justo e bom, logo, podemos deduzir que tudo o que nos acontece está enquadrado na justiça divina, caso contrário, ao admitirmos uma injustiça, Deus não existiria e não teríamos razões para continuar com este artigo.

Logo nas primeiras questões, Kardec pergunta se é dado ao homem conhecer o princípio das coisas (Q.17/18). Os espíritos dizem que o homem não pode conhecer tudo e à proporção de sua evolução poderá compreendê-las. Por mais que nos esforcemos para entender certos acontecimentos na vida, não temos a capacidade para uma compreensão plena. No caso em análise, é impossível afirmar que é isso ou aquilo, apenas levantar algumas suposições.

Nas (Q.258/259), foi perguntado se antes de começar uma nova existência o Espírito tem consciência e previsão das coisas que acontecerão durante sua vida. E a resposta é que ele mesmo escolhe o gênero de provas que quer passar, porém, os detalhes são consequência da situação em que vive e de suas ações.

Assim, o espírito escolhe passar por uma experiência terrena de privações materiais, ou viver na abundância, ser uma pessoa de destaque na sociedade, passar por momentos dificultosos, ter uma morte violenta, etc. Perceba que o espírito fez a escolha do gênero, mas os detalhes de como poderá acontecer não são revelados.

Nas perguntas de 851 a 866, Kardec insistiu sobre o tema e os espíritos foram taxativos em apresentar sempre a mesma resposta. Mesmo o codificador tendo feito as perguntas de maneiras diferentes, para ver se os espíritos entrariam em contradição, uma frase era repetida por eles, a de que a fatalidade somente se configura pelas escolhas que nós mesmos fizemos antes de reencarnar. Logo, temos o livre-arbítrio pela escolha feita e a “fatalidade”, também pela escolha que fizemos.

E aquelas pessoas a quem tudo de ruim acontece na vida? A pessoa vive doente, nunca tem dinheiro suficiente para comprar medicamentos, comida, tem dificuldade de arrumar trabalho, etc, não seria esse o destino dessa pessoa? Ela mesma escolheu a prova na erraticidade.

Mas, você poderá questionar sobre ter escolhido uma vida tão dura. Esclarecem-nos os espíritos que, quando estamos fora do corpo físico, nossa visão a respeito da universalidade da vida é ampliada e sabemos que tal escolha foi feita com base na percepção do progresso espiritual e não na estreita visão material da vida encarnada.

A (Q.853 a) é categórica: “Assim, qualquer que seja o período que nos ameace, não morreremos se a nossa hora não chegou?” “Não, não morrerás (...), pois isso lhe foi revelado quando fez a escolha desta ou daquela existência.”

Considerando o caso em questão, poderíamos perguntar a razão de passar por tal experiência. Esta foi a (Q.855) que Kardec também fez aos espíritos, e obteve como resposta: “é essa uma advertência que tu mesmo desejaste...”.

Na (Q.860) Kardec levanta a possibilidade de podermos evitar certos acontecimentos. Os espíritos chamam de “desvio aparente que possa caber na ordem geral da vida que ele escolheu”. Percebam que nem mesmo pela nossa vontade, enquanto encarnados, poderemos evitar certos acontecimentos que nós mesmos escolhemos passar, demonstrando novamente que prevalecerá a escolha que fizemos antes de reencarnarmos.

A (Q.866), traz o esclarecimento derradeiro sobre a fatalidade e o livre- arbítrio. “Então, a fatalidade que parece presidir aos destinos do homem na vida material seria também resultado do nosso livre-arbítrio?” R: Tu mesmo escolheste a tua prova; (...)”.

Diante do acima exposto, observa-se que tanto a “fatalidade” quanto o “destino” são o nosso livre-arbítrio mal compreendido. São acontecimentos que fogem ao conhecimento dos seres, devido a nossa imperfeição intelectual e moral.

Contudo, você poderá levantar as seguintes perguntas: se uma pessoa escolheu passar por uma prova difícil, outro espírito escolheu ser o algoz? E no caso de pessoas que morrem em um acidente de trânsito, o motorista escolheu atropelar? Em um atentado terrorista, o atirador escolheu matar? Pois se alguém escolhe morrer, outro deve ter escolhido matar, isso parece lógico, não é? Os espíritos esclarecem que ninguém nasce com o objetivo de fazer o mal.

Recorremos às questões 459/525, em que Kardec pergunta se os espíritos influem em nossos pensamentos, atos e nos acontecimentos da vida. Eles responderam que mais do que imaginamos, “são eles que vos dirigem” e nos “aconselham”.

Considerando que vivemos em um mundo de provas e expiações; que o mal ainda prevalece sobre o bem; que a probabilidade de alguém de má tendência realizar uma má ação é quase certa; que o número de espíritos desencarnados é superior ao dos encarnados, vamos encontrar nas questões de 526 a 532, respostas de que os espíritos vão agir no sentido de cumprir as leis da natureza e nunca contrário a elas. Recomendamos a leitura destas perguntas para melhor entendimento.

Os espíritos vão inspirar sugestões para alguém realizar tal ação, mas o livre-arbítrio prevalecerá, a pessoa poderá ou não disparar a arma, dirigir alcoolizado, seguir outro caminho. São diversos os casos de obsessão em que o obsedado realiza tarefas que depois nem se lembra. Jesus ao questionar um mau espírito sobre quem era, teve como resposta “legião” e muitos outros casos narrados nas obras espíritas, todos comprovando a influência dos espíritos sobre nós.

Neste caso podemos dizer que foi uma escolha da família passar por esta situação. Quanto ao assaltante, foi um instrumento utilizado, e por que não dizer, manipulado por mentes perversas para realizar tal feito. Por que nada de mal aconteceu à mulher e a criança? Voltemos à (Q. 853a), não era a hora.

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2018 / Desenvolvido por Leandro Corso