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Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 127ª edição | 05 de 2018.

Dois luminares e uma só doença

Por Wilson Czerski

  • Stephen Hawking Stephen Hawking
  • Jerônimo Mendonça Jerônimo Mendonça

No dia 14 de março morreu o físico inglês Stephen Hawking, considerado um verdadeiro gênio em sua área. Não vamos entrar em detalhes sobre sua obra. O que queremos propor aqui é uma reflexão sobre a coexistência desta sua extraordinária capacidade intelectual e a grave doença que o acompanhou desde os 21 anos de idade. 

Hawking sofria de esclerose lateral amiotrófica, enfermidade degenerativa que vai tirando gradativamente todos os movimentos do corpo. Desde 2005, após uma traqueostomia, ele só se comunicava através de um sintetizador de voz e, por último, por comandos de movimentos oculares captados por computador.

Foi assim que ele fazia conferências, participava de congressos e escreveu alguns de seus livros. Em um deles, “Uma Breve História do Tempo” ele, apesar de se considerar ateu cita Deus 49 vezes. Ali também ele diz: "tanto quanto o Universo teve um princípio, nós poderíamos supor que tenha um Criador”. 

Certa vez declarou que "o universo é governado pelas leis da ciência. As leis podem ter sido criadas por um Criador, mas um Criador não intervém para quebrar essas leis". Mas em seu último livro pareceu mais cético afirmando que Deus não tinha mais lugar nas teorias da criação do universo.

Jerônimo Mendonça Ribeiro sofreu da mesma doença desde os 17 anos, viveu até os 50 em Ituiutaba-MG e desencarnou em 1989. Há uma biografia belíssima dele “O Gigante Deitado”, da escritora paranaense Jane Martins Vilela. 

Totalmente imóvel numa cama ortopédica e completamente cego, viajava pelo país inteiro, numa Kombi doada, fazendo palestras espíritas, cantava, orientava e consolava milhares de pessoas; visitava os presos, escreveu seis livros, fundou três centros espíritas, uma creche e uma gráfica. Era uma pessoa bem humorada que fazia piada sobre a sua própria situação.

O traço em comum entre ambos foi a doença degenerativa que os vitimou: a esclerose lateral amiotrófica. E a pergunta que poderíamos fazer é: por que, do ponto de vista espiritual e divino, pessoas com tamanha capacidade intelectual e moral também, porque ambos foram pessoas de bem, dignas e dedicadas, cada um a sua maneira, ao próximo, por que eles tiveram que sofrer tanto com esta doença? Será que o Espiritismo tem alguma explicação lógica que justifique o fato e não coloque em dúvida a justiça e até a própria existência de Deus?

Em primeiro lugar não há como fugir de uma resposta geral, aliás, explicação esta que serve perfeitamente para muitos dos nossos dissabores terrenos. E ela se chama reencarnação. Sem ela não há como manter de pé a convicção na existência de um Deus bom, sábio e justo.

Se Hawking e Jerônimo tivessem nascido e vivido só uma vez como pretendem diversas religiões, como e por que Deus os condenaria, pessoas boas e inteligentes, a ter suas vidas de sonhos de viver normalmente como todos as demais, de repente, a ver seus corpos irem se paralisando inexoravelmente? Por que eles e outros 14 mil no Brasil e entre 200 mil e 400 mil no mundo?

É possível se pensar em uma provação escolhida por essas pessoas para acelerar o seu progresso espiritual, como de resto pode ocorrer em outras situações parecidas. É possível conjecturar que, além da provação, possa estar junto ou sozinha uma missão especial de demonstrar à humanidade o que o ser humano é capaz de fazer mesmo nas situações mais adversas. São os chamados exemplos de vida. Ambos viviam com alegria apesar do sofrimento atroz, das dores, das limitações, da dependência de terceiros.

Também servem muito bem de exemplo aos defensores da eutanásia, às pessoas que se desesperam por doenças similares e que querem pôr fim à vida mesmo desfrutando de plena consciência, de lucidez mental, quando podiam ainda ser muito úteis aos outros e a si mesmos, espíritos imortais.

Mas pensamos que na maioria dos casos trata-se mesmo de expiações por graves equívocos cometidos em vidas passadas. Se os Espíritos Instrutores nos informam que os abusos na área intelectual, cometidos numa encarnação, podem determinar limitações e atrofias mentais nas existências futuras, o inverso também pode ocorrer. Isto é, os excessos a que alguns submetem o seu o corpo físico provocam profundos registros no corpo perispiritual e tendem a se instalar no veículo orgânico em próximas reencarnações na forma de enfermidades diversas.

Muitas vezes as infrações às leis divinas se dão nas duas áreas, prejudicando o corpo e também a mente. Exemplos à nossa volta é que não faltam de pessoas padecendo de problemas nestas duas áreas.

Para fechar reportamo-nos ao que consta no livro “Jerônimo Mendonça: Sua Vida e Sua Obra”, de Maria Gertrudes Coelho Maluf. Conta-nos que em uma das reencarnações anteriores, Jerônimo teria sido o príncipe egípcio Horemseb, homem cruel, envolto em bruxaria, que matou muita gente. Fascinava as mulheres que se apaixonavam loucamente por ele, utilizando uma rosa enfeitiçada.

Depois teria reencarnado novamente como egípcio, agora Cambises, que praticou crimes hediondos contra seus inimigos, servos e a própria família. Como o Rei Luís da Baviera não progrediu, mergulhou na ociosidade e sucumbiu em orgias e devassidão. Acabou ficando louco.

A história de Jerônimo como o príncipe Horemseb também pode ser lida no livro “Romance de Uma Rainha” (dois volumes), do Conde J.W. Rochester.  Por isso, conta-se que certa vez, o espírito do Dr. Fritz disse que ele, Jerônimo, padecia da doença dos três “Cs”: cama, carma e calma.

E ele suportou galhardamente tanto a prova ou expiação, levado para todo lado numa cama; aceitou corajosamente o carma ou enfrentamento de seus débitos diante da lei de causa e efeito e soube sorrir, resignada e pacientemente, ante o inelutável. 

Stephen Hawking e Jerônimo Mendonça, independentemente de expiação, prova ou missão pessoais, foram grandes vencedores, espíritos de escol, exemplos luminosos de valorização da vida e de fé. Ainda que o primeiro deles, com toda sua sabedoria científica, ignorasse certos princípios, simples mas profundos, que o segundo tão bem assimilou e, por isso, ele, Hawking, se considerasse ateu.

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