ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 128ª edição | 07 de 2018.

Educação física, emocional, intelectual, social e moral

  • Física Física
  • Emocional Emocional
  • Intelectual Intelectual
  • Moral Moral
  • Social Social

Ao falarmos de educação em Espiritismo, devemos imediatamente evocar o conceito emitido por Allan Kardec, isto é, aquela que contemple o indivíduo em suas diversas dimensões: física, emocional, intelectual, social e moral ou espiritual.

FÍSICA

Então, ao falarmos em educação do espírito, podemos, sim, falar de educação física, do corpo material. Ele é o instrumento imprescindível no atual estágio em que nos encontramos espiritualmente falando, ou seja, necessitados de reencarnar. 

Com o uso da razão temos que aprender a torná-lo uma ferramenta útil e a serviço das necessidades do espírito e não um mero veículo do prazer sensual. Para tanto, há que se ter cuidados, disciplina, responsabilidade.

Há hábitos físicos que ajudam e outros que prejudicam o espírito. Suas consequências repercutem já no presente e no futuro, em próximas encarnações.

Como exemplo dos primeiros incluímos a saúde preventiva, a (re)educação alimentar, os exercícios (combate ao sedentarismo), sono com qualidade e no tempo necessário, o combate à preguiça e ao ócio, evitar todos os tipos de excesso.

Pode às vezes ser difícil, até chato, mas é necessário. Ou isso ou doenças e marcar passo espiritualmente. Os excessos corporais aumentam o peso específico do perispírito, desequilibram e favorecem o aparecimento de doenças que aí não são cármicas, mas de origem nesta atual encarnação.

Também já podemos aí fazer um gancho com a educação moral, pois esses excessos, principalmente vícios como o alcoolismo, na alimentação e a sexolatria abrem as portas psíquicas para a ação dos espíritos obsessores.

Lembremos que, segundo os espíritos, os abusos cometidos nessa área, caso determinem uma desencarnação antecipada em relação àquela potencialmente estimada no planejamento reencarnatório, configura o suicídio indireto e suas lastimáveis consequências.

EMOCIONAL

Um das áreas mais sensíveis do ser humano e também das mais difíceis de controlar é a emocional. Como a maioria de nós se encontra num estágio mediano de evolução espiritual, ainda temos muita dificuldade para dominar as emoções. Em nossa intimidade ainda travamos uma luta muito intensa entre aquilo que é o desejável e o que realmente sentimos.

Aparentemente sentimentos e emoções nada têm a ver com a razão e por isso muita gente entrega-se à verdadeira montanha russa que elas representam. As emoções são provocadas por estímulos externos enquanto os sentimentos são respostas que damos àquelas. Isso é o que nos diz a Psicologia.

Mas as emoções, na verdade, parecem irromper das profundezas da alma, muitas delas intensas e abruptas, com raízes nos instintos mais primitivos e, por isso, parecem fugir a qualquer tipo de controle. Os sentimentos, por sua vez, são vivências mais prolongadas, também com pouca afinidade com a razão, porém, em geral, mais administráveis.

Um exemplo. A cólera, a raiva, é algo que se experimenta num determinado momento provocado pelo desagrado com algum acontecimento, a palavra ou atitude de alguém. Mas o ódio é um sentimento nutrido às vezes pela vida toda. Outro. Experimentamos grande emoção - misturada à alegria – quando reencontramos um ente-querido depois de longa separação, mas o sentimento de alegria não eufórica permanecerá durante todo o tempo da visita.

De qualquer forma, educar emoções e sentimentos pode ser uma tarefa árdua, mas é o preço que temos que pagar pelo crescimento e libertação espiritual para sermos senhores de nós mesmos e não escravos das circunstâncias.

As emoções podem e devem ser “domesticadas”. A ansiedade e o estresse são consideradas nos dias que correm as vilãs do nosso sossego. Já ouvimos de especialistas que represar dentro de si certas emoções e sentimentos como a raiva, por exemplo, causa malefícios na própria área e também à saúde física, como problemas cardíacos.  Como resolver isso? “Engolir” o desaforo e os insucessos ou extravasar?

O ideal é cortar esses sentimentos na nascente, não vivenciá-los. Atingido um certo estágio da labareda desequilibrada, torna-se muito difícil impedi-la de alastrar-se pelo ser imprudente despertando os maus pendores atávicos. A inteligência emocional consiste em saber administrar bem os impulsos que brotam do fundo da alma.

A agressividade, a revolta também são posturas inadequadas. Atingem a alma.

Podemos dizer que elas vêm da alma e ao retornarem para ela – se é que em algum momento, saíram dela – fecham um circuito vicioso e perigoso.

INTELECTUAL

Quando falamos de inteligência estamos nos referindo a atributo da alma. Conhecimento, memórias, capacidades e valores pertencem sempre ao espírito imortal e não desaparecem com a morte física. Assim, em que a educação intelectual contribui para o progresso espiritual, para que serve o conhecimento, mesmo de assuntos mundanos?

Ainda que se fale em educação no seu sentido mais vulgar que é a instrução, formal ou não, ela faz parte do acervo espiritual e, podemos dizer, um dos “tesouros” mencionados por Jesus que estão imunes à ação da ferrugem, das traças e dos ladrões.

Nas questões 73 e 74 de O Livro dos Espíritos, aprendemos que o instinto é uma inteligência não racional e não há como estabelecer o limite entre eles porque se confundem. Na Q. 780, que o progresso moral é consequência do progresso intelectual, mas nem sempre consecutivo. E na seguinte, que o progresso intelectual leva ao moral pela compreensão para escolher entre o bem e o mal, o que se chama uso do livre-arbítrio.

Além dos bancos escolares, há outras fontes da boa formação intelectual: cultura - importância de cultivar o gosto pelas artes (admirar e até praticar); alimentos para a alma - leitura em geral, leituras específicas, escolhas na televisão, cinema, teatro, viagens, museus, concertos.

Se o espírito leva para a vida espiritual tudo o que aprendeu por aqui, esta é uma boa razão para que uma pessoa mesmo idosa, por exemplo, encontre motivação para estudar, aprender alguma coisa nova, um idioma, uma arte, uma filosofia ou ciência.

SOCIAL

Embora algumas pessoas optem por viver completamente isoladas, o mais comum é que procuremos viver em grupos: família, amigos, no trabalho, na diversão, na religião. Segundo OLE, Q. 767, o isolamento absoluto é contrário a lei natural, pois os homens procuram a sociedade por instinto e isso concorre para o progresso, ajudando-se uns aos outros. 

A justiça estabelece a regra de que o nosso direito acaba onde começa o do próximo. Então, para viver em sociedade temos que desenvolver a consciência dos limites de nossos direitos e a extensão de nossos deveres. Como sabemos, todos os nossos atos trazem consequências materiais e espirituais – lei de causa e efeito.

Uma boa educação social começa com o respeito dentro de casa e se estende para a tolerância no convívio com vizinhos, colegas de trabalho, no lazer em grupo. Podemos falar em educação no trânsito, educação ecológica e educação política que inclui a consciência de cidadania com seus direitos e deveres.

MORAL

Mas os Benfeitores Espirituais nos ensinam que de nada valem as qualidades e valores das quatro áreas já citadas se o indivíduo não conseguir se desenvolver moralmente, se não conseguir adquirir ou cultivar as virtudes do caráter. Por isso que vemos atualmente em toda parte tanta gente instruída, inteligente, culta e com status social elevado, porém, com conduta reprovável.

Baseado na França de meados do século XIX, Allan Kardec ressaltava que se pais e educadores em geral dedicassem à educação moral a mesma atenção e esforço dado à instrução ou educação formal, o mundo sofreria uma radical transformação para melhor. Com menos egoísmo, menos orgulho e mais solidariedade, tolerância e amor ao próximo haveria menos guerras, menos crimes, menos miséria material. Portanto, instrução de qualidade e para todos ajuda, mas não basta. É preciso mais: é preciso educar a alma.

Mas como os atos morais (bons ou maus) refletem-se no espírito imortal? Os mecanismos da lei divina de justiça são variados, mas perfeitos. Há o aspecto do defrontamento inexorável com a própria consciência, mas também podemos falar que todos os desequilíbrios nessa área afetam diretamente o perispírito, tornando-o mais denso, escuro. 

A atmosfera psíquica (boa ou má) criada em torno de nós, a qual denominamos de aura espiritual – não a parte que reflete apenas as condições do corpo físico – contribui para a atração de seres desencarnados que podem afetar o nosso bem-estar. Eles prejudicam a saúde, as relações pessoais, provocam a perda da paz íntima, diversos desconfortos psíquicos e emocionais, induzem a novas atitudes equivocadas, estimulam tendências negativas do passado, reforçam hábitos, podem levar à criminalidade.

Mas como saber se algo é certo ou errado? Jesus já forneceu a fórmula de ouro: colocar-se na posição do próximo e perguntar antes a si mesmo se gostaria que lhe fizessem (ou deixassem de lhe fazer) aquela mesma coisa. O Evangelho Segundo o Espiritismo ensina-nos que no indivíduo que pensa e comete o mal, o progresso está todo por se fazer; naquele que pensa e se contém, está a meio caminho e naquele que nem cogita do mal, pratica o Bem automaticamente, o progresso está completo.

Ainda dos Instrutores Superiores vem-nos, pelas questões 644 e 645 o esclarecimento de que o ambiente onde o indivíduo se vê muitas vezes obrigado a viver, quando de vícios e crimes, pode dificultar seus passos dentro dos princípios da moralidade. Foi uma escolha dele como prova.

Essa exposição à corrupção dos bons valores pode mesmo se tornar um arrastamento, contudo – note-se bem – não irresistível porque cabe sempre a ele e ninguém mais dar a palavra final se cederá ou não aos convites do mal que o levarão à queda.

Podemos encerrar citando mais algumas questões da obra magna da Doutrina Espírita: 630 - o Bem é tudo o que se aproxima da lei de Deus e Mal tudo o que dela se afasta; 636 - a responsabilidade é relativa ao grau de conhecimento; 642 - não basta não fazer o Mal; é preciso fazer o Bem; 643 - só o egoísta é incapaz de fazer algum tipo de Bem.

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