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Jornal Comunica Ação Espírita | 130ª edição | 11 de 2018.

Doce ilusão

Por Carlos Augusto de São José

Não é ocioso repetir que vivemos dias de incertezas. Pensar diferente é enganar a si mesmo, por considerar que a Doutrina Espírita não induz a otimismos falsos nem a pessimismos injustificáveis, mas à uma visão clara da realidade que nos cerca.

As noites da criatura humana vivem povoadas de angústia e fantasmas de ameaças diversas transformam em pesadelo aquilo que deveria ser um transe reparador da saúde física e mental.

O egoísmo generalizado afasta uns dos outros. Percebe-se, nos grandes centros populacionais, pessoas que se movimentam carregando na face triste a máscara da solidão. Falta confiança recíproca, pela insistência do noticiário em torno da corrupção, dos crimes, dos abusos, da materialidade desenfreada e tantas outras mazelas típicas de uma sociedade sem Deus.

Vivemos, hoje, uma grave crise de afeto, redundante dessa desconfiança. Sem apoio afetivo não há sustentação magnética e os corações se enchem de ansiedade, num relacionamento repleto de enganos e indecisões.

Protestos coletivos reclamam por solução imediata, numa curiosa colcha de reivindicações. Todos querem casa própria, melhores ordenados, transporte confortável, comida farta, dinheiro na poupança, escolas mais qualificadas, maior segurança... enfim, tudo o que uma sociedade realmente digna deve ofertar aos seus concidadãos.

Ao admitirmos estas necessidades não implica em aceitar que elas devam vir pelas vias do “milagre” ou da lei do menor esforço. Somos todos elos de uma mesma corrente e cada atitude pessoal repercute, positiva ou negativamente, no campo dos interesses alheios. Daí a obrigatoriedade de não só exigirmos, mas trabalharmos na concretização desses anseios, produzindo bens sociais e espirituais. Fugir aos compromissos, quaisquer que sejam eles, é colaborar com os desacertos que condenamos.

Quando Jesus afirmou que “quem não é fiel no pouco, também não o será no muito” deu uma irretorquível lição de que desonestidade, corrupção, crime, abuso etc., não é tão-somente o desvio de milhões ou bilhões, o assassinato, o tráfico de tóxicos, a prostituição e outros desvios dos comportamentos humanos. Há um leque infindável de pequenas ações que degeneram a moral e corrompem os valores econômicos que acabam por levar à desorganização social. O troco não devolvido, a hora furtada ao empregador, o pequeno objeto roubado, o imposto sonegado, a omissão, pequenos vícios, o desânimo, a crítica ferina, entre muitos aspectos conhecidos, influem desastrosamente nos interesses comuns.

É justo solicitar melhores condições de vida, é a dignidade da pessoa em jogo. No entanto, ao exigirmos, fica o inarredável dever de contribuirmos, nos mais mínimos detalhes do nosso comportamento, com tudo que estiver ao nosso alcance, para acabarmos com os dramas asfixiantes dos quais nos fizermos personagens.

A voz que clama só encontra eco quando parte de uma consciência alinhada no Bem. No mais, é ilusão, doce ilusão.

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