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Jornal Comunica Ação Espírita | 135ª edição | 09 de 2019.

Palavras dos Espíritos e dos espíritas

O cérebro, cabine de comando do espírito

No entender da maioria, quando se fala em aspecto científico da Doutrina Espírita, refere-se o ao estudo da fenomenologia envolvendo a mediunidade. Talvez também caiba a conceituação quanto aos métodos empregados pelo Codificador na sua elaboração ou do convite ao uso da fé raciocinada.

Mas ao buscarmos estabelecer conexões entre o conhecimento espírita e o de outras áreas específicas, como a medicina, por exemplo, seara em que prevalecem pontos comuns de afirmação e a relevância de Kardec sobre a característica do Espiritismo de relacionar-se com todos os ramos de conhecimento, transcendentais ou não, ficamos à vontade para trazer ao debate e absorção descobertas atualizadas proporcionadas pelas outras ciências materiais.

Hoje, aqui nesta seção, vamos elencar algumas dessas conexões e correspondências envolvendo o cérebro humano. Ainda que algumas dessas informações tenham maior interesse aos profissionais da área e isso ressalta nas exposições proferidas durante os eventos promovidos pelas associações que reúnem os médicos espíritas, inegável também a sua importância para todos os demais que labutam em nosso meio, sejam comunicadores, escritores, expositores, monitores de estudos, etc.

Uma informação que pode ser de interesse geral, por exemplo, é a seguinte. As ondas cerebrais podem apresentar frequências diferentes e a cada uma correspondem estados de consciência e atividades específicas.

A ausência ou ondas zero é a morte; de 1/4 HZ (ciclos por segundo) são as delta que levam ao êxtase (quando em estado de consciência) ou coma profundo (inconsciente); de 4/7, ondas theta que levam à paz meditativa (consciente) ou desmaio (inconsciente); entre 7/13, temos o estado alfa que provoca o relaxamento (consciente) ou sonho (inconsciente); de 13 a 25 (30 para alguns) HZ estamos no beta, que é o estado consciente total. Há, ainda, as ondas gama com frequência acima das anteriores, podendo atingir 70 ou 100 ciclos/segundo e ligadas às tarefas de alto processamento cognitivo, ao sentimento de felicidade e nos sonhos REM.

Suely Caldas Schubert [1] oferece classificação um pouco diferente. Segundo ela, as ondas Beta têm 14/21ciclos/seg. e quando passa de 25 (o máximo seria 35 HZ) têm-se as beta altas com ansiedade e agressividade; as alfa seriam de 8 a 13; as theta (4 a 7) causaria insensibilidade à dor, insights, os transes mediúnicos mais profundos e as regressões de memória). 

Nas crianças de até cinco anos predominam as ondas theta, passa para a alfa de vigília na adolescência e depois nos adultos as beta [2].  

A epífise, o lobo frontal e o sistema límbico (emoções) são ativados no fenômeno mediúnico. Da primeira comprovou-se em tomografias tiradas pelo pesquisador americano Stephen Kosslyn, da Universidade de Harvard [3]. Já cientistas da Universidade da Califórnia descobriram que um "gatilho cerebral" (palavras como Deus, fé, Jesus), causa frenesi do sentimento de religiosidade com atividade eletromagnética na parte direita do lobo temporal, a mesma usada pelos médiuns.

Segundo o espírito de André Luiz “o ponto de intersecção entre o cérebro físico e o espírito são as mitocôndrias, o centríolo, os cromossomas e a substância de Nissl”[4].

Números: o aumento de duas gramas no peso do cérebro custou 100.000 anos e do chimpanzé até nós foram 300 mil gerações ou seis milhões de anos. Um quarto de toda a energia do corpo humano é consumida pelos 16 bilhões de neurônios [5].

O radiologista Andrew Newberg fez exames tomográficos nos cérebros de budistas tibetanos e freiras franciscanas que rezavam fervorosamente 45 minutos por dia e obteve imagens do lobo parietal superior que acusaram queda na atividade da região e até bloqueio total nos momentos mais intensos. Essa área é responsável pelo senso de orientação no espaço e no tempo. Imagens dos lobos temporais (sistema límbico) indicam atividade intensa durante as experiências contemplativas. Para verificá-las, Michael Persinger, da Universidade de Laurentian, no Canadá, inventou um “capacete” que através de estímulos elétricos do límbico, pode provocar alucinações e sensação de estar fora do corpo e senso do divino [6].

O Dr. Núbur Facure elucida que a epífise passou a ser estudada a partir da descoberta da melatonina por Lerner, em 1958. Não há ligação nervosa direta entre ela e o restante do cérebro. Sua ação é pelo seu quimismo; relaciona-se com a epilepsia, insônia, depressão e distúrbios do movimento. A melatonina tem efeito sedativo e anticonvulsionante; parece ligado à esquizofrenia. O espírito “entrando” pela pineal, distribuiria a melatonina para o cérebro. Daí talvez as flutuações do fenômeno mediúnico em intensidade e frequência. 

O equilíbrio da relação psicocinética mente/corpo será alterado quando ocorrer ativação de conflitos intrapsíquicos, anímicos e/ou personímicos, com alteração da síntese mental, com desvio do “centro de gravidade” da mente para os conteúdos conflitivos e bloqueio da energia mental pelos conflitos. 

Então, ocorrem transtornos neurofisiológicos com inibição de áreas corticais e excitação de centros subcorticais com manifestação de sintomas de tensão intrapsíquica que poderão, pela descarga das tensões, causar distúrbios funcionais somáticos ou alterações orgânicas com as doenças psicossomáticas. Esta tensão intrapsíquica, com ativação subcortical, favorece as interações com o extrafísico mental de encarnados e desencarnados com características obsessivas [7]. 

A região do cérebro ativada pelos estímulos à prática de doações em dinheiro com o propósito de ajudar alguém é a base neurológica para o altruísmo que ativa o córtex subgenual, região primitiva ligada à formação de laços sociais e do amor. O estudo de Jorge Moll Neto é a primeira prova científica de que mesmo quando há algum desconforto ou sacrifício pelo indivíduo ou mesmo quando não há nenhum ganho pessoal ou visibilidade social, uma ação moral positiva, nobre e ética gera prazer sensorial [8]. 

Referências

[1] SCHUBERT, Suely Caldas. O Poder da mente. 

[2] GOSWAMI, Amit. O universo autoconsciente. 2ª ed. São Paulo: Aleph, 2013.

[3] Revista Isto É, ed. 1.489, 15 de junho de 1998.  

[4] BALDUINO, Leopoldo. Psiquiatria e Mediunismo. 2ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995.

[5] FACURE, Núbor. O cérebro e a mente. 1ª Ed. São Paulo: FE Editora, 2001.

[6] MOREIRA, Bernardino da Silva. Revista Internacional de Espiritismo. Matão-SP: O Clarim, março/2003. 

[7] VILELA, Geremias Rodrigues. Revista Internacional de Espiritismo, agosto/2007.

[8] VALE, Nadja do Couto. Revista Cultura Espírita, ed. 64, julho/2014.

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