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Jornal Comunica Ação Espírita | 84ª edição | 03 de 2011.

Livros que eu recomendo

Por Wilson Czerski

 Espiritismo em movimento

 

           Impossível resumir neste espaço um livro de quase 400 páginas, especialmente de conteúdo tão rico como o que traz o título acima. Os autores são Deolindo Amorim – espírito – e Elzio Ferreira de Souza – médium – que além da psicografia contribuiu com centenas de notas pessoais apenas indicadas no corpo do texto e separadas dele, ao final, a partir da página 257. São notas lastreadas em mais de duzentas diversificadas referências bibliográficas.

 

            Entre os 50 capítulos nem sempre os títulos fazem juz à importância do assunto tratado. Alguns permitem ter uma ideia razoável da natureza e significado do material por ali disseminado. Por exemplo, os capítulos 11, 13 e 31, respectivamente “Radicais e Conservadores”, “Radicalismos” e “Ainda os Radicalismos”, abordam naturalmente questões de trato do Espiritismo e convivência entre os espíritas.

 

            No capítulo 12 analisa-se o estágio da imprensa; no 17 “Fidelidade a Kardec”; “Divergências e Coerência”, no 19. “Espiritismo e Progresso” está destacado no cap. 22, um grande puxão de orelhas àqueles que lideram o Movimento Espírita como, aliás, em vários textos, como no seguinte, “Liberdade e Pensamento” e “Liberdade de Pensamento” no 44.

 

            “Espiritismo e Crítica” desponta no cap. 29; “Importância do Aspecto Filosófico do Espiritismo”, tão descurado por todos nós, aparece no 30. “Observações em torno da Doutrina” está no cap. 38 e o “Movimento Espírita” no 40. No seguinte temos “Espiritismo e Cultura” e no 42 “Difusão das Ideias Espíritas”. Na sequência “Conservadorismo e Modismos”. “As Consequências Religiosas do Espiritismo” ocupam o cap. 46, assunto que segue no seguinte com uma pergunta: “Espiritismo Religioso?”. E fecha com “Moral e Religião”.

 

            Passemos a citações textuais ou baseadas nas colocações dos autores, sempre pontuais e insuficientes para conclusões definitivas sobre o pensamento dos mesmos sobre cada tema. Recomenda-se a leitura integral desta abrangente e imprescindível obra na biblioteca de qualquer estudioso espírita.

 

             Em relação ao papel do Espiritismo na sociedade, logo à pag. 16, Deolindo afirma que ele só poderá sobreviver se não imiscuirmos nele as fantasias de supremacia indébita. Na 39 é categórico em que a Doutrina não admite donos, quer sejam indivíduos ou instituições. “Essas ponderações – explica – me surgem mais atuais quando vejo companheiros se postarem quais censores a dizer o que é Espiritismo e o que não é... como erigidos à condição de ditadores, cuja leitura das obras básicas fosse a única autorizada, importante e definitiva”.

 

            Voltará à carga na 49. “... o movimento espírita... à proporção que expande-se, maiores cuidados devem ser tomados para que a veiculação dos princípios se faça de modo correto... esta (unidade) não provirá de censores, de comissões... um índex, seja de livros proibidos ou... permitidos... teria como efeito o congelamento da própria Doutrina... Quem seriam os censores? Que créditos teriam eles para que suas opiniões fossem respeitadas... se Kardec se abstinha de... julgamento... aos trabalhos que concorriam com os seus...? (...) resta o vezo, no movimento, de considerar-se obsediada toda voz discordante, ou todos  aqueles que não seguem a cartilha de alguns líderes, ou que têm ideias próprias... As excomunhões – prossegue - passaram de época... A unidade doutrinária não pode ser fruto de imposições, mas do amadurecimeno, do estudo, do inter-relacionamento de ideias...

 

 

A unidade não provirá de

censores, de comissões...

um índex, seja de livros

 proibidos ou... permiti-

dos... teria como efeito o

congelamento da própria

 Doutrina... Quem seriam

os censores?

 

            Deolindo critica os “muitos defensores intransigentes de Kardec que não primam pelo conhecimento de sua obra, limitando-se à repetição de trechos esparsos... chavões... que perdem o vigor... conhecimento básico da Doutrina não é repetir apenas o que Kardec escreveu em tal ocasião...”. A seu ver, se Kardec retomasse sua obra, faria acertos, anotações aqui e ali, retocaria os pontos não totalmente esclarecidos e continuaria questionando os Espíritos.

 

A propósito, à pág. 263, o autor encarnado relembra texto do Codificador em A Gênese (cap. 1:55) no qual ele declara que se o Espiritismo não assimilar sempre todas as doutrinas progressistas de qualquer ordem, estará cometendo suicídio. Em outra nota, menciona palavras de Kardec em O Livro dos Médiuns (item 35): “... não temos a pretensão ridícula de ser o único distribuidor de luz”.

 

A seguir duas informações curiosas. Na pág. 285, Ézio informa que, embora atribua-se a frase “Conhece-te a ti mesmo” ao sábio grego Sócrates, Kardec reportou-se a este axioma como presente anteriormente em Lao-Tsê e Tales de Mileto. Da mesma forma em relação à suposta autoria de Descartes para “Penso, logo existo”, já proclamada com este sentido por Santo Agostinho que a teria herdado de Aristóteles.

 

Ainda sobre um índex de livros que segmentos do Movimento Espírita teimam em manter, à pág.143, encontramos: “Se o livro diverge das ideias formadas... se examina a questão por novos ângulos, se põe em dúvida certas certezas, a obra é rejeitada e às vezes execrada...”.

 

Notáveis também as explanações em torno do tema geral das religiões e a existência deste possível caráter no Espiritismo. Na pág. 344 há comentários de filósofos sobre elas, divididos em duas correntes. Uma admitindo-as somente naquilo que tivesse apoio da razão, como era o caso de Voltaire e Diderot. E outra aceitando também a revelação e os milagres (Locke).

 

Numa das notas da pág. 346, está a justificativa de Kardec para ter tomado o modelo de moral cristã para o Espiritismo. E na 350 constam trechos importantes do Codificador sobre o aspecto religioso do Espiritismo. Um exemplo está em Obras Póstumas: “O Espiritismo é uma doutrina filosófica que tem consequências religiosas como toda filosofia espiritualista”.

 

Há muito mais e da melhor qualidade. Livro para ser lido e relido. Uma radiografia atual do nosso Movimento. Quais seus problemas, avanços, perspectivas? Onde se insere cada um de nós e como interferimos nele? E o que é o principal: como podemos mudá-lo para melhor? Deolindo e Ézio não substituem nossa capacidade de pensar, apenas espicaçam nossa reflexão. Mas temos que ter humildade para reconhecer limitações, atavismos e necessidade de quebrar paradigmas.

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