ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

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Jornal Comunica Ação Espírita | 93ª edição | 09 de 2012.

Divulgar com Eficiência

Por Alkíndar de Oliveira

A força do rádio e da televisão na divulgação da Doutrina Espírita

     Em Obras Póstumas, disse Allan Kardec (em seu Projeto 1.868): “Dois elementos devem concorrer para o progresso do Espiritismo; estes são: o estabelecimento teórico da Doutrina e os meios para popularizá-la. Uma publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados, levaria ao mundo inteiro, e até aos lugares mais recuados, o conhecimento das ideias espíritas, faria nascer o desejo de aprofundá-los, e, multiplicando os adeptos, imporia silêncio aos detratores que logo deveriam ceder diante do ascendente da opinião”.

     E o que é popularizar? Certamente não é ter Centros Espíritas apenas para alguns poucos escolhidos. “Publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados”. Você já leu alguma publicidade espírita nos jornais “Folha de São Paulo”, “Estadão”, “O Globo”, que são os mais divulgados do país?

     Estamos sendo espíritas “fazedores” ou espíritas “faladores”? Se à época de Kardec houvesse televisão será que ele não teria dito “uma publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados e nos canais de televisão de maior audiência”? Certamente que sim, pois a Doutrina Espírita é evolutiva.

     Já viu alguma publicidade de 2 minutos por semana nos intervalos do Jornal Nacional explicando, de forma didática e criativa, o que é o Espiritismo? É caríssimo, mas nada além do que a criatividade e a união de todas as associações espíritas representativas não pudessem resolver. A solução é união e criatividade.

     Dois minutos por semana na televisão, em horário nobre, durante 6 meses, faria todos conhecer o verdadeiro Espiritismo. E as igrejas que falam inverdades sobre nossa doutrina teriam que explicar aos seus seguidores tudo o que falaram de impropriedades. Seria uma revolução cultural. E aumentaria substancialmente os seguidores do Espiritismo. Mas o que se vê no meio espírita? Forças aglutinando-se para terem atitudes “fazedoras”? Não.

     Com raras exceções, instituições e associações representativas do Espiritismo geralmente trabalham dentro de quatro paredes, sem abrir os olhos para a necessidade do trabalho espírita lá fora. Os líderes espíritas precisam fazer um curso de criatividade.

     No livro Reflexões Espíritas, psicografia de Divaldo P. Franco, disse o espírito Vianna de Carvalho: “Na hora da informática com os seus valiosos recursos, o espírita não se pode marginalizar, sob pretextos pueris, em que se disfarça a timidez, o desamor à causa ou a indiferença pela divulgação, porquanto o único antídoto à má Imprensa, na sua vária expressão, é a aplicação dos postulados espíritas”.

     Certo amigo espírita disse-me “Estamos falando para nós mesmos”. Enquanto Jesus divulgava sua doutrina procurando atingir um público cada vez maior, nós nos contentamos com nossos fechados congressos e nossas palestras para nosso pessoal.

     Sabe quantas rádios espíritas existem no Brasil? Três. Dizendo de outra forma: 0,12 rádio espírita por estado! Falta ousadia aos espíritas. Há uma crescente - e muito mal explorada - demanda. Vejamos se programas espíritas dão IBOPE: Resultado: líder do horário. Em Itajubá-MG há na Rádio local um programa semanal espírita de 30 minutos, também líder do horário. A Rádio Espírita do Rio de Janeiro transmite aos domingos pela manhã um programa espírita de uma hora, também líder do horário.

 

“O espírita não se pode marginalizar, sob pretextos pueris, em que se disfarça a timidez ou indiferença pela divulgação; o único antídoto à má Imprensa é a aplicação dos postulados espíritas”.

     Por que não seguirmos estes modelos? Existem algumas medidas em prol da divulgação da Doutrina Espírita, mas isoladas. Um exemplo de sucesso na cidade do Rio de Janeiro: a CAPEMI patrocina, aos domingos pela manhã, o programa espírita “O Despertar do Terceiro Milênio”, na TV Bandeirantes, com uma hora de duração. Há pouco tempo soube que o programa já estava em primeiro lugar em audiência.

     Por que os espíritas não se unem para aumentar a potência da Rádio Boa Nova, de São Paulo? Têm uma boa programação. Mas eu, que moro na cidade de São Paulo, não consigo ouvi-la em casa. E isto certamente ocorre com muitas outras pessoas. Por que os espíritas “fazedores” não se unem para, além de aumentar sua potência, transformar também em FM (hoje é AM)?

     Se quisermos deixar de falar somente para nós mesmos temos que valorizar mais o rádio e a televisão. O Geraldo Guimarães disse-me que em sua vida deve ter feito mais de 3.000 palestras espíritas para um público aproximado de 150.000 pessoas, em mais de 40 anos de oratória. No programa na TV Bandeirantes-Rio, de uma hora de duração, ele fala para 600.000 pessoas, quatro vezes mais público do que seus 40 anos de pregação!

     Se Jesus voltasse à Terra que mídia será que utilizaria para atingir o maior público possível? Televisão. O capítulo 5 do livro “Boa Nova” transcreve as normas de ação que Jesus passou aos seus discípulos para que realizassem a concretização dos ideais cristãos. Em dado momento Jesus falou aos seus discípulos: “O que vos ensino em particular, difundi-o publicamente; porque que o que agora escutais aos ouvidos será o objeto de vossas pregações de cima dos telhados” (Mateus, cap. 10, vs. 27, “Os doze e sua missão”).

     Numa interpretação atual, será que a expressão “vossas pregações de cima dos telhados” não poderia ser uma antevisão das antenas de televisão. Outra boa notícia é que a SEDA – Sociedade Espírita de Divulgação e Assistência, que aos domingos das 10h às 12h transmite o programa “Espiritismo Via Satélite”, recebeu da Embratel o canal TV SAT Digital. Agora só está faltando a união dos espíritas em prol de um bom trabalho a ser apresentado por esse canal.

     Diz Kardec no capítulo XVIII do livro A Gênese: “Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto, do que qualquer outra doutrina, a secundar o movimento de regeneração”. Se o Espiritismo é a Doutrina mais apta a secundar o movimento de regeneração (que se avizinha), será que devemos deixar só para nós este vastíssimo conhecimento que a Doutrina Espírita proporciona?

     Este empenho em despertar a importância da divulgação da Doutrina Espírita não é porque creio que todos devam ser espíritas. A Terceira Revelação não pode caminhar timidamente como está ocorrendo. As pessoas não precisam ser espíritas, mas os postulados espíritas precisam ser conhecidos por todos. Alguém já disse que o Espiritismo não será a religião do futuro, mas sim, o futuro das religiões.

 

Referências

Alkíndar de Oliveira é consultor de empresas e autor do livro “Viver bem é simples, nós é que complicamos”.

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