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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 100ª edição | 11 de 2013.

O QUE DIZEM OS OUTROS JORNAIS

Por Wilson Czerski

Os diversos tons cinza do aborto

O título da matéria na revista O Seareiro – jornalistaseareiro@gmail.com (São Paulo-SP, ed. n° 129, set-out/2013) e assinada por Norma Pacheco é “Aborto – essa dor tem cura”. Portanto, embora sem ter lido e nem nunca se interessado por certa obra ficcional que anda em moda, pareceu-me adequado usar o adjetivo de uma cor que possui uma conotação algo sombria porque o assunto assim o é.

Ninguém pode negar que o aborto envolve aspectos, além de polêmicos, sempre tristes, lamentáveis, mesmo quando ocorrem espontaneamente. Passemos a palavra à articulista citada.

Ela divide o texto em tópicos: “O início da vida”; “Aborto provocado”; “Abortamentos aparentemente espontâneos”; “Vamos à grande polêmica”; “E por falar em misericórdia”; “Estupro – outro tema polêmico”; “O que acontece com quem provoca um aborto?”; “Esta dor tem cura?” Em todos eles, na condição de médica ginecologista, obstetra e expositora espírita, faz um apanhado geral sobre o assunto com muito equilíbrio, prestando relevante esclarecimento ao mesmo.

A articulista considera que abortos aparentemente espontâneos são aqueles que, na realidade, são provocados pela mãe que não assume os cuidados necessários para levar a termo a gravidez. Alimentação, sono e falta de hábitos saudáveis, muitas vezes adotados às escondidas. Mas recorda de outros casos em que o espírito reencarnante, sabedor das lutas que deverá travar na próxima jornada terrestre, simplesmente força o desligamento do corpo em formação.

Sobre o aborto de anencéfalos, embora agora autorizado pela legislação, a Dra. Norma cita que muitos desses fetos sem cérebro envolvem suicidas, homicidas e os chamados ovoides necessitados de reconstituírem seus perispíritos comprometidos.

Outra situação em que as leis brasileiras permitem a prática do aborto é no caso de estupro. Pessoalmente acompanhamos a imensa maioria dos espíritas que se manifestam contrários à interrupção da gravidez, mesmo se tratando de um caso extremamente doloroso emocionalmente para a gestante. 

Sem condenar – até porque não temos o direito de fazê-lo em nenhuma circunstância de acordo com o “Não julgueis para não serdes julgados” do Cristo e por respeito ao livre-arbítrio individual, entendemos que o ideal seria dar à luz e, na impossibilidade de aceitação, oferecer o bebê para adoção.

Difícil é aceitar os argumentos comumente apresentados para justificar o ato do estupro, sempre pressupondo, de modo inexorável, a existência de culpas na personalidade anterior para justificar uma expiação do presente. “Todas as situações que acontecem em nossas vidas, boas ou ruins, são atraídas por sintonia vibratória”, diz a Dra. Norma. É uma visão fatalista que não condiz com os ensinamentos espíritas e perdem sustentação diante da lógica.

A articulista, da qual, respeitosamente, permitimo-nos discordar, apela para explicações do Dr. Jorge Andréa dos Santos ao falar dos “núcleos energéticos de vibração constante no inconsciente” cujas gravações de comportamentos passados poderiam ser atraídos para a vida atual. Para ela, vítima e criminoso são atraídos um para outro inconscientemente. Ela admite que boas atitudes poderiam modificar esse quadro, mas reafirma que “não houve acidente, mas atração do trio: estuprador, vítima e reencarnante.

Bem, para não nos alongarmos, gostaríamos de propor às pessoas que raciocinam assim as seguintes interrogações. O estuprador compulsivo que pratica o crime em série, também é atraído pelas dezenas de suas vítimas? Que ações elas poderiam ter cometido no passado para estarem ligadas, devedoramente, a um único indivíduo? E nos casos de estupro coletivo como os recentes ocorridos na Índia, uma única mulher teria desencaminhado tantos homens em uma vida passada? E os estupros praticados por desconhecidos, soldados ou mercenários durante as guerras? Os estupros cometidos durante anos por sequestradores ou reiteradamente por maridos ou companheiros como são explicados? Atração ou prisão? Seriam os estupradores vítimas do passado? E os praticados contra crianças?

Será que os destinos das pessoas, tão complexos, especialmente pelas repetições reencarnatórias, funcionam de modo tão matemático? Não seria mais simples atribuirmos esses crimes à ação de natureza brutal determinada pelo livre-arbítrio do presente de um indivíduo psiquicamente desequilibrado ou moralmente comprometido com os instintos vis? Talvez seja tempo de revermos certos clichês doutrinários. Ou não?

 

 

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