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Jornal Comunica Ação Espírita | 100ª edição | 11 de 2013.

Autorretrato

“Mora alguém na casa ao lado?”; muitos (?)

espíritas, mas poucos trabalhadores; as faculdades mediúnicas subjetivas e um pouco de humor na edição de dez anos atrás

 

Há o ditado de que “recordar é viver”. No caso, relermos textos antigos de jornal espírita pode ser mais do que isso. Podemos não só lembrar de notícias que foram destaque em algum momento no Movimento Espírita como recapitular ensinamentos, pois estes desfrutam do caráter de perenidade. Para muitos que não tiveram oportunidade de ler quando a edição circulou, o momento se apresenta, capturando justamente o suprassumo, visto que aqui só realçamos os assuntos que foram realmente importantes.

Na edição passada a chamada principal de primeira página foi “Estamos à procura dos outros”, referindo-nos sobre a busca dos terráqueos por vida em outros planetas. Coincidentemente constatamos que a edição que nos cabe reprisar agora, a de n° 41, publicada no bimestre janeiro-fevereiro de 2004, a chamada de primeira página era outra, mas o assunto o mesmo: “Mora alguém na casa ao lado?”.

Até então, dizia a matéria, e desde 1964, 17 expedições terrestres não tripuladas tinham tentado se avizinhar de Marte. Na edição passada falamos da primeira viagem tripulada para lá – e sem volta – a se iniciar em 2022. Se agora temos o Curiosity explorando o solo marciano, em 2004 tínhamos o Spirit. Finalizava o texto de 2004: “... literalmente, estamos apenas espiando o quintal do vizinho mais próximo”. Nos dias de hoje, passada uma década incompleta, de posse das informações dos telescópios Hubble, Kepler e a Voyager seguindo viagem fora do nosso sistema solar, poeticamente rumo ao infinito, talvez já possamos dizer que conhecemos um pouco melhor o nosso bairro cósmico e arriscamos olhares eletrônicos para além das divisas das nossas metrópoles de civilização terráquea.

O título do Editorial foi “Espíritas potenciais desmotivados” foi, algum tempo depois, reproduzido por outro jornal espírita, na íntegra e sem acréscimos de comentários, endossando, portanto, o seu conteúdo. Uma das questões levantadas tratava da alta rotatividade dos frequentadores dos centros espíritas. A responsabilidade, tendo em vista que “Doutrina Espírita é portadora de uma das mensagens mais completas, seja para soerguer o indivíduo pelo consolo, seja para promover seu desenvolvimento espiritual”, a responsabilidade para tal fato só poderia estar na ação dos dirigentes.

Entre as dificuldades, a mais grave seria a incapacidade deles de exercer a autocrítica. Como todo ser humano, a pessoa que assume um cargo na casa espírita possui suas limitações morais e intelectuais e o trabalho voluntário muitas vezes não pode ser exigente nas qualificações devido à crônica escassez de mão de obra disponível.

O texto citava o pouco uso do conselho socrático “Conhece-te a ti mesmo” e da sua humilde confissão “Só sei que nada sei”. Orgulho, autossuficiência, personalismo, ignorância são marcas encontradas facilmente nos responsáveis por conduzir algumas das tarefas espíritas. Deficientes as transmissões às crianças por subestimação de suas capacidades ou linguagem eivada excessivamente de religiosismo. Aos jovens, programas desconectados de sua realidade social e, nos adultos, estudos superficiais; o passe e água energizada transformados em ritual; as apresentações dos comunicadores pautadas por discursos doutrinantes e monótonos.

O Editorial desautorizava os queixosos dos números apontados pelo IBGE no Censo de 2000. Se havia tão poucos espíritas não era por erro dos recenseadores ou do proselitismo agressivo dos evangélicos, mas por incompetência dos próprios espíritas. E concluía com uma frase do filósofo, jornalista e escritor espírita Herculano Pires, para quem “o Espiritismo era uma doutrina de gigantes em mãos de pigmeus”.

Na página 03, o tópico da seção “Subsídios para a melhoria da imprensa espírita”, comentou o item II do tema “Entrevista”. Definir o tema central, conhecer antes o entrevistado, iniciar com uma questão fechada, preparar todas as perguntas, delimitar o assunto, cuidados durante a preparação. 

Formular perguntas claras e precisas, dar tempo para as respostas, uma questão de cada vez, dinâmica durante a entrevista. E no depois: revisar, arranjar início e final atraentes, adicionar um “lead”, criar título interessante, inserir intertítulos.

Na página 6, seção “Cantinho Científico”, o tema foi “Mediunidade subjetiva – clarividência”. Primeiro veio a explicação sobre as diferenças entre fenômenos de efeitos físicos (levitação, materializações, escrita e voz diretas) e os de efeitos intelectuais (psicografia, psicofonia, vidência, intuição, etc). Uns ferem os sentidos físicos, os últimos não. Mas as partes do cérebro envolvidos nos transes também são distintas.

A clarividência é uma faculdade anímica e não propriamente mediúnica. Nela as percepções visuais dão-se pelas vias sensoriais enquanto na vidência, mediúnica, são puramente psíquicas. Allan Kardec esclarece que um cego pode ser vidente, mas não clarividente e o vidente vê tanto de olhos abertos como fechados. Mas o Codificador pouco usou o termo clarividência, preferindo o vocábulo dupla-vista.

A vidência divide-se no espaço em local e à distância; e no tempo em cognição simultânea, precognição e retrocognição. Percepções sobre o passado são obtidas também por outros meios, como a intuição e a psicometria, e do futuro, através dos pressentimentos e a profecia.

A primeira edição de 2004 trouxe um pouco de humor, coisa rara em nossos periódicos. Por exemplo, as seguintes máximas religiosas “adulteradas”. Se Maomé não vai à montanha, ele pode orar agora pela internet. E: Deus não escreve certo por linhas torta; quem fez isso foi seu secretário Moisés no Sinai. Tinha as ecológicas. Nem tanto a terra, nem tanto ao mar. Que tal ir de avião? Meteorológicas: Após a tempestade vêm... os alagamentos, engarrafamentos, prejuízos; Quem sai na chuva... é porque cansou de esperar sair o sol. Tinha de saúde: Todos têm o direito a um lugar ao sol. Mas cuidado com os raios ultravioletas. E, para terminar, as filosóficas: Quem espera... às vezes se cansa; Se a justiça é cega, quem olha a balança?

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