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Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 104ª edição | 07 de 2014.

Reflexões sobre a Copa

  • Exemplo Japonês Exemplo Japonês

Deixemos as análises sobre as performances dos selecionados nacionais para quem é do ramo. Nem mesmo o fracasso brasileiro ou o merecido sucesso alemão tem ver muito ao caso aqui. Pretendemos somente destacar algumas ocorrências isoladas dentro do megaevento que podem oferecer a oportunidade de uma reflexão “espírita”.

Os irmãos Boateng já haviam protagonizado o fato inusitado e, até então, inédito, na Copa da África do Sul, em 2010, e agora a repetiram: enfrentaram-se em duas seleções diferentes. Ambos nasceram na Alemanha e são meio-irmãos, filhos de pai ganês, mas de duas mães alemãs.

Hevin, 27 anos, já abandonou um jogo por receber insultos racistas na Itália e agora, após o confronto, ele por Gana, e Jerôme pela Alemanha, foi cortado por indisciplina. Antes do duelo esportivo o cumprimento entre ambos foi frio, talvez reflexo de um desentendimento ocorrido há quatro anos, antes da edição anterior da Copa. O revide de Prince a uma provocação de Ballack ocasionou a lesão que tirou este último daquela competição e o irmão não o defendeu perante a opinião pública.

Que lições podemos tirar de tudo isso? Destino? Reajustes familiares?

Ao término jogos, os torcedores japoneses, em vez de se retirarem imediatamente, preferiam recolher todo o lixo deixado nas arquibancadas. Reportagem mostrou que em Tóquio sequer há lixeiras nas ruas. Cada um carrega o seu até em casa e há voluntários que retiram das ruas até pequenos papéis ocultos sob arbustos. Pensando em ecologia e educação.

A mordida do uruguaio Luis Soares contra o atleta italiano lhe rendeu uma punição considerada severa demais até pela sua vítima. Era reincidente neste comportamento estranho. Descontrole emocional? Instinto animal?

Thiago Silva esteve fora do desastre contra a Alemanha e nada garante que com ele em campo as coisas seriam muito diferentes, mas o fato é que, ele só chegou aonde chegou porque o avô interferiu, impedindo que sua mãe o abortasse. Mulher humilde, já com filhos, sem companheiro para atender as necessidades financeiras, hesitou porque sequer possuía recursos para pagar os custos do aborto. Seu pai disse-lhe para levar a gravidez adiante que Deus ajudaria. Se a intenção da desesperada mulher tivesse sido concretizada, o Brasil teria deixado de contar com um grande atleta. 

O camaronês deu uma cabeçada num companheiro após a derrota para o Brasil e confessou que joga por dinheiro. Disse que beijar o escudo do clube que se defende e seis meses ir embora é hipocrisia. Mantém relações profissionais com os companheiros e não de amizade, mas é embaixador da ONU na África e tem projetos contra a pobreza que pretende desenvolver quando se aposentar do futebol.

Aliás, os jogadores de Camarões ameaçaram não vir ao Brasil por não ter recebido a premiação pela classificação para a Copa, problema só resolvido poucos dias antes do início do evento. Já o governo de Gana teve que fretar um avião para trazer as gratificações referentes à respectiva classificação e jogadores foram vistos no hotel cheirando os maços de dinheiro.

Quem está certo? Em jogo, sem trocadilhos, a sinceridade, o profissionalismo, a ganância, chantagem, promessas não cumpridas.

Tivemos o paradoxo da contagiante alegria dos anfitriões transmitida aos visitantes estrangeiros e a humilhação sofrida perante a Alemanha, justamente no Dia da Alegria. Teve vaias deselegantes no Hino do Chile por imitarem o “à capela”; xingamentos de extremo mau gosto à presidente; declarações racistas e ameaças ao colombiano por ter machucado Neymar, insufladas pela mídia que classificou a entrada de “criminosa”, num claro exagero. E teve as drogas correndo soltas na Vila Madalena, em São Paulo, local de reunião de torcedores após os jogos. 

Civismo exacerbado no episódio do hino chileno? Falta dele e de educação básica contra a presidente e demais 65 mil pessoas presentes no estádio? Vazamento de racismo e violência instigados pelas “patriotadas” da mídia que se comporta mais como torcedor comum do que profissional da comunicação? Polícia omissa, visto que estava presente, quanto à comercialização e consumo de drogas?

No final, tudo bem. O Brasil perdeu dentro de campo, mas venceu fora. Os turistas ficaram felizes e querem voltar. A organização, transportes e segurança não pagaram mico. E nosso país reforça a pretensão de exercitar o softy power ou poder suave, a influência no mundo através de ideias, valores e a cultura, em contraposição ao hard power, imposto por forças militares ou coerção econômica.

Seria a cativação ao nosso modo de ser, alegre, festeiro, fraterno, com nossas festas populares, a música, o próprio futebol, arquitetura, natureza e diversidade étnica. Quem sabe, também, pela inclinação de nossas almas a caminho de uma transformação para o “coração do mundo e pátria do evangelho”. Se o sonho do hexa não morreu, esse último muito menos deve nos abandonar. Mas sem ufanismos em excesso para não se repetir o fracasso de agora.

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