ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 104ª edição | 07 de 2014.

Autorretrato

Há dez anos o bicentenário de nascimento de

Kardec; a campanha da ADE-PR pela doação

de órgãos; a faculdade de psicofonia; diferen-

ças entre união e unificação e o que não é

 

proseletismo

O nosso passeio nostálgico pela edição n° 45, referente ao bimestre setembro-outubro de 2004, do “ADE-PR Informativo”, precursor deste jornal, começa com o texto de capa aludindo às comemorações do bicentenário de nascimento do Codificador do Espiritismo.

Hippolyte Léon Denizard Rivail, depois Allan Kardec, como passou a assinar as obras espíritas escritas em conjunto com os Instrutores Espirituais, reencarnou em Lyon a 03 de outubro de 1804 e a matéria informava que a ADE-PR participava das comemorações, principalmente na forma de veiculação da sua brilhante biografia com destacada atuação como professor, pedagogo, escritor e, por fim, sua extraordinária missão à frente da estruturação da Doutrina Espírita.

Na ocasião, a ADE-PR também lançou um adesivo para automóveis com a frase “Allan Kardec, a fé raciocinada” e, obviamente a data alusiva.

No Editorial constou informações a respeito da campanha que a ADE-PR estava iniciando em prol da doação de órgãos para transplantes. Fazia menção à pesquisa que estava sendo levada a efeito em diversas Casas Espíritas de Curitiba cujo universo desejado era de 1000 pessoas entrevistadas com o intuito de sondar a disposição das mesmas em relação ao assunto.

Esta etapa seria seguida pelo lançamento oficial da campanha marcada para o dia 31 daquele outubro de 2004 com palestra do médico catarinense Ricardo Di Bernardi, bem como de palestras diversas proferidas pela equipe da ADE-PR.

Outra ação previa o envio a todas as Casas Espíritas do Paraná de materiais sobre o tema obtidos junto à Secretaria Estadual de Saúde e à Central de Transplantes e, ainda, uma cartilha a ser elaborada pela ADE-PR contendo os dados da pesquisa e textos de conscientização sobre a importância do ato de doar órgãos.

Finalmente, a campanha seria amplamente divulgada pelos meios disponíveis à ADE-PR como o seu próprio órgão impresso, em seu sítio eletrônico, nos programas de rádio e televisão de que participava, “Espiritismo em palavras simples” e “Espiritismo na TV”, respectivamente e, ainda, na coluna “Visão” do jornal “O Estado do Paraná”.

Na seção “Subsídios para a melhoria da imprensa espírita”, o tópico da edição abordava a elaboração de um ‘artigo’, tido por definição como “o texto jornalístico interpretativo e opinativo mais ou menos extenso que desenvolve uma ideia ou comenta um assunto a partir de determinada fundamentação”.

Dois elementos lhe são inerentes: atualidade e opinião, esta última como expressão do ponto de vista do autor e deve ser estruturado em título, introdução, discussão/argumentação e conclusão. Também apresenta muitas características que fazem-no assemelhar-se ao editorial, embora sem o mesmo tom dogmático, prevalecendo uma composição mais analítica.

Na página 6, seção “Cantinho Científico”, o tema desenvolvido foi a faculdade mediúnica da psicofonia. Dizia o texto que as variadas formas de manifestações psicofônicas estão condicionadas pelos seguintes fatores: 1- graus de afinidade fluídica entre o espírito comunicante e o médium; 2 – grau de sintonia mental; 3 – maior ou menor exteriorização perispiritual do médium; e 4 – as capacidades morais e intelectuais do médium facilitando ou não a transmissão das ideias.

Daí obtermos comunicações conscientes, semi-conscientes e inconscientes. Nas primeiras a combinação de radiações permite a criação de uma “atmosfera fluídica” que se torna o canal de comunicação da mensagem, sempre, porém, sofrendo a interferência intelectual do médium como, por exemplo, no vocabulário. O médium sofre a influência do comunicante, mas, por captar as ideias com antecedência, faz a filtragem das mesmas, desempenhando o papel de intérprete.

Na forma semi-consciente, o perispírito do médium exterioriza-se parcialmente e a influência do mensageiro é maior. O médium só toma conhecimento do conteúdo da mensagem no instante em que a transmissão ocorre.

Finalmente, na psicofonia inconsciente, ocorre a exteriorização total ou quase total do perispírito do médium, embora sempre restando-lhe a participação de vigilância através do seu livre-arbítrio quanto à veiculação, por exemplo, de termos impróprios ou movimentos físicos violentos do seu corpo. 

Na 8 e última página, dois textos menores. O primeiro tinha por título “União e unificação”, no qual buscou-se apontar as diferenças entre ambas as posturas e as vantagens da primeira sobre a segunda.

A começar pelas definições dos dicionários, vemos que união significa ligação, pacto, aliança, concórdia, casamento, confederação, esforço moral ou intelectual pelos místicos para se unirem à ideia ou objeto que lhes ocupa a mente, soma reunião. Já unificação implica na reunião em um todo ou em um só corpo, fazer convergir para um só fim.

A sugerida preferência pela união no Movimento Espírita deve-se justamente a uma aplicação nem sempre adequada dos que propõem a necessidade imperiosa da unificação, representada por “uma massificação de ideias e, sempre que possível, de práticas e comportamentos”. Homogenização da multiplicidade e redução da diversidade de opiniões, desprezo às diferenças individuais e cristalização no pensar e no agir.

Um exemplo positivo citado foi a família unida, mas mantendo-se o respeito à liberdade de cada membro, contemplado com direitos e deveres. Em outra situação temos um time esportivo, cada um levando a sua própria vida, mas unidos em determinado momento para atingir um objetivo comum que é a vitória ou um título. Um terceiro exemplo lembrado foi a União Europeia com o compartilhamento econômico e político, mas mantendo-se a soberania de estado, língua, costumes e símbolos nacionais.

O segundo texto, o qual fechava a edição n° 45, tinha por título “O que é não fazer proselitismo espírita”. Transcrevemos parcialmente o primeiro parágrafo. “Seria sonegar a informação espírita, a omissão na divulgação? Não. É compreender e se contentar com o fato de que o mundo não vai se tornar espírita, mas pode ser melhorado bastante pelo Espiritismo. É transmitir seu conhecimento na íntegra, mas aceitar que cada um talvez só poderá aceitar ou assimilar parte dele conforme suas possibilidades e interesses”.

E mais à frente: “A Doutrina Espírita continuará intocável, fonte pura, mas não é justo obrigar que só sirvam dela os que forem usar o cântaro exclusivo da forma que lhe é acessória. O Espiritismo não pertencer a este ou àquele, não tem donos; a fonte não está em propriedade particular, mas pública com acesso livre a todos e cada um levará dela a quantidade que desejar e convir... é o seu livre-arbítrio... O que o indivíduo faz daquilo que aprende no centro espírita não é problema nosso, mas dele. Se o resultado não sair a contento, a culpa será exclusiva sua. Isto não é fazer proselitismo. Oferecer o que temos de melhor em conhecimento e fraternidade, mas sem impor o caminho que o viajor deve trilhar após abastecer-se deles”.



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