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Jornal Comunica Ação Espírita | 69ª edição | 09 de 2008.

Expositor Espírita - Parte 1

Por Wilson Czerski

  • Expositor espírita Joan Barreto. foto: http://www.cemana.org.br. Expositor espírita Joan Barreto. foto: http://www.cemana.org.br.

A oratória ou exposição espírita, termo este mais apropriado segundo o nosso entendimento, constitui capítulo fundamental na área da divulgação e tem merecido atenção especial dos dirigentes resultando em inúmeros trabalhos desenvolvidos com o objetivo de transmitir técnicas apropriadas, melhorando assim a qualidade da comunicação espírita no âmbito das nossas instituições. Muitas federativas possuem subsídios nesta área, geralmente no formato de apostilas de excelente qualidade e que mereceriam edições maiores colocadas ao alcance de todo o público espírita. Alguns desses trabalhos são contributos individuais que se contentam com uma distribuição limitada ou seletiva ou não encontram apoio para publicação em tiragens condizentes com a qualidade dos mesmos.

Apresentamos um apanhado de alguns desses materiais que nos chegaram às mãos com a esperança de que sirvam de substrato aos interessados em transmitir aos freqüentadores das casas espíritas um pouco do imenso conteúdo da Doutrina Espírita.

Da comunicação em si

CONCEITO: “ato ou efeito de emitir, transmitir e receber mensagens por meios de métodos e/ou processos convencionados, quer através da linguagem falada ou escrita, quer de outros sinais, signos ou símbolos, quer de aparelhamento técnico especializado, sonoro e/ou visual; capacidade de trocar ou discutir idéias, de dialogar, de conversar, com vista ao bom entendimento entre pessoas” (Aurelião).

O conceito acima sintetiza grande parte do que exporemos aqui e merece séria reflexão. Implica entendermos que para que haja comunicação, em se tratando especificamente de comunicação oral espírita, não basta papaguearmos na tribuna durante 40 ou 60 minutos sobre qualquer assunto doutrinário, ainda que o conheçamos como ninguém outro. Fica claro também que a comunicação, aqui predominantemente oral, até involuntária e inconscientemente, é completada por outros meios como a gesticulação e não pode ser unilateral, porém uma estrada de mão-dupla. Comunicar não é só transferir informações mas fazer compreender. Para que aquela ocorra, portanto, precisa haver sintonia, tornando a mensagem particular em comum. Ressalta do que foi dito até agora a presença essencial dos quatro elementos do processo da comunicação: transmissor/emissor, receptor, meio e mensagem.

Detalhes dos elementos

Mensagem. Principal qualidade: objetividade. Para obtê-la, deve possuir clareza e concisão. Barreiras ou defeitos: quando inadequada, inoportuna ou indesejável.

Emissor. Escolherá entre, ou mesclar, convencimento e persuasão. O primeiro pela lógica e raciocínio e a segunda pela psicologia e emoções. Não descuidará das técnicas, conteúdo, tipo e motivação do público, barreiras da mensagem e do meio, postura, imagem e gesticulação. Pelo auto-conhecimento e vontade procurará vencer os obstáculos à boa comunicação, algumas inerentes à sua personalidade, outras por ignorância, hábitos adquiridos, etc. Os preconceitos, fatores hereditários, meio social, educação, experiências individuais, auto-suficiência, cristalização de conceitos e avaliação com desprezo às atualizações sociais, tecnológicas e científicas são os mais comuns. Desconhecimento do assunto, prolixidade, falta de interesse ou entusiasmo são efeitos observáveis. Outro ponto importante, não só pelo aspecto ético mas de segurança na comunicação espírita, é o de reunir na mensagem os componentes objetivo e subjetivo, isto é, o recomendado com o vivenciado.

Receptor. Devemos procurar mantê-lo com atenção e interesse. Para tal, a mensagem, além das qualidades já citadas, deve ser corretamente transmitida, com domínio do assunto e dos recursos vocais e elegância na postura e no uso do microfone. O público deve ser percebido e entendido física, econômica, social, psicológica e espiritualmente.

Meio. Estamos falando da comunicação oral, mas como dissemos, ela pode e deve ser enriquecida por outros veículos como a escrita (transparências), eslaides, “data-show”, audiovisual (retroprojetor) e lousa. A associação destes meios deve ser estudada, tornando a exposição mais dinâmica, objetiva e agradável. Ilustremos melhor o assunto confrontando as vantagens entre elas. Na comunicação escrita dispomos de mais tempo para pensar, efetuar correções, há durabilidade favorecendo a memorização pelo registro da mensagem. A oral é mais fácil, há imediata verificação das reações do receptor, é, até certo ponto, mais persuasiva quando acompanhada pela adequada modulação da voz, gestual e expressões corporais. É ainda mais rápida permitindo o esclarecimento de dúvidas ou permuta de informações e opiniões. Faz parte da chamada comunicação informal, eficaz no combate à burocracia. Já a comunicação visual é acessível a todos os níveis intelectuais e mesmo deficientes auditivos. Sedimenta a mensagem escrita e oral.

A propósito vale apresentar o resultado dos seguintes estudos. Das informações que recebemos, somos capazes de absorver 10% quando as lemos; 20% quando as ouvimos; 30% das que vemos e 50% das que vemos e ouvimos. Para o que foi ouvido e discutido, podemos assimilar 70% e até 90% se, além de ouvirmos, colocarmos em prática em seguida. Outra análise demonstra que de uma palestra, passadas três horas, ainda retemos 70% de seu conteúdo, mas somente 10% quando já transcorridos três dias. Com a utilização de recursos audiovisuais, teremos 85% e 65% para aqueles mesmos períodos, respectivamente. Mas é bom lembrar que se contarmos com material impresso a retenção sobe para 100% visto que poderá ser consultado a qualquer momento.

Oportuno diferenciarmos exposição que significa narração, explanação, desenvolvimento de um tema, de palestra, definida como conversa, conferência ou discussões sobre tema científico. Por sua vez, oratória é entendida como a arte de bem falar em público, exigindo, além do conhecimento técnico da comunicação, possuir-se o dom e voz apropriada.

(Continua na edição seguinte).

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