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Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 90ª edição | 03 de 2012.

O que dizem os outros jornais

Obsessão ou mito?

    A Revista SER Espírita – redação@serespirita.com.br (Curitiba, ed. n° 16, do final do ano passado) publicou matéria de Mara Andrich com o título acima que causou estranheza pelas ideias expostas. Fiéis ao compromisso, especialmente nesta coluna, de tentar proporcionar ao leitor do CAE uma noção do que se divulga atualmente na imprensa espírita, pinçamos algumas das declarações contidas na referida reportagem para serem devidamente refletidas e avaliadas. Ao mesmo tempo oferecemos ponderações exaradas das obras de Kardec e outros autores a respeito deste mesmo assunto, sintetizadas em artigo assinado por Marcos Paterra (marcos.paterra@gmail.com), publicado na Revista Internacional de Espiritismo - oclarim@oclarim.com.br (Matão-SP, ed. janeiro/2012).
    No primeiro artigo em referência, Mara parte da definição de obsessão no dicionário e em seguida de Allan Kardec em A Gênese: “ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo... desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais”. Depois afirma que a obsessão ‘é negada por alguns e defendida por outros’.
    Expõe a opinião de uma diretora da FEB a favor, claro, da tese afirmativa para, em seguida, informar que alguns estudiosos espíritas acreditam que o fenômeno não ocorre. Entre eles estaria o professor e sociólogo Rui Paz, membro da SBBE – Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas, instituição responsável pela revista. “Depois que desencarna – diz ele – o espírito não fica mais na Terra por conta de sua frequência que se torna incompatível com o meio material”, portanto, não poderia obsidiar ninguém. O professor explica, ainda, que “admitir a obsessão é o mesmo que negar a existência do livre-arbítrio” visto que o encarnado poderia ficar totalmente dominado por um desencarnado.
    A articulista acrescenta depois o ensinamento do espírito Antonio Grimm, um dos orientadores da SER Espírita, através da psicofonia do médium Maury Rodrigues da Cruz: “Ou os senhores falam em livre-arbítrio – ou seja, que cada um colhe o que planta – ou dizem que há alguém que não os deixa pensar livremente”.
Voltando a Rui Paz, ele afirma que Kardec trabalhou em face de uma massa crítica disponível naquele momento, e que possibilitou a interpretação do fenômeno como sendo obsessão. “Os distúrbios anímicos... mal interpretados ou compreendidos, levaram a esses equívocos. E Kardec, infelizmente, não ficou imune a isso”.
Mas nas páginas seguintes há uma matéria complementar, “Os espíritos podem nos controlar?” na qual se faz menção a uma mensagem mediúnica recente do espírito Leocádio José Correia, pelo mesmo Maury Rodrigues. Nela, teria sido reiterada a afirmação de que sem corpo físico e ‘sem conhecimento adequado não há como um espírito permanecer na Terra. Isso só ocorreria por períodos curtos para o atendimento de objetivos relacionados ao progresso humano, isto é, espíritos superiores.
    Agora passemos ao segundo artigo mencionado, do Marcos Paterra. Ele também se vale da obra A Gênese, cap. 14. Vejamos: “Pululam em torno da Terra os maus Espíritos em consequência da inferioridade moral de seus habitantes. A ação malfazeja... é parte integrante dos flagelos com que a Humanidade se vê a braços... A obsessão... deve ser encarada como provação ou expiação...”.
    De O Livro dos Espíritos, Marcos recorta “Não confundamos a loucura patológica com a obsessão...”. O autor espiritual Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo P. Franco, também é citado quando afirma em Nos Bastidores da Obsessão que “as causas variam... às vezes vingança... muitas não há mais do que o desejo de fazer o mal...”. Mais à frente, Philomeno elucida a respeito do tratamento a ser aplicado: “... enfermidade de longo curso... tratamentos complexos...”.
    Para, por nossa vez, não nos omitirmos, elencamos abaixo sinteticamente alguns apontamentos sobre o risco de se fazer afirmações como as propostas na SER Espírita. Por exemplo, dizer que só os bons espíritos têm acesso aos encarnados é indício de orgulho. Sobre a classificação de Kardec, embora influência e obsessão possuam definições diferentes, pedagogicamente, pode e deve ser aceita.
    E as fontes são inúmeras, a começar pelas Obras Básicas. Os Espíritos teriam se equivocado ao falar tanto dela, a obsessão? Ou teriam tentado nos enganar? Dizer que não há obsessores é afirmar que boa parte das atividades espíritas são fantasias. O que fazem os milhares de grupos de desobsessão nos centros espíritas de todo o Brasil? Seria alguma brincadeira como nos velhos tempos das mesas girantes nos salões parisienses? Animismo talvez? Psicoterapia anímica? E as provas contundentes das ações perniciosas, os testemunhos, as identificações positivadas e a eficácia dos resultados?
    Contrapor, simplesmente, obsessão e livre-arbítrio é pueril. O livre-arbítrio entre os encarnados não é absoluto. Ninguém o exerce plenamente. Sofremos limitações diversas, tanto em face do determinismo divino e da própria construção do destino individual, consequência, portanto, da lei de causa e efeito, como por força de injunções exteriores provenientes de terceiros. Para o bem ou para o mal, nossa autonomia de vontade é afetada por desencarnados e encarnados, bons e maus.
    Nas causas da obsessão, encontramos não apenas os ódios e desejos de vinganças, mas a atração por afinidade e até o sentimento de proteção de uma mãe desencarnada, por exemplo. Enfim, duvidar dos processos obsessivos é quase o mesmo que duvidar da própria existência dos espíritos. Nada mais, nada menos.

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