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Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 134ª edição | 07 de 2019.

Lentes Especiais

Em nome da fé o mundo já sofreu grandes transformações e a civilização avançou. Em nome da fé o mundo já presenciou exemplos maravilhosos de sacrifícios e amor ao próximo. Em nome da fé o mundo já viveu convulsões e catástrofes, guerras e ataques terroristas. A fé pode iluminar e aproximar de Deus, mas pode também disseminar a discórdia, espalhar ódio, destruir e acabar com o sonho da fraternidade. 

Mas por que isso acontece? Fé cega e fé raciocinada. Na diferença entre elas encontramos a explicação. A fé cega é dogmática, fanática, irracional e espalha a sombra e o atraso. A fé raciocinada crê porque sabe, apoia-se na lógica, une o sentimento de confiança e a sabedoria.

A fé adotada pela Doutrina Espírita é a deste último tipo, o que a coloca um passo – ou talvez muitos passos – à frente de tantas outras que preferem teimar em não enxergar a luz. Essa é a fé que pode estabelecer o laço de união entre a religião de um lado e a ciência e a filosofia de outro.

A fé raciocinada é a que provém ou submete-se ao crivo da razão e não pode se opor à lógica. A fé raciocinada é, ao contrário de Tomé, crer sem ver. Mais que isso, a fé raciocinada ilumina a verdade contra a escuridão da fé cega, dos dogmas, desfaz mistérios, combate superstições, liberta da falsidade.

Há quem alegue que são coisas diferentes que não se misturam: uma, a razão, vem do cérebro e a outra, a fé, vem do coração. Na verdade, o Espiritismo estabelece o traço de união das duas, da ciência e religião, do conhecimento e do sentimento.

No “Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XIX, item 6, encontramos: Do ponto de vista religioso, a fé consiste na crença em dogmas especiais, que constituem as diferentes religiões. Todas elas têm seus artigos de fé. Sob esse aspecto, pode a fé ser raciocinada ou cega. Nada examinando, a fé cega aceita, sem verificação, assim o verdadeiro como o falso, e a cada passo se choca com a evidência e a razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Em assentando no erro, cedo ou tarde desmorona; somente a fé que se baseia na verdade garante o futuro, porque nada tem a temer do progresso das luzes, dado que o que é verdadeiro na obscuridade, também o é à luz meridiana. Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade; preconizar alguém a fé cega sobre um ponto de crença é confessar-se impotente para demonstrar que está com a razão.

Há ausência de fé raciocinada quando adotamos em nossas vidas um ou mais tipos de superstições: temor de passar embaixo de escada, topar com gato preto, entrar com o pé direito no campo de futebol, o uso repetitivo de certa cor de roupa, uso de amuletos, ferradura atrás da porta, pular sete ondas no Ano-novo e tantas centenas de outras.

O uso de medalhinhas, para os de fé sincera e boa conduta, pode até ajudar ao ver ou apalpar. Também o uso de imagens, mas aquele material ali é só metal - mesmo que precioso, ouro ou prata, ou argila, gesso.  O santo não está ali. O pedido de socorro e eventual ajuda se dá pela evocação da entidade, espírito protetor, Jesus, Deus.

A fé raciocinada não pode colidir com as comprovações científicas. Claro que ainda há muito o que se descobrir e a ciência tem seus limites e equívocos. Também é verdade que os caminhos do conhecimento não se restringem à ciência oficial. Há as revelações dos fenômenos da alma pela filosofia, por exemplo. 

Vejamos outro trecho de Kardec sobre o assunto, tirado de “Obras Póstumas”: Mas, para isso, lhe é necessária a fé, sem a qual ficará forçosamente na rotina do presente; não a fé cega que foge da luz, restringe as ideias, e, por isso mesmo, mantém o egoísmo, mas a fé inteligente, raciocinada, que quer a claridade e não as trevas, que rasga temerariamente o véu dos mistérios e alarga o horizonte; é essa fé, primeiro elemento de todo o progresso, que o Espiritismo lhe traz, fé robusta porque está fundada sobre a experiência e os fatos, porque lhe dá provas palpáveis da imortalidade de sua alma, lhe ensina de onde vem, para onde vai, e porque está sobre a Terra; porque, enfim, ela fixa suas ideias incertas sobre seu passado e sobre seu futuro.

Querem outros exemplos de fé dogmática? O céu e inferno. Só figuração. Mais ainda quando o céu está em cima e o inferno embaixo. Mas não existe em cima e embaixo. A Terra é uma ilha cósmica, cercada pela atmosfera, mais próximo, e depois pelo vácuo e, também por vizinhos longínquos por todos os lados.

“Vá com Deus”, mas Deus não vai a lugar algum, já está em todo lugar, onipresente, em tudo, até nos elétrons e no núcleo dos átomos, dentro e fora de tudo. Ressurreição do corpo não adianta insistir, é impossível. Pode haver ressurreição no corpo, ressurgir em corpo carnal numa nova passagem, por isso, reencarnação. Deus não criou o mundo em seis dias e nem ele começou com Adão e Eva. Acreditar nisso é nutrir fé cega.

Outro trecho de “Obras Póstumas”, ao falar sobre as novas gerações: Um dos caracteres distintivos da nova geração será a fé inata; não a fé exclusiva e cega que divide os homens, mas a fé raciocinada que esclarece e fortalece, que os une e os confunde num comum sentimento de amor a Deus e ao próximo. Com a geração que se extingue desaparecerão os últimos vestígios da incredulidade e do fanatismo, igualmente contrários ao progresso moral e social.

Hermínio C. de Miranda, em “Memória Cósmica”, diz:” há uma fé que apenas crê e outra que sabe”. E não custa recordar mais uma vez o Codificador: “Fé inabalável somente a que encara face a face a razão em todas as épocas da humanidade”.

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