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Jornal Comunica Ação Espírita | 71ª edição | 01 de 2009.

Centenário de nascimento da poetisa Nair Westphalen

Por Gliquéria Yarentchuk

Nair Cravo Westphalen nasceu em Curitiba em 24 de novembro de 1908 e desencarnou em 13 de janeiro de 1988. Descendente de família espírita, desde jovem manifestou seus dotes para a literatura. Aos 18 anos já publicava crônicas e poesias nos jornais e revistas de Curitiba.

Como professora, publicou duas obras didáticas: “Cantando os Pinheirais” e “Antologia Escolar Paranaense”, colaboração importante para a cultura do Paraná.

Ligada às letras e à cultura, foi membro das seguintes instituições literárias paranaenses: Academia Feminina de Letras do Paraná, Centro Paranaense Feminino de Cultura, Academia José de Alencar, Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense, Sala do Poeta e vários clubes culturais da época.

Possuindo o dom de oratória e médium psicofônica, proferiu palestras divulgando a Doutrina Espírita em Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraguai, Chile, Portugal e África.

No ano de 1970, após participar de uma excursão para a Europa, Nair permaneceu em Lisboa durante três semanas quando fez contato com vários escritores portugueses. Em determinada reunião pública, no encerramento, declamou o poema “Evolução”. Graças a este fato, conheceu uma senhora dirigente de um Grupo Espírita Familiar e foi convidada a participar de uma reunião em sua casa, por não haver autorização legal no país para o exercício de outras doutrinas religiosas porque o catolicismo era a religião oficial. Assim, começou a delinear-se um caminho para o qual ela se propunha realizar com muita dedicação.

Em 1971, teve oportunidade de implementar grupos de estudos na cidade de Beira, em Moçambique e em Luanda, capital de Angola – possessões portuguesas na África Oriental. Em Portugal fez palestras em Santarém e Almerim.

Retornando para a África em 1973, plantou sementes da Terceira Revelação nos seguintes locais: Lourenço Marques, Beira, Luanda, Novo Redondo, Lobito, Benguela, Nova Lisboa, Santa Comba e Quimbala. Retornou a Portugal e continuou seu trabalho em Lisboa, Coimbra, Tondela, Argonzelo, Vila Nova de Gaia, Leiria e Pinhal Novo.

Em 1978 permaneceu seis meses em Portugal percorrendo as regiões sul e norte das cidades que fazem fronteira com a Espanha, um total de 19 cidades. Viajando em carros de amigos, atravessou o país proferindo palestras doutrinárias, distribuindo materiais de apoio aos grupos que foram criados, dando atendimento a pessoas, individualmente, através de mensagens recebidas do plano espiritual, considerando seu trabalho como missão, visto obedecer o roteiro determinado pelo Alto, jamais prevalecendo locais de sua preferência.

As viagens foram realizadas às suas expensas, aproveitando hospedagens e transportes quando lhe eram oferecidos pelos amigos e os materiais impressos e livros distribuídos foram doados por algumas instituições espíritas de Curitiba.

Nair, durante oito anos, realizou seu propósito de divulgação da Doutrina Espírita, em terras distantes, para onde foi encaminhada pelos espíritos amigos que a auxiliaram nesta grande tarefa.

Evolução *

Nair Cravo Westhpalen

Sei que estou caminhando há milênios!

Impelida pelo fluido cósmico e vital,

flutuando, vagando, rolando em turbilhão.

Quantas estradas já percorri...

Onde senti a primeira vibração?

Embrionária, terrena, espiritual?

Na obscuridade, sem descanso, tropeçando,

no fausto, na pobreza, trabalhando.

Terei atravessado bosques, rios e florestas,

cavernas, abismos, montanhas e rochedos!

Lembro-me agora, pela emoção que senti...

Tão sensível, suave como um carinho.

Dormia na pedra, minha irmã.

- Por isso amo as pedras dos Caminhos!

O tempo, esse grande tecelão

no seu curso imutável de perfeição,

posou-me no cálice de uma flor.

Respirei profundamente deliciada.

Vi desabrochar a natureza exuberante

em todo o seu magnífico explendor!

Fecundação e crescimento das árvores,

sua utilidade como abrigo e alimento.

Flores lindas e plantinhas delicadas,

entumescidas de rica seiva vegetal,

com seus matises e perfume

colorindo e embelezando o mundo.

Sonhei com a grandeza desta terra.

Obscura e humildemente,

Medrosa ainda, mas contente,

por integrar a harmonia universal.

- Por isso amo as plantas.

Mas o tempo passou...

Já não era apenas uma flor.

Pequena, a esmo eu caminhava

e sentia que acompanhava

outros seres, vagando como eu.

Amedrontada, vi tremendos vendavais

da natureza impetuosa, em convulsões.

Presenciei disputas violentas,

cenas horrendas, sangrentas,

entre estranhos irracionais.

Em toda a parte, ciladas e traições.

O instinto, sabiamente me guiava

ao riacho quando sentia sede.

Ao alimento, quando precisava.

Em tudo eu via a Bondade divina

que protege, guia e ilumina.

- Porisso me compadeço

dos meus irmãos inferiores

e amo os animais.

Mas, num incerto e glorioso dia,

a alma vibrou em êxtase, comovida.

Era humana e despertava para a vida.

Crescera e galgara heroicamente,

sim, embora demoradamente,

todos os degraus da evolução

e sentia feliz pulsar o coração!

E a alma liberta e evoluída,

entoou seu cântico de glória,

estuante de alegria de viver.

Pela inteligência, bendisse ao Senhor

todas as dádivas que recebera.

Pelos dons da fala, ouvidos e visão,

extasiada, chorou de emoção.

Tinha movimentos, podia se expandir

no mundo promissor, grande e belo:

- Sublime oficina do Senhor!

Trabalhar sempre, progredir

na escola do amor e caridade.

Possuidora dessa verdade, prosseguir

em benefício de toda a Humanidade.

- É porisso que amo meus irmãos!

** Mantida a ortografia original e/ou conforme envio. (NR)

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