ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

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Jornal Comunica Ação Espírita | 142ª edição | 11 de 2020.

A palavra dos Espíritos e dos espíritas

 

Visto que o número de informações é grande e o espaço pequeno, vamos direto à compilação.

Allan Kardec[1], apresenta uma estatística segundo a qual no ano de 1859 haveria 284.000 espiritualistas nos Estados Unidos e 1.900.000 no mundo; 40.000 médiuns, 500 livros e 13 jornais.

Agora um pouco do jornalista e escritor Deolindo Amorim, primeiro enquanto em vida, e na sequência, após a desencarnação, via mediúnica. Referindo-se à tão propalada necessidade de unificação do Movimento Espírita, afirmou[2]: A unidade deve ser estabelecida sobre princípios e não sobre nuanças, detalhes, técnicas e processos. Isto seria estiolar o próprio Espiritismo que em si é dinâmico[3]. 

E disse mais[3]: não é a divergência que cava o abismo da desunião; é a incompreensão, o personalismo, o radicalismo do elemento humano... o diálogo é uma necessidade... dialogando trocamos ideias e permutamos opiniões e experiências. Uma comunidade que não admite o diálogo está condenada, por si mesma, a ficar parada no tempo... Há entre nós opiniões discordantes em determinados aspectos; porém os princípios não se alteram... são os mesmos.

Muita coisa de utilíssimo valor cultural e aplicação prática para os espíritas encontramos na obra “Espiritismo em Movimento”, também de autoria de Deolindo, porém recebida psicograficamente pelo médium Elzio Ferreira de Souza[4].

Atentemos para as citações em ordem cronológica dentro do livro, todas merecedoras de muita reflexão. À pág. 16 ele diz que o Espiritismo só poderá sobreviver se não imiscuirmos nele as fantasias de supremacia indébita.

Na pág. 39 lembra que a Doutrina Espírita não admite donos, quer personificados em indivíduos ou instituições. Na pág. 49 faz um paralelo da nossa Doutrina com o Catolicismo, religião majoritária no Brasil, e até mesmo a Ciência e a Filosofia, insuficientemente conhecidos ou incorretamente praticados os seus princípios e que, contudo, isto não depõe contra elas. 

Mas devemos, recomenda, preparar/divulgar/formar bem os espíritas para retransmitirem bem, com unidade doutrinária e nada de censores, comissões... índex... livros proibidos ou permitidos. E questiona: Quem seriam os censores, uma vez que o próprio Allan Kardec (OLM) se abstinha de fazê-lo? Listas de livros, para Deolindo, teria como efeito “congelar a Doutrina”. 

Na pág. 50 ele segue o tema, falando que o tempo das excomunhões já passou e que a unidade doutrinária não pode ser imposta, mas fruto do amadurecimento, do estudo e do inter-relacionamento de ideias. Devemos (pág. 52) conhecer o básico e isso não é repetir trechos esparsos de Kardec que viram chavões. O Codificador “deixou claro que não estava colocando a última palavra, não estava encerrando o Espiritismo num túmulo”.

Se Kardec (pág. 53) retomasse sua obra, faria anotações, correções, novas perguntas. “Qualquer novidade deve integrar-se com os princípios doutrinários... discernir... atividade espírita propriamente dita... das atividades assistenciais que deveriam ser realizadas levando-se em conta os princípios filosóficos do Espiritismo” (pág. 56). 

Agora um salto para a pág. 261. Ali, o autor espiritual reproduz palavras de Kardec contidas em “A Gênese”, cap. I, item 55: Tocando todos os ramos da economia social... ele assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam... sem o que ele se suicidaria...

Deolindo lembra (pág. 268) Kardec (OLM, item 35): ... não temos a pretensão ridícula de ser o único distribuidor da luz. Já da “Revista Espírita” (julho/1866), ele extrai: Nem mesmo está completamente constituído em teoria. E na apresentação de OLM (‘ensaio teórico das aparições’): ela (a teoria sobre o tema) ... será completada ou retificada com novos estudos.

Nova observação relevante sobre o Movimento Espírita Brasileiro ele lança à pág. 161: alguns tentando transformar o Espiritismo em uma religião organizada submetida a hierarquias, censuras prévias... tudo a lembrar outras religiões às quais muitas vezes se critica sem se perceber que se está a copiá-las. 

Na pág. 201 o confronto com a verdade entre o “discurso à excelsitude da Doutrina Espírita” e a prática de seus profitentes. Critica (pág. 206) a cansativa repetição de Kardec; “devemos ser continuadores e não repetidores, tal como Léon Denis.

Fala-se muito em Kardec (pág. 214), mas poucos são aqueles que se debruçam sobre sua obra com vontade firme de desentranhar-lhe os princípios, o método, o espírito com que a construiu. ... Abre-se um livro, encontra-se pequeno texto, cita-se... sem considerar as demais referências, o contexto, só aquela passagem. 

Passemos a alguns registros de Alkindar de Oliveira na obra “Espiritismo do Século XXI” [5]. Pergunta ele, quando utilizamos o argumento de que é mais importante a qualidade e não a quantidade de espíritas, não estamos querendo dizer que o Espiritismo veio para um grupo de privilegiados? Não seria uma maneira cômoda de justificarmos nossa falta de ação na difusão do Espiritismo? Jesus, acaso, esperou que os discípulos se tornassem perfeitos para convidá-los? 

Mais à frente ele diagnostica: ... acabamos por desaprender a pensar por nós mesmos (ou nunca aprendemos) e ficamos a aguardar... que nos ditem o que é certo e o que é errado... quais livros devemos ler... relegando-nos... ao estado de imbecilidade por hipotrofia mental.

E fala sobre o projeto ORAR: Ousadia na divulgação, Respeito às instituições, Administração eficaz e Relacionamento harmonioso. E novamente aponta: O Movimento Espírita é bom (não ótimo) para preparar um congresso... ou seminário; é regular (não bom) para fazê-lo, mas não é eficaz para tirar conclusões e ações práticas... Ao final de um, pensa-se já na preparação do próximo, mas e as ações consequentes deste?

Para concluir, dados levantados pela revista Veja[6], alguns dos quais podem ser confrontados com os obtidos na pesquisa de Ivan Franzolim, no texto da página 06 ressaltando-se o intervalo nas datas. 

Enquete em 1996 do Vox Populi: 59% das pessoas em geral acreditavam em espíritos; estudo da FGV: os espíritas pertencem principalmente às classes média e alta e renda familiar 150% maior que média nacional, só perdendo para o judaísmo e a escolaridade também era a segunda (10 anos de estudos); havia 170 editoras, com 250 títulos lançados e seis milhões de livros vendidos anualmente. 

 

Bibliografia:

[1] KARDEC, Allan. Revista Espírita. Volume 1861, julho. 1ª ed. São Paulo-SP: Edicel, 1985.

[2] Bahia Espírita. Salvador-BA, fevereiro-março/2000.

[3]: Tribuna Espírita. João Pessoa-PB.

[4] SOUZA, Elzio Ferreira de. Pelo espírito Deolindo Amorim.  Espiritismo em Movimento. 1ª ed. Salvador-BA: Circulus, 1999.

[5] Oliveira, Alkindar de. Espiritismo do Século XXI. 1ª ed. Santo André-SP: EBM, 2001.

[6] Veja, 26/07/2000. 

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