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Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 73ª edição | 05 de 2009.

A Revista Espírita de Kardec - 2º semestre de 1868

A primeira matéria da edição de julho de 1868 é sobre a numerologia. Allan Kardec inicia confessando que não possui nenhuma opinião a respeito e que ela – ou a ‘concordância dos números’ como a denominava - não constituía uma ciência porque não possuía número suficiente de fatos que a demonstrasse. Nem por isso, porém, ele a nega. “... como a porta do Espiritismo estará sempre aberta a todas as idéias progressivas, a todas as aquisições da inteligência, ele se ocupa com as necessidades do momento, sem temer ser ultrapassado pelas conquistas do futuro”, afirma ele.

A seguir transcreve uma mensagem obtida num grupo muito sério, no qual os espíritos declaram que “...há, certamente, no conjunto dos fenômenos morais, como nos físicos, relações baseadas em números e que a lei que determina a concordância de datas seria revelada aos homens no futuro” pois que no presente outros conhecimentos prévios estavam ausentes. “A natureza – segundo o mensageiro – não tem caprichos; marcha sempre com precisão e com segurança”. E Kardec concorda sobre o inconveniente do momento pelo risco de se vulgarizar “uma crença que, em mãos ignorantes, poderia degenerar em abuso e práticas supersticiosas”.

Mais à frente, Kardec raciocina, como hipótese, que se nascimentos e mortes são regidos pela numerologia, poderia o mesmo se dar com as coletividades como as raças, povos, cidades, suas marchas ascendentes, decadências e ocasos e as revoluções sociais que marcam etapas de progresso. E para aqueles que diriam que o Espiritismo estaria admitindo a fatalidade e negando o livre-arbítrio, o Codificador informa logo que “o Espiritismo jamais negou a fatalidade de certas coisas e que, ao contrário, sempre a reconheceu”, mas esta não entrava o livre-arbítrio.

O homem é submetido fatalmente às leis que regem o conjunto de fenômenos da natureza: nascer, crescer, amadurecer, atender suas necessidades fisiológicas e morrer, mas apressar a morte ou comer demais é decisão sua. Analogamente a um prisioneiro sem sua cela, pode mover-se à vontade, porém, dentro dos limites de suas paredes. Se a fatalidade é absoluta para as leis da matéria – explica – não existe para o Espírito que age sobre ela pela sua vontade.

Depois de exemplificar com certos jogos como os dados e o ‘vermelho e o preto’, Kardec analisa as estatísticas das mortes por faixas etárias e conclui que “... é permitido supor que todas as eventualidades que parecem efeito do acaso, na vida individual, como na dos povos e da humanidade, são regidas por leis numéricas...” e que “Pela mesma razão nada haveria de absolutamente impossível que o conjunto dos fatos de ordem moral e metafísica fosse igualmente subordinado a uma lei numérica, cujos elementos e as bases, até agora, nos são totalmente desconhecidas”.

Insiste em deixar claro que a fatalidade que se impõe aos indivíduos é aparente por ser consequência de seus atos na vida presente ou passada. Somente o geral aplicado às coletividades pode se sobrepor ao livre-arbítrio individual.

“Há muitos espíritas cujo grau de instrução é insuficiente para serem classificados como ‘esclarecidos’. Para melhor propaganda explicações concisas, com exemplos adaptados ao assunto”.

Um outro assunto de destaque da mesma edição é o intitulado “A geração espontânea e a gênese”. Dada a sua complexidade diante da lei da evolução biológica proposta por Charles Darwin dez anos antes, convidamos o caro leitor a examinar o texto na própria fonte visto a impossibilidade de tratá-lo em tão exíguo espaço.

Em junho, Kardec havia se ocupado com as visões do corpo d’água. Em agosto ele volta ao tema para narrar as demonstrações realizadas ao Duque de Orléans, em 1706. Quem conta é o Duque Saint-Simon. A menina era capaz de descrever com precisão o que se passava à distância como no Palácio de Versalhes do qual ela nunca ouvira falar. Não era apenas uma descrição física, mas também sobre pessoas que o habitavam ou haviam habitado e detalhes totalmente desconhecidos dos presentes. Na mesma ocasião, uma imagem do Duque com uma coroa não identificada, foi estampada numa parede e todos puderam vê-la.

No final do texto Kardec comenta que “com ou sem água, tanto o copo quanto a garrafa de cristal (outro caso citado brevemente) evidentemente representam, neste fenômeno, o papel de agentes hipnóticos; a concentração da visão e do pensamento em um ponto provocam um maior ou menor desprendimento da alma e, por conseguinte, o desenvolvimento da visão psíquica”.

No mês de outubro, o editor Kardec reproduz o texto de um correspondente de Saigon (hoje Ho Chi Minh, na Conchinchina (atual Vietnã) que fornece ligeiros traços biográficos e a síntese do pensamento do grande filósofo chinês Lao-Tsê que viveu no século VI a .C. e contido no livro “A razão suprema”. Algumas máximas citadas merecem destaque: “Aquele que conhece os homens é instruído; aquele que se conhece a si mesmo é verdadeiramente esclarecido”; O homem tem a sua lei na terra; a terra tem a sua lei no céu; o céu tem a sua lei na Tas (Deus) ou a razão suprema universal; a razão suprema tem a sua lei em si mesma”.

Em novembro, chama-nos a atenção uma comunicação obtida na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas no dia 23 do mês anterior, pelo médium Sr. Nivard, e assinada por “Um Espírito”, na qual este transmite recomendações sobre a forma de se fazer “A melhor propaganda” do Espiritismo. Diz ele que há muitos espíritas cujo grau de instrução é insuficiente para serem classificados como “espíritas esclarecidos” porque lhes falta a prática ou se a possuem, fazem-no mais com entusiasmo do que com persuasão.

Esclarece estar se referindo à parte filosófica e não à moral visto que esta não apresenta nenhuma dificuldade na teoria e muita na prática. Já os fundamentos filosóficos, para serem repassados, devem estar assentados num conhecimento sólido da teoria.

Recomenda na mensagem que não se extasiem com os fenômenos materiais e que dêem sua explicação sem muito desenvolvimento para não fatigar as pessoas iniciantes no Espiritismo. As explicações devem ser concisas, com exemplos escolhidos, adaptados ao assunto. E arremata que esta base filosófica está em O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns.

Finalmente, em dezembro o Codificador apresenta uma das mais preciosas contribuições à organização e funcionamento do Movimento Espírita pela forma que ele entendia ser a ideal. Escreve sobre a Constituição transitória do Espiritismo – Considerações Preliminares, passa por um resumo dos comentários apresentados cerca de três anos antes nos quais esclarece o modo como administrava os recursos financeiros. Depois fala sobre os cismas, as lideranças do Espiritismo, a formação de um Comitê Central para organizar o movimento, as obras fundamentais da Doutrina, as vias e meios econômicos para dar conta das despesas e a Conclusão.

Todo espírita, mas principalmente, todo dirigente espírita deveria conhecer e refletir sobre as ponderações do mestre lionês.

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