ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 75ª edição | 09 de 2009.

Pluralidade dos mundos habitados

Por Wilson Czerski

  • foto: www.oklo.org<br>O GL 581C é considedrado irmão da Terra. Possui diâmetro 1,5 maior e massa 5 vezes maior que ela e está a 194 trilhões de Km ou 20,5 anos-luz; sua temperatura na superfície deve variar de 0 a 40ºC. foto: www.oklo.org
    O GL 581C é considedrado irmão da Terra. Possui diâmetro 1,5 maior e massa 5 vezes maior que ela e está a 194 trilhões de Km ou 20,5 anos-luz; sua temperatura na superfície deve variar de 0 a 40ºC.
  • foto: www.ccvalg.pt/astronomia<br>Estima-se que haja no Universo 125 bilhões de galáxias como esta, cada uma com 100 bilhões de estrelas e um número incerto de planetas. O homem pergunta: em algum deles haverá vida inteligente? foto: www.ccvalg.pt/astronomia
    Estima-se que haja no Universo 125 bilhões de galáxias como esta, cada uma com 100 bilhões de estrelas e um número incerto de planetas. O homem pergunta: em algum deles haverá vida inteligente?

Este é o quinto dos considerados princípios básicos do Espiritismo. Em edições anteriores tratamos dos demais: Deus, a imortalidade da alma e sua sobrevivência, a reencarnação e a comunicabilidade dos espíritos ou mediunidade. Aliás, a existência de vida em outros mundos é o único destes princípios citados que ainda não conta com o respaldo científico como seria desejável visto que a Doutrina Espírita está alicerçada em três pilares fundamentais: ciência, filosofia e religião. Os demais preenchem todos os requisitos.

Recolhemos algumas notícias e opiniões nos textos espíritas e fora deles, a respeito da possibilidade de vida em outras partes do Universo. Quanto à existência de seres em outros planetas, a lógica filosófica nos obriga a aceitar tal evidência. Do ponto de vista religioso, Jesus fala-nos em muitas moradas na casa do Pai e a Ciência não comprovou até o momento, mas já adivinha.

Pesquisas importantes têm recebido pesados investimentos de países como Estados Unidos para verificar se, de fato, o homem não está só no cosmo. E quando chegar o dia oportuno, quer pela conveniência da descoberta, quer pelo desenvolvimento tecnológico humano, tal se dará para que cresça o nosso respeito para com o Supremo Criador. Estará sendo desferido o golpe final contra o materialismo mecanicista em sua constrangedora insensatez, curando o homem da soberba que o faz preferir a admissão do acaso como responsável pela gênese do infinito, visto que não pode reivindicar para si esta autoria. Cabe lembrar que diante dos trilhões de astros já detectados pelo homem, distribuídos em estimadas 125 bilhões de galáxias, mas que podem chegar a dez vezes essa quantidade, segundo o Prof. Renato Las Casas da UFMG, em termos de verificação exploratória de vida extraterrestre, mal estamos esticando o pescoço por sobre o muro do quintal do vizinho. Comecemos por A Gênese, capítulo 6, item 47: “(...) mundos novos cujas condições variadas e diversas... de vosso globo, lhes dão uma vida que vossas concepções não podem imaginar”. No item 61: “(...) Não considereis..., sistemas semelhantes ao vosso... planetário; não vede sobre estes planetas desconhecidos os três reinos da natureza..., mas concebei... uma diversidade prodigiosa, inimaginável... espalhada pelas moradas...”. E há muito mais lá neste capítulo.

Em O Livro dos Espíritos, questões 55 a 58, somos informados que todos os globos que circulam no espaço são habitados, não possuem idêntica constituição física e, naturalmente, nem seus habitantes. A existência de mundos transitórios, tratados na questão 234, servem como lugares de repouso para serem habitados temporariamente por aqueles que estão desencarnados há muito tempo, o que lhes é algo penoso. Quando o espírito desencarna segue-se um período mais ou menos longo até que volte a reencarnar, meses ou poucos anos até vários séculos. Basicamente por duas razões: a) oportunidade – há seis bilhões de encarnados para aproximadamente 20 bilhões de desencarnados, só dos vinculados ao planeta Terra, aguardando nova chance de retornar à Terra; b) suas próprias particularidades não recomendam, não permitem ou não é de seu desejo a reencarnação senão num determinado momento.

Nas questões subsequentes, os Espíritos complementam em resumo que: 1- nestes mundos, os espíritos não ficam fixados; são como aves de arribação; 2- mesmo estando ali, progridem; 3- tais mundos não servirão eternamente à esta finalidade; 4- sua superfície é estéril – também em caráter passageiro – e não comportam seres corpóreos (note-se a diferença: não há seres como nós, encarnados, mas não deixam de ser habitados); 5- surpresa: a Terra já foi um deles durante a sua formação. Segue-se meia página de comentários de Allan Kardec.

Outra referência fundamental está no capítulo III de O Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulado com a assertiva do Cristo de que “na casa de meu Pai há muitas moradas”. Ali consta que há cinco tipos: mundos primitivos, de expiação e provas, de regeneração, os felizes e os celestes ou divinos. Infere-se desta classificação que o grau de materialidade diminui à medida que se caminha dos primeiros para os últimos. Nos chamados de regeneração ainda prevalece a existência de corpos densos enquanto a partir dos felizes, o conceito de matéria muda. “O corpo nada tem da materialidade terrestre...; a leveza específica dos corpos... A pouca resistência que a matéria oferece... a morte não tem os horrores da decomposição... não estando a alma encerrada na matéria compacta...”. Essas informações são evidências de que seus habitantes não possuem mais corpos carnais como os nossos.

Quanto aos mundos celestiais são “(...) morada dos Espíritos depurados...”. Logo, é diferente da noção de termos os espíritos vagando pelo espaço e mesmo de se fixarem em colônias espirituais como “Nosso Lar”, descrita pelo espírito André Luiz. Não se trata de cidades etéreas habitadas por espíritos sem corpo físico, mas de mundos concretos, sólidos.

Na Revista Espírita, no seu terceiro número referente ao mês de março de 1858, o Codificador analisa não só a possibilidade, mas sobre o tipo de vida que se poderia esperar encontrar em outros astros. Segundo informações dos Espíritos, do nosso sistema solar, a Terra seria o segundo mais atrasado, apenas superando Marte quanto ao grau evolutivo de seus habitantes que, neste último, seriam compostos predominantemente por espíritos classificados na 9ª classe da Escala Espírita. A seguir viriam Mercúrio e Saturno. A Lua, satélite natural da Terra, e Vênus se equivaleriam e Urano e Netuno, os mais adiantados, culminando com Júpiter, o superior de todos. Inúmeros detalhes são fornecidos a respeito deste último como a duração de 500 anos para cada encarnação, infância de poucos meses, ausência de enfermidades e alimentação compatível com a “formação do corpo mais ou menos a mesma que aqui, mas menos material e denso e de um peso específico muito pequeno”.

Quanto ao aspecto intelecto-moral, informam que são espíritos bons, com vida social regida pela justiça e bondade, comunicação pelo pensamento sem exclusão da linguagem articulada, presença permanente da dupla-vista ou clarividência e de animais com corpos mais semelhantes aos dos terráqueos, porém mais desenvolvidos a ponto de auxiliarem os homens de lá nos trabalhos manuais, pois os daqueles são inteiramente intelectuais. Tais informações foram transmitidas, entre outros, por um espírito que dizia habitar Júpiter. Seu nome, quando na Terra, era Bernard Palissy, célebre oleiro do século VI. Reportou-se à vida de sua pátria sideral através de notáveis desenhos recebidos mediunicamente por Victorien Sardou, um jovem literato do convívio de Kardec. Em mundos superiores a Júpiter, o envoltório etéreo (corpo) nada mais tem das propriedades conhecidas da matéria.

No capítulo referido de O Evangelho Segundo o Espiritismo (“resumo do ensinamento de todos os Espíritos Superiores”), observação de Kardec, afirma-se que a humanidade não é constituída só pelos encarnados e desencarnados que habitam a Terra, mas por todos os seres dotados de razão que povoam os inúmeros orbes do Universo. A forma é sempre a humana. Nos mundos superiores eles deslizam pela superfície ou planam no ar; a infância é curta ou nula; a longevidade proporcional ao adiantamento do mundo. Não há paixões nem sofrimentos. Nos mundos de regeneração, há provas, mas não expiações; o corpo é de carne; há sensações e desejos, mas não ódio, inveja e orgulho. Não há felicidade completa, entretanto ela já pode ser vislumbrada, ter-se a “aurora” da mesma. Contudo, mesmo dali, pode-se recair aos mundos expiatórios. É o que teria sucedido com as ondas migratórias de Capela e parecido com o que poderá ou já está ocorrendo aqui na Terra.

A despeito da situação evolutiva colocada pelos Espíritos em relação ao planeta Mercúrio, encontramos uma comunicação do espírito de certo general Hoche (2), na qual ele informa que se prepara para reencarnar naquele planeta e descreve-o como inferior a Terra, com seus habitantes mais materiais que nós. Isto evidentemente contradiz o dito anteriormente.

Sobre comunicações mediúnicas mencionamos uma do espírito Maria João de Deus, que fora a mãe do médium Chico Xavier, e por sua psicografia (3), que em 1935, informava ser Marte mais adiantado que o nosso planeta, física e moralmente. Quatro anos depois, o espírito Humberto de Campos, ainda pelo médium mineiro, parece confirmar as informações precedentes. “(...) os homens de Marte... uma aura de profunda tranquilidade os envolve... não conhecem guerras...” ( 4).

Lembramos o alerta do filósofo espírita Herculano Pires e um dos tradutores das Obras da Codificação (5), em relação ao posicionamento de Kardec quanto ao tema. As comunicações mediúnicas sobre a vida em outros mundos sempre foram tratadas com reserva por ele pelo fato de não poderem ser comprovadas na época. “Só ao futuro cabe confirmá-las ou não”, afirmava o mestre lionês. Como bem ele observou, os espíritos falam do que sabem e nem todos sabem tudo, aliás, bem poucos.

Até agora a Ciência oficial, apesar de todos os esforços, investimentos em aparelhagens sofisticadas e incursões de naves pelo espaço e até alcançando a atmosfera e superfície de um outro planeta, ainda não detectou vida fora da Terra. Talvez porque os cientistas estejam à procura do tipo errado de vida ou, por não estarem capacitados de ir mais longe, estejam procurando no lugar errado.

A sonda Galileu lançada em outubro de 1989 pela NASA, sobrevoou a Terra e a Lua no dia 08/12/90. Esta foi a primeira vez que o nosso planeta foi visto do espaço utilizando-se dos mesmos métodos para pesquisa de vida em outros mundos e o resultado foi que, afora a presença de uma grande concentração de oxigênio, nenhum tipo de vida foi detectado (6).

Com a palavra os cientistas. Para o físico Nikolaj Kardashev ele, há três tipos de civilizações distribuídas no Universo. As mais adiantadas fixadas nos centros das galáxias; algumas em regiões intermediárias e as como a nossa, nas periferias. “Considero - diz ele - que os seres vivos e inteligentes, após determinado nível de desenvolvimento, devem modificar-se. Ao atingir o ponto máximo desse desenvolvimento, prescinde de corpo. Os seres são simplesmente fluxos energéticos privados de massa”. Não é uma confirmação do que ensinam os Espíritos?

Sergiej Petrovich fala a respeito da possibilidade da vida justamente em Júpiter. “Nós dependemos de oxigênio e água que produz anidro carbônico. Outros seres poderiam beber amoníaco (quase tão bom solvente biológico como a água) respirar azoto e devolver cianeto de hidrogênio. A atmosfera jupiteriana contém metano, amoníaco e hidrogênio em grandes quantidades” (7). O astrônomo Seth Shestak garante: “Até 2030 encontraremos vida extraterrestre. Hoje só se consegue ver 1000 sistemas solares. Nos próximos 25 anos veremos um milhão deles” (8).

Como se vê, com 125 bilhões de galáxias, cada uma delas com cerca de 100 bilhões estrelas, a perspectiva de encontrarmos vizinhos siderais, conforme as afirmativas categóricas dos Espíritos Superiores é bastante alvissareira. Aliás, os cientistas calculam em 4000 o número de planetas existentes de condições semelhantes às da Terra, inclusive com satélites (9). Vamos a mais alguns números. Segundo uma complexa equação matemática do astrônomo Freank Drake, teríamos só na Via Láctea 16,2 planetas (incluindo a Terra) (ou luas com condições planetárias) com vida inteligente, ou seja, de enviar e receber mensagens pelo espaço (10). Já o astrofísico Duncan Forgan, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, informa que já foram descobertos 330 exoplanetas ou planetas fora do sistema solar, isto só de 1995 para cá. Estima-se em 361 o número das civilizações inteligentes em nossa galáxia e 37964 fora dela (11).

Difícil é chegar até elas. O mais próximo desses planetas é o GL581C que dista 20,5 anos-luz ou 194 trilhões de quilômetros. Para se ter uma idéia do que isso significa, utilizando um motor de íons testado em 1998 num satélite, a viagem até lá levaria 200.000 anos. Utilizando energia nuclear, tecnologia disponível em 2020, gastaria 170.000 anos. Com propulsão por antimatéria e disponível em 2040 levaria 40.000 anos. E se for possível usar o wormhole (pela teoria de Einstein há buraco no espaço que distorce o tempo tornando possível uma viagem igual ou maior à velocidade da luz) e com disponibilidade indefinida, o tempo de viagem até o planeta irmão da Terra seria de 20 anos ou menos.

Referências

1 - XAVIER, Francisco Cândido. LUIZ, André – autor espiritual. Nosso Lar. 38ª edição. RJ: FEB, 1990.
2 - KARDEC, Allan. Revista Espírita. 1ª edição. Sobradinho (DF): Edicel, 1985 (setembro/1959).
3 - XAVIER, Francisco Cândido. DEUS, M. J. de. - autor espiritual. Cartas de uma Morta. 13ª edição. SP: Lake, 1999.
4 - _________. Novas Mensagens. 10ª edição. RJ: FEB, 1939.
5 - PIRES, José Herculano. Ciência Espírita. 2ª edição. SP: Paidéia, 1981.
6 - Voz do Espírito (jornal). nº 45. São José do Rio Preto (SP), julho/1991.
7 - Jornal Espírita. nº 75. SP: Lake, setembro/1981.
8 - Anuário Espírita. Ano 2008, pág. 123.
9 - KÜHL, Eurípedes. Animais Nossos Irmãos. 4ª edição. SP: Petit, 1997.
10 - Veja, Revista. Nº 2066, 25/06/08.
11 - Tribuna do Paraná, Jornal. Curitiba: 06/02/09.

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