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Jornal Comunica Ação Espírita | 80ª edição | 07 de 2010.

Allan Kardec é o autor da Doutrina Espírita

Por Gilberto Allievi

Tornou-se polêmica a afirmação de que Allan Kardec é o autor da Doutrina Espírita. Não existem fundamentos fáticos ou conceituais que possam afastar sua autoria, como se demonstrará. Se, por um lado, a revelação surgiu pela iniciativa dos Espíritos, por outro, o trabalho que deu origem à doutrina não foi resultado de nenhum Espírito em particular, mas resultado da coordenação metódica das mensagens oriundas de todos os pontos do globo, colocando a condição para que fosse ela denominada como doutrina dos Espíritos.

Ensina Allan Kardec: “Sem embargo da parte que toca à atividade humana na elaboração desta doutrina, a iniciativa da obra pertence aos Espíritos, porém, não a constitui a opinião pessoal de nenhum deles...”. A Gênese, Introdução.

Na direção que objetivava a concordância no ensino dos Espíritos é que definiu a metodologia utilizada na construção da nova doutrina. Teve acesso a milhares de mensagens. Surgem as indagações, as respostas, sendo sua primeira constatação a de que os Espíritos pertenciam a vários níveis e graus evolutivos, o que o fez impor-se rigorosos critérios de análise, para que a elaboração da então incipiente doutrina pudesse estar imune às contradições e plenamente fundamentada na razão.

O trabalho do homem era indispensável, como se vê do Caráter da Revelação Espírita: “... a doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque é deduzida, pelo trabalho do homem, da observação dos fatos que os Espíritos lhe põem sob os olhos e das instruções que lhe dão, instruções que ele estuda, comenta, compara a fim de tirar ele próprio as ilações e aplicações. Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a SUA ELABORAÇÃO FRUTO DO TRABALHO DO HOMEM”. A Gênese, cap. I, 13.

O Dicionário Houaiss menciona o verbo “elaborar” como preparar, realizar, organizar, fazer um plano. Pode-se dizer, com acerto, que quem prepara, organiza e realiza um plano é seu autor. Quase redundante!

Pergunta-se: se o Espiritismo não representou a opinião de nenhum espírito em particular, a quem caberia definir o que faria parte da doutrina, senão o próprio Allan Kardec? A elaboração da ciência espírita seguiu os mesmos critérios das ciências positivas, assim explicado pelo Mestre: “Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa, e remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as consequências e busca as aplicações úteis”. A Gênese, I, 14.

Afirma ainda, no mesmo item, ser “rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação”.

“A doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque é deduzida da observação dos fatos... e instruções que os Espíritos lhe dão, instruções que ele estuda, comenta,compara...”

Também nas ciências em geral não se pode prescindir da observação, vez que tudo está em a Natureza. A lei da gravitação universal de Newton ou a teoria da relatividade por Einstein, e todas as outras nasceram nesse foco de pesquisa, muito embora os fatos que lhe foram objeto de análise sempre existissem, como as próprias verdades espíritas.

Nesse foco Kardec questiona a autoridade da revelação espírita: “A objeção seria ponderosa, se essa revelação consistisse APENAS no ensino dos Espíritos, se deles exclusivamente devêssemos receber e houvéssemos de aceitá-la de olhos fechados. Perde, porém, TODO SEU VALOR, desde que o homem concorra para a revelação com o seu raciocínio e o seu critério; desde que os Espíritos se LIMITAM a pô-lo no caminho das deduções que ele pode tirar da observação dos fatos...”. A Gênese. I, 57.

Estava absolutamente convicto Allan Kardec da necessidade de seu trabalho na elaboração da doutrina. Sabia que os questionamentos, as deduções, as inserções, as análises eram a essência de sua missão para a construção da ciência espírita, por isso, coerente sua percepção de que os Espíritos tinham o caráter de colaboradores e não de reveladores: “Ora, as manifestações, nas suas inumeráveis modalidades, são fatos que o homem estuda para lhes deduzir a lei, auxiliado nesse trabalho por Espíritos de todas as categorias, que, de tal modo, são mais COLABORADORES seus do que REVELADORES, no sentido usual do termo.” A Gênese, I, 57.

Fosse lá o Espiritismo mera revelação de caráter mediúnico a característica de ciência inexistiria, seria um engodo até. Desde a primeira edição de O Livro dos Espíritos - que alguns equivocamente pensam ter sido uma mera recepção mediúnica - até o último momento de sua publicação, procedia as alterações até mesmo nas respostas já dadas pelos Espíritos, como se deduz de suas afirmações: “Da comparação e da fusão de todas as respostas, coordenadas, classificadas e muitas vezes remodeladas no silêncio da meditação foi que ELABOREI a primeira edição de O Livro dos Espíritos...”. In Obras Póstumas, pág. 271.

Diz Canuto Abreu na Introdução à apresentação à primeira edição de O Livro dos Espíritos, com a citação por ele mencionada, na Revista Espírita, das palavras de Kardec: “E, quando decidia em prol duma doutrina, fazia-o com tamanha segurança que ninguém, encarnado ou desencarnado, seria capaz de levá-lo a reconsiderar, pois havia eliminado todos os argumentos em contrário”.

E cita o próprio Kardec: “Procedemos assim com a Doutrina da Reencarnação que, embora proveniente de Espíritos Superiores, não adotamos senão após ter reconhecido que ela só, mas somente ela, podia resolver o que nenhuma filosofia tinha resolvido... Pouco nos importam pois os contraditores, sejam mesmo Espíritos”.

Seu trabalho foi de enfrentamento, sua missão era a de “transformar o mundo inteiro”, como lhe foi dito pelo Espírito de Verdade nos primórdios da Doutrina. Inevitável o embate contra os interesses das visões tradicionais religiosas, bem como do materialismo vigente. Denominar Allan Kardec de Mestre e Autor da Doutrina Espírita não é lhe prestar nenhum favor, mas atestar sua extraordinária missão, até porque o Espiritismo não é nenhum um código a ser desvendado.

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